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	<title>POA SHOW &#187; Porto Alegre em Cena</title>
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		<title>Navalha na Carne: Onde Houver Carne</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Sep 2010 17:14:54 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Enclausurados em um quarto, tr&#234;s personagens participam de uma rela&#231;&#227;o simbi&#243;tica: um depende do outro, um parasita o outro a fim de continuar em p&#233;. Neusa Suely (Paula Cohen) &#233; a prostituta apaixonada por Vado (Gustavo Machado), seu cafet&#227;o. Este, em contrapartida, precisa do dinheiro da prostituta. A entrada de Veludo (Gero Camilo), o faxineiro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img alt="nava5 Navalha na Carne: Onde Houver Carne" class="aligncenter size-full wp-image-6414" height="333" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/nava5.jpg" title="Navalha na Carne" width="500" /></p>
<p style="text-align: justify;">
<p>	Enclausurados em um quarto, tr&ecirc;s personagens participam de uma rela&ccedil;&atilde;o simbi&oacute;tica: um depende do outro, um parasita o outro a fim de continuar em p&eacute;. Neusa Suely (Paula Cohen) &eacute; a prostituta apaixonada por Vado (Gustavo Machado), seu cafet&atilde;o. Este, em contrapartida, precisa do dinheiro da prostituta. A entrada de Veludo (Gero Camilo), o faxineiro do bordel, completa esse tri&acirc;ngulo de depend&ecirc;ncia quando ele rouba o &ldquo;casal&rdquo;, condenando-se a devolver a quantia, seja l&aacute; de que forma. A tr&iacute;ade atravessada por paix&atilde;o, desejo reprimido e viol&ecirc;ncia forma a mat&eacute;ria-prima de Navalha na Carne.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-6410"></span>Adentrei uma Sala &Aacute;lvaro Moreyra pesada, carregada de energia lunar. Sim, porque aqui as personagens s&atilde;o aliadas da noite. Ela lhes providencia dinheiro, alimento e prazer. O p&ocirc;r-do-sol &eacute; a v&eacute;spera das criaturas noturnas de Pl&iacute;nio Marcos. Debaixo da noite feroz n&atilde;o h&aacute; espa&ccedil;o para vergonha ou arrependimento: &eacute; o meu desejo e pronto, quem n&atilde;o gostar eu passo por cima. Navalha na Carne exp&otilde;e o estado deplor&aacute;vel em que a mulher e o homem podem chegar ao optarem por um modo de vida no qual a indiferen&ccedil;a e o ego&iacute;smo s&atilde;o as t&ocirc;nicas. Assim, a vida transforma-se em uma esp&eacute;cie de mutila&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria que deixa mente e emo&ccedil;&atilde;o com hemorragias persistentes, pois esse &eacute; o tipo de ser que n&atilde;o busca estancar o sangue at&eacute; se perceber encharcado, at&eacute; a navalha perder o fio. Inclusive, esse modo de vida leva Neusa Suely a questionar se ela e seus companheiros s&atilde;o gente, se merecem essa qualifica&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>	Um homem de energia efusiva, vestindo trapos e com fones de ouvido, deslizava por todo o palco arena, guiado por seus patins, soltando sua voz potente e peculiar em uma can&ccedil;&atilde;o rom&acirc;ntica. Mais tarde descobriria que ele &eacute; a raiz do principal conflito estabelecido em cena: um roubo. Trata-se de Veludo, o faxineiro homossexual que interage com a plateia durante a maior parte da encena&ccedil;&atilde;o paulista. Gero Camilo, ator escalado para o papel, construiu uma personagem exemplar, d&aacute; um show de interpreta&ccedil;&atilde;o. Transborda a mais pura feminilidade e, principalmente, &eacute; quem faz o espet&aacute;culo respirar com seu apelo infind&aacute;vel &agrave; gra&ccedil;a, ao riso. Por isso, me senti sufocado quando ele sa&iacute;a de cena por longos per&iacute;odos. Claustrofobia esta, talvez propositalmente intencionada por Pedro Granato, o diretor. Veludo &eacute; dono de respostas e trejeitos implac&aacute;veis, utilizando-se de termos em ingl&ecirc;s e de muita esperteza para conquistar o p&uacute;blico. Tal como seu nome, &eacute; escorregadio e pomposo.</p>
<p>	O cen&aacute;rio realista colabora em muito na cria&ccedil;&atilde;o da atmosfera underground. A princ&iacute;pio, o cora&ccedil;&atilde;o vermelho de luz n&eacute;on &eacute; o que mais focaliza a aten&ccedil;&atilde;o, remetendo diretamente a um velho bordel. A cama redonda ocupa bastante espa&ccedil;o, e com raz&atilde;o, visto que &eacute; tamb&eacute;m ringue, campo de guerra. &Eacute; ali que presenciamos a linha narrativa inquieta de Pl&iacute;nio Marcos: o desgaste emocional, a ofensa, a declara&ccedil;&atilde;o de amor camuflada, o cansa&ccedil;o, a troca de inj&uacute;rias, a reflex&atilde;o, a vida louca. Ningu&eacute;m pisa naquela cama sem a marca de uma navalha na carne. A porta do apartamento &eacute; outra engenhosidade c&ecirc;nica: &eacute; o esbo&ccedil;o de uma porta de madeira negra, contendo apenas seu formato e uma fechadura. As quatro paredes escolhidas por Pedro Granato foram intensas luzes fluorescentes, que n&atilde;o apenas iluminam, mas cegam. Por isso a constante selvageria. Tanto a porta quanto as &ldquo;paredes&rdquo; mais revelam do que guardam. Se o cora&ccedil;&atilde;o referido no in&iacute;cio do par&aacute;grafo est&aacute; partido, &eacute; f&aacute;cil de saber a quem pertence: &agrave; prostituta Neusa Suely.</p>
<p>	Neusa Suely &eacute; um ser duplo, assim como seu nome, que &eacute; composto. Ao mesmo tempo em que sai &agrave;s ruas se prostituindo, ao chegar em casa deseja ser tratada como uma mulher comum: ser bem recebida pelo homem. Mesmo que ela n&atilde;o explicite o amor que sente por Vado, esse sentimento &eacute; percept&iacute;vel. J&aacute; para o cafet&atilde;o, ela representa apenas uma fonte de renda. Mostrando-se muito incomodado com o envelhecimento de Neusa, chamada de galinha velha por Veludo. A rela&ccedil;&atilde;o estabelecida &eacute; masoquista, tanto o agressor quanto a agredida est&atilde;o ligados pela necessidade de dar e receber viol&ecirc;ncia. A luz fluorescente ilumina a alma das personagens: enquanto Vado insiste em humilhar e agredir Neusa, ela posta-se diante o foco de luz com o rosto cabisbaixo, derretendo; a alma torcida, maltratada. O cafet&atilde;o, como o pr&oacute;prio texto explora, &eacute; malVado. Ainda que macho ou ser dominante, no embate com o faxineiro (com conota&ccedil;&otilde;es homoer&oacute;ticas) vemos que sua &uacute;nica arma efetiva &eacute; a viol&ecirc;ncia f&iacute;sica. Sua pr&oacute;pria ostentada masculinidade &eacute; amea&ccedil;ada pelo resguardado desejo por Veludo. Internamente, &eacute; o mais fraco dos tr&ecirc;s, e o mais amoral.</p>
<p style="text-align: justify;">Cabe ainda dizer que a encena&ccedil;&atilde;o de Pedro Granato distribuiu em por&ccedil;&otilde;es equivalentes o foco narrativo. Cada personagem tem o seu momento e cada ator tem o seu brilho, ainda que a participa&ccedil;&atilde;o de Gero cause maior repercuss&atilde;o e simpatia entre o p&uacute;blico, especialmente pelo humor. Gustavo Machado tem em m&atilde;os um homem repulsivo, trazendo sua antipatia com veracidade. Paula Cohen constr&oacute;i Neusa com coer&ecirc;ncia e entrega, garantindo empatia, embora tenha sido ofuscada em alguns momentos, justamente por representar uma personagem cansada dos revides da vida. O espet&aacute;culo que desnuda personagens marginalizados, aparentemente distantes de n&oacute;s, destr&oacute;i essa dist&acirc;ncia, mostrando que onde houver carne, haver&aacute; sofrimento.</p>
<p style="text-align: justify;">
	Ficha T&eacute;cnica:<br />
	Texto: Pl&iacute;nio Marcos / Dire&ccedil;&atilde;o: Pedro Granato / Elenco: Gero Camilo, Gustavo Machado e Paula Cohen / Figurinos: Tatiana Thom&eacute; / Espa&ccedil;o c&ecirc;nico: Alessandra Domingues e Pedro Granato / Ilumina&ccedil;&atilde;o: Alessandra Domingues / Dire&ccedil;&atilde;o de produ&ccedil;&atilde;o: Helena Weyne / Produ&ccedil;&atilde;o: Maca&uacute;ba Produ&ccedil;&otilde;es Art&iacute;sticas / Dura&ccedil;&atilde;o: 1h10min /</p>
<p style="text-align: justify;">
	<strong>Por: </strong>Andrei Moura e Guilherme Nervo</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fotos: </strong>Divulga&ccedil;&atilde;o</p>
<p style="text-align: justify;">
<a href='http://poashow.com.br/2010/09/28/navalha-na-carne-onde-houver-carne/nava2/' title='Navalha na Carne'><img width="150" height="150" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/nava2-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="nava2 150x150 Navalha na Carne: Onde Houver Carne" title="Navalha na Carne" /></a>
<a href='http://poashow.com.br/2010/09/28/navalha-na-carne-onde-houver-carne/nava3/' title='Navalha na Carne'><img width="150" height="150" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/nava3-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="nava3 150x150 Navalha na Carne: Onde Houver Carne" title="Navalha na Carne" /></a>
<a href='http://poashow.com.br/2010/09/28/navalha-na-carne-onde-houver-carne/nava4/' title='Navalha na Carne'><img width="150" height="150" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/nava4-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="nava4 150x150 Navalha na Carne: Onde Houver Carne" title="Navalha na Carne" /></a>
<a href='http://poashow.com.br/2010/09/28/navalha-na-carne-onde-houver-carne/nava5/' title='Navalha na Carne'><img width="150" height="150" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/nava5-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="nava5 150x150 Navalha na Carne: Onde Houver Carne" title="Navalha na Carne" /></a>
</p>
<img src="http://poashow.com.br/?ak_action=api_record_view&id=6410&type=feed" alt=" Navalha na Carne: Onde Houver Carne"  title="Navalha na Carne: Onde Houver Carne" />]]></content:encoded>
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		<title>As sete caras da verdade: uma ópera cômica de Nico Nicolaiewsky</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Sep 2010 16:52:21 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[No ano de 2002 ,o j&#225; reconhecid&#237;ssimo compositor e humorista Nico Nicolaiewsky, lan&#231;ou no mercado o seu segundo disco autoral (o primeiro tinha sido um disco auto intitulado, lan&#231;ado em 1996). Este segundo trabalho consistia em uma &#243;pera c&#244;mica chamada &#8220;As sete caras da verdade&#8221;. De l&#225; para c&#225;, pouqu&#237;ssimas foram as ocasi&#245;es em que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">
	<img alt="sete3 As sete caras da verdade: uma ópera cômica de Nico Nicolaiewsky" class="aligncenter size-full wp-image-6401" height="333" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/sete3.jpg" title="As sete caras da verdade" width="500" /></p>
<p style="text-align: justify;">
	No ano de 2002 ,o j&aacute; reconhecid&iacute;ssimo compositor e humorista Nico Nicolaiewsky, lan&ccedil;ou no mercado o seu segundo disco autoral (o primeiro tinha sido um disco auto intitulado, lan&ccedil;ado em 1996). Este segundo trabalho consistia em uma &oacute;pera c&ocirc;mica chamada &ldquo;As sete caras da verdade&rdquo;. De l&aacute; para c&aacute;, pouqu&iacute;ssimas foram as ocasi&otilde;es em que fora apresentado. Por contar com uma grande equipe t&eacute;cnica e um numeroso elenco, os custos para possibilitar tais apresenta&ccedil;&otilde;es s&atilde;o bem altos, inviabilizando um projeto t&atilde;o grandioso se comparado &agrave;s montagens que estamos habituados a presenciar por estas bandas. Sorte a nossa que festivais como o Porto Alegre em cena nos propiciam tais momentos.<br />
	<span id="more-6404"></span><br />
	&Eacute; de se notar o tamanho da produ&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para a apresenta&ccedil;&atilde;o desta mini-&oacute;pera. Uma orquestra composta por 18 m&uacute;sicos e um coral que, pelas minhas contas, chega a ter 34 participantes, garante o clima necess&aacute;rio para tornar a apresenta&ccedil;&atilde;o mais veross&iacute;mil e impactante. Vale lembrar que o coral n&atilde;o s&oacute; canta, mas tamb&eacute;m atua, se movimenta e dialoga com os personagens, sendo, na verdade, praticamente mais um personagem da hist&oacute;ria. Possuindo import&acirc;ncia diferenciada no espet&aacute;culo e sendo respons&aacute;vel por algumas das melhores cenas da apresenta&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>	A hist&oacute;ria &eacute; basicamente a seguinte: Um narrador anuncia a chegada de Rodolfo, o matador, a casa de Alencar. Ao que o morador da casa abre a porta, Rodolfo for&ccedil;a sua entrada e sem muitos rodeios anuncia a eminente morte de Alencar. Mesmo tentando argumentar e entender o que se passava, Alencar &eacute; avisado de que seu fim est&aacute; pr&oacute;ximo, e depois de alguns disparos errados, Rodolfo cumpriria com sua promessa. Por&eacute;m, o agora quase morto Alencar sussurra algo no ouvido de seu algoz que o deixa transtornado. Este &eacute; o mist&eacute;rio da pe&ccedil;a, mas ele n&atilde;o demora mais de 20 minutos para ser desvendado. O problema &eacute; que cria outro mist&eacute;rio um pouco maior, e depois outros, que acabam por sustentarem a trama at&eacute; o seu final. Fica dif&iacute;cil fazer uma an&aacute;lise mais aprofundada sem entregar alguns dos mist&eacute;rios da pe&ccedil;a </p>
<p>	Fica dif&iacute;cil fazer uma an&aacute;lise mais aprofundada sem entregar alguns dos mist&eacute;rios da pe&ccedil;a, e que se revelados acabam por tirar um pouco da sua gra&ccedil;a. Por se tratar de uma &oacute;pera c&ocirc;mica e de suspense, e tendo sido criada por um dos maiores humoristas do Rio Grande Sul, &ldquo;As sete caras da verdade&rdquo; abusa dos clich&ecirc;s do g&ecirc;nero, tanto da &oacute;pera, com suas intermin&aacute;veis repeti&ccedil;&otilde;es de frases, como do suspense e suas reviravoltas mirabolantes que parecem n&atilde;o levar a lugar nenhum, e &agrave;s vezes realmente n&atilde;o levam. Por&eacute;m, sempre com muito bom gosto, nunca caindo no entretenimento &ldquo;pastel&atilde;o&rdquo; ou subestimando o senso de humor do p&uacute;blico.</p>
<p>	Alem de um &oacute;timo espet&aacute;culo, &ldquo;As sete caras da verdade&rdquo; somente &eacute; apresentado em poucas ocasi&otilde;es, o que acaba tornando o espet&aacute;culo raro e por isso mais especial. Nico mostra aqui, mais uma vez, o imenso potencial art&iacute;stico que lhe cabe. Pois al&eacute;m de atuar e cantar, foi ele quem criou, com a parceria de Fernando Jankzura, e dirigiu a pe&ccedil;a. Para quem gosta de teatro, n&atilde;o precisa ser de &oacute;pera necessariamente, boa m&uacute;sica e do trabalho de Nico com o Tangos e Trag&eacute;dias, fica a dica: quando tiver oportunidade de v&ecirc;-lo nesta apresenta&ccedil;&atilde;o, v&aacute;! </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por:</strong> Angelo Borba</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fotos:</strong> Divulga&ccedil;&atilde;o</p>
<p style="text-align: justify;">
<a href='http://poashow.com.br/2010/09/28/as-sete-caras-da-verdade-uma-opera-comica-de-nico-nicolaiewsky/sete1/' title='As sete caras da verdade'><img width="150" height="150" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/sete1-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="sete1 150x150 As sete caras da verdade: uma ópera cômica de Nico Nicolaiewsky" title="As sete caras da verdade" /></a>
<a href='http://poashow.com.br/2010/09/28/as-sete-caras-da-verdade-uma-opera-comica-de-nico-nicolaiewsky/sete2/' title='sete2'><img width="150" height="150" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/sete2-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="sete2 150x150 As sete caras da verdade: uma ópera cômica de Nico Nicolaiewsky" title="sete2" /></a>
<a href='http://poashow.com.br/2010/09/28/as-sete-caras-da-verdade-uma-opera-comica-de-nico-nicolaiewsky/sete3/' title='As sete caras da verdade'><img width="150" height="150" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/sete3-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="sete3 150x150 As sete caras da verdade: uma ópera cômica de Nico Nicolaiewsky" title="As sete caras da verdade" /></a>
<a href='http://poashow.com.br/2010/09/28/as-sete-caras-da-verdade-uma-opera-comica-de-nico-nicolaiewsky/sete4/' title='As sete caras da verdade'><img width="150" height="150" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/sete4-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="sete4 150x150 As sete caras da verdade: uma ópera cômica de Nico Nicolaiewsky" title="As sete caras da verdade" /></a>
<a href='http://poashow.com.br/2010/09/28/as-sete-caras-da-verdade-uma-opera-comica-de-nico-nicolaiewsky/sete5/' title='As sete caras da verdade'><img width="150" height="150" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/sete5-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="sete5 150x150 As sete caras da verdade: uma ópera cômica de Nico Nicolaiewsky" title="As sete caras da verdade" /></a>
</p>
<img src="http://poashow.com.br/?ak_action=api_record_view&id=6404&type=feed" alt=" As sete caras da verdade: uma ópera cômica de Nico Nicolaiewsky"  title="As sete caras da verdade: uma ópera cômica de Nico Nicolaiewsky" />]]></content:encoded>
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		<title>Um Navio no Espaço ou Ana Cristina César: A Nau Frágil</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Sep 2010 03:51:16 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[&#160;As mulheres e as crian&#231;as s&#227;o as primeiras que /desistem de afundar navios. Essas duas linhas que comp&#245;em o poema Cartilha da Cura &#8211; curtas pela extens&#227;o, intensas pelos significados &#8211; foram o meu primeiro contato com o lirismo intempestivo, por vezes nebuloso, mas sempre vivo, feroz e voraz de Ana Cristina C&#233;sar. Interessado em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img alt="pac4 Um Navio no Espaço ou Ana Cristina César: A Nau Frágil " class="aligncenter size-full wp-image-6306" height="333" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/pac4.jpg" title="pac4" width="500" /></p>
<p style="text-align: justify;">
	&nbsp;As mulheres e as crian&ccedil;as s&atilde;o as primeiras que /desistem de afundar navios. Essas duas linhas que comp&otilde;em o poema Cartilha da Cura &#8211; curtas pela extens&atilde;o, intensas pelos significados &#8211; foram o meu primeiro contato com o lirismo intempestivo, por vezes nebuloso, mas sempre vivo, feroz e voraz de Ana Cristina C&eacute;sar. Interessado em saber mais sobre a mulher que, com m&iacute;nimos recursos, tangia a mais densa profundidade, desvendando a tens&atilde;o por detr&aacute;s das convenientes m&aacute;scaras que delimitam a selvageria da vida em quadros aceit&aacute;veis; procurei relatos biogr&aacute;ficos e descobri que Ana Cristina havia sido uma mulher misteriosa, bela e erudita, que cometera suic&iacute;dio aos 31 anos de idade no in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1980. &Eacute; claro que a personalidade liter&aacute;ria e pessoal da escritora n&atilde;o se restringem a estes r&oacute;tulos rasos, mas estes oferecem algumas pistas, ind&iacute;cios, rastros da trajet&oacute;ria de um dos expoentes da chamada gera&ccedil;&atilde;o mime&oacute;grafo (ou poesia marginal) .<span id="more-6302"></span></p>
<p style="text-align: justify;"> O tema do su&iacute;cidio sempre exerceu sobre mim um estranho fasc&iacute;nio: por ser um dos tabus da nossa sociedade, por suscitar questionamentos religiosos, ideol&oacute;gicos e, mais que isso, ser considerado o ato de covardia mais corajoso que um ser humano &eacute; capaz de comenter. A finitude da exist&ecirc;ncia e o al&eacute;m-morte s&atilde;o zonas desconhecidas, apenas suspeitadas, que s&oacute; podem ser pisadas ou experimentadas uma &uacute;nica vez, em um s&oacute; golpe. Talvez por isso, a poesia de Ana Cristina C&eacute;sar tenha fundidido o l&iacute;rico ao proibido, transformado palavras em viva carne, extravazado fronteiras, inclusive tornando indissoci&aacute;veis (me desculpem os estruturalistas russos) o biogr&aacute;fico do ficcional.</p>
<p style="text-align: justify;"> &Eacute; desta mistura entre arte e vida, que &eacute; cometido o espet&aacute;culo O Navio no espa&ccedil;o &#8211; ou Ana Cristina C&eacute;sar, com texto de Maria Helena K&uuml;hner, adapta&ccedil;&atilde;o de Walter Daguerre e dire&ccedil;&atilde;o de Paulo Jos&eacute;. De cara, somos confrontados com a presen&ccedil;a do ator Paulo Jos&eacute;, sentado em uma cadeira de escrit&oacute;rio, com muitos papeis avulsos sobre a mesa, interpretando a si mesmo, se comunicando com o p&uacute;blico de forma direta e informal. A proximidade &eacute; tanta que provoca a impress&atilde;o de que n&atilde;o entramos em um teatro, e de que n&atilde;o estamos assistindo a um ator dando um texto escrito, e sim,de que estamos diante de um velho conhecido, tamanho o grau de naturalidade alcan&ccedil;ado. Paulo Jos&eacute; logo nos conta como conheceu Ana, a ent&atilde;o analista de textos da Rede Globo de Televis&atilde;o, que avaliava com rigor os textos escritos para o popular Caso Verdade, um programa de temas infelizes com final feliz. O embate entre um homem de televis&atilde;o e uma jovem intelectual (na &eacute;poca, rec&eacute;m titulada Mestre em Teoria e Pr&aacute;tica de Tradu&ccedil;&atilde;o Liter&aacute;ria, na Inglaterra) ganha contornos c&ocirc;micos. &Eacute; imposs&iacute;vel n&atilde;o rir &#8211; ou sorrir &#8211; diante da resposta de Ana a respeito da programa&ccedil;&atilde;o televisiva: &quot;- Eu n&atilde;o vejo Tv.&quot;.</p>
<p style="text-align: justify;"> Entra em cena, ent&atilde;o, a atriz Ana Kutner, com uma camiseta de listras na&uacute;ticas, representando, de modo perform&aacute;tico, a m&iacute;tica Ana Cristina C&eacute;sar. O contraste entre os atores &eacute; n&iacute;tido e proposital, em um espet&aacute;culo fundado por ant&iacute;teses, com a contradi&ccedil;&atilde;o e a contraven&ccedil;&atilde;o como forma e foco. Sobre a atua&ccedil;&atilde;o de Kutner, tive uma impress&atilde;o ambivalente. Ela acerta o tom quando d&aacute; forma &agrave;s afiadas palavras de A.C.C&eacute;sar. Erra ao n&atilde;o transitar bem, nem pelas fases retradas em cena (inf&acirc;ncia, adolesc&ecirc;ncia, vida adulta), nem pelas nuances pscicol&oacute;gicas intermedi&aacute;rias que compunham a complexa mente da escritora. Em muitos momentos, n&atilde;o consegui visualizar a mulher ardendo de vida, a escritora com a boca voraz querendo dizer o mundo, camale&ocirc;nica e livre. Enxerguei uma menina mimada e insegura, circunscrita &agrave; seu quarto de pretens&otilde;es, que jamais teria escrito textos t&atilde;o viscerais e traduzido poetas como T.S. Elliot, Mallarm&eacute; e Sylvia Plath.</p>
<p style="text-align: justify;">Fora esta ressalva, cumpre ressaltar o deleite est&eacute;tico obtido na feliz composi&ccedil;&atilde;o do cen&aacute;rio (assinada por Mello da Costa). Al&eacute;m da ambienta&ccedil;&atilde;o do escrit&oacute;rio j&aacute; referida; na lateral direita do palco, haviam espelhos suspensos, que distorciam e refletiam as proje&ccedil;&otilde;es das palavras datilografadas dos textos de Ana Cristina em um painel de fundo. O excelente trabalho de videografismo e anima&ccedil;&atilde;o dos irm&atilde;os Vilaroca, em combina&ccedil;&atilde;o com uma trilha sonora adequada, enleiam a aten&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico, e inundam o palco de beleza e lirismo. O hibridismo de m&iacute;dias e de linguagens, assim como a aus&ecirc;ncia de uma linearidade e de um enredo tradicionais, funciona muito bem em um espet&aacute;culo que retrata a trajet&oacute;ria e a est&eacute;tica de uma escritora cuja vida e obra se baseiam no irrefre&aacute;vel ensejo de cruzar os limites dos abismos. Se a montagem por vezes parece um ensaio, isso se deve a uma poss&iacute;vel tradu&ccedil;&atilde;o obl&iacute;qua de uma escrita porosa, com lacunas e aspecto de esbo&ccedil;o, pr&oacute;prios da produ&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria da gera&ccedil;&atilde;o dos poetas brasileiros marginais de ent&atilde;o. Outro aspecto positivo do texto que mescla correspond&ecirc;ncia pessoal, trechos de di&aacute;rios e poesias, se d&aacute; em um momento de questionamento e de ang&uacute;stia (A FALA ENTUPIDA) da artista ( tradutora e ass&iacute;dua leitora) diante do desejo de encontrar uma dic&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria, a originalidade da palavra: dizer o ainda n&atilde;o dito. Destaco tamb&eacute;m a multiplicidade de vis&otilde;es posta em cena sobre a escritora, n&atilde;o afunilando em uma &uacute;nica leitura explica&ccedil;&otilde;es e motiva&ccedil;&otilde;es para o suic&iacute;dio da poeta. O Navio no Espa&ccedil;o- ou Ana Cristina C&eacute;sar, traz &agrave; tona escritos e momentos de vida da personagem-t&iacute;tulo, por isso merece ser visto e sentido. N&atilde;o para responder um questionamento qualquer. Mas para afirmar e reafirmar, como toda obra de arte de qualidade, nossas irrespond&iacute;veis interroga&ccedil;&otilde;es.</p>
<p>
	<strong>Por:</strong> Andrei Moura</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fotos</strong>: divulga&ccedil;&atilde;o</p>
<p style="text-align: justify;">
<a href='http://poashow.com.br/2010/09/15/um-navio-no-espaco-ou-ana-cristina-cesar-a-nau-fragil/pac/' title='Um Navio no Espaço ou Ana Cristina César'><img width="150" height="150" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/pac-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="pac 150x150 Um Navio no Espaço ou Ana Cristina César: A Nau Frágil " title="Um Navio no Espaço ou Ana Cristina César" /></a>
<a href='http://poashow.com.br/2010/09/15/um-navio-no-espaco-ou-ana-cristina-cesar-a-nau-fragil/pac2/' title='Um Navio no Espaço ou Ana Cristina César'><img width="150" height="150" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/pac2-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="pac2 150x150 Um Navio no Espaço ou Ana Cristina César: A Nau Frágil " title="Um Navio no Espaço ou Ana Cristina César" /></a>
<a href='http://poashow.com.br/2010/09/15/um-navio-no-espaco-ou-ana-cristina-cesar-a-nau-fragil/pac3/' title='Um Navio no Espaço ou Ana Cristina César'><img width="150" height="150" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/pac3-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="pac3 150x150 Um Navio no Espaço ou Ana Cristina César: A Nau Frágil " title="Um Navio no Espaço ou Ana Cristina César" /></a>
<a href='http://poashow.com.br/2010/09/15/um-navio-no-espaco-ou-ana-cristina-cesar-a-nau-fragil/pac4/' title='Um Navio no Espaço ou Ana Cristina César'><img width="150" height="150" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/pac4-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="pac4 150x150 Um Navio no Espaço ou Ana Cristina César: A Nau Frágil " title="Um Navio no Espaço ou Ana Cristina César" /></a>
</p>
<img src="http://poashow.com.br/?ak_action=api_record_view&id=6302&type=feed" alt=" Um Navio no Espaço ou Ana Cristina César: A Nau Frágil "  title="Um Navio no Espaço ou Ana Cristina César: A Nau Frágil " />]]></content:encoded>
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		<title>Happy Days: dois olhares sobre os dias felizes</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Sep 2010 01:39:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>poashow</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Uma longa jornada que, quase, cumpre o que promete. Uma das maiores promessas deste 17&#176; Porto Alegre em cena foi a montagem de &#8220;Happy Days&#8221;, texto de um dos mais revolucion&#225;rios teatr&#243;logos do s&#233;culo XX, Samuel Becket. Dirigido por Bob Wilson, um dos maiores diretores do teatro mundial, e contando no elenco com nada menos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong>Uma longa jornada que, quase, cumpre o que promete.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Uma das maiores promessas deste 17&deg; Porto Alegre em cena foi a montagem de &ldquo;Happy Days&rdquo;, texto de um dos mais revolucion&aacute;rios teatr&oacute;logos do s&eacute;culo XX, Samuel Becket. Dirigido por Bob Wilson, um dos maiores diretores do teatro mundial, e contando no elenco com nada menos que Adriana Asti (musa de v&aacute;rios diretores do cinema europeu, como Bertoluci e Bun&uuml;el), era promessa de um grande espet&aacute;culo.</p>
<p style="text-align: justify;">A pe&ccedil;a conta com um cen&aacute;rio quase minimalista, a n&atilde;o ser pelos efeitos visuais de luzes, que t&ecirc;m uma grande import&acirc;ncia no decorrer da pe&ccedil;a, nos informando o quanto de tempo se passou durante o mon&oacute;logo da personagem Winnie. Esta por sua vez se encontra em uma situa&ccedil;&atilde;o ins&oacute;lita: enterrada at&eacute; a cintura, no alto de um cume de areia. Ali ela acorda, durante v&aacute;rios dias, e discorre sobre a sua vida, desde os aspectos mais banais, como escovar os dentes e pentear os cabelos, at&eacute; os seus desejos e frustra&ccedil;&otilde;es mais profundas, sempre dirigidas ao seu interlocutor, Willie.</p>
<p style="text-align: justify;">Por ser praticamente um mon&oacute;logo e ter quase duas horas de dura&ccedil;&atilde;o, a pe&ccedil;a, em alguns momentos, se torna cansativa, ainda mais para quem n&atilde;o est&aacute; muito familiarizado ao tipo de texto que Becket escrevia, e as leituras que Wilson d&aacute; para suas montagens, sempre abusando de luzes e sons.</p>
<p>	O texto &eacute; uma ironia dram&aacute;tica, a come&ccedil;ar pelo t&iacute;tulo &ldquo;Happy Days&rdquo; (dias felizes), que de felizes n&atilde;o tem nada. Trata de desconstruir uma ilus&atilde;o de alegria, e sua respectiva necessidade imperativa. Winnie lembra seu passado e o confronta com sua situa&ccedil;&atilde;o atual, tentando achar uma poss&iacute;vel felicidade escondida nas coisas mais simpl&oacute;rias, como um simples som, qualquer que seja, emitido por seu marido Willie e que a fa&ccedil;a se sentir menos sozinha, pois este &eacute; o seu maior medo: a solid&atilde;o.</p>
<p>	A profundidade da reflex&atilde;o acaba sendo dilu&iacute;da na montagem de Wilson. A tradu&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m peca na qualidade, principalmente nos trechos onde as frases s&atilde;o mais r&aacute;pidas. O diretor parece explorar demais o seu objeto c&ecirc;nico e esquece de se preocupar com o texto. Falta certa homogeneidade ao decorrer da pe&ccedil;a, algo que prenda o espectador do in&iacute;cio ao fim, n&atilde;o s&oacute; em pontos chaves, aqueles em que o diretor parece dizer: &ldquo;preste aten&ccedil;&atilde;o agora!&rdquo;.</p>
<p>	No geral, vale &agrave; pena, mas um gostinho de &ldquo;ficou a desejar&rdquo; &eacute; praticamente certo.</p>
<p>	<strong>Por: </strong>Angelo Borba.</p>
<hr />
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<h4 style="text-align: center;">Unfortunate Days, Dias Desventurados</h4>
<p style="text-align: justify;">Me sentia aquela velhinha semi-surda da &uacute;ltima fileira, esticando o pesco&ccedil;o e agu&ccedil;ando os ouvidos a fim de absorver o m&aacute;ximo de &quot;Happy Days&quot;, a pe&ccedil;a de Robert Wilson que veio para o 17&deg; Porto Alegre Em Cena. A compara&ccedil;&atilde;o com uma velhinha da &uacute;ltima fileira podia muito bem ir perdendo a for&ccedil;a ao passo que os minutos corriam, mas n&atilde;o foi bem assim. A atriz italiana Adriana Asti (Winnie), um ponto p&aacute;lido &#8211; engessado &#8211; com a boca carmim e a roupa veludosa azul, surgia aos meus olhos como uma figura distante e ofuscada.</p>
<p>	Com a premissa b&aacute;sica de que a personagem do irland&ecirc;s Samuel Beckett, Winnie, encontra-se soterrada at&eacute; a cintura, podendo gesticular apenas a parte superior; minha gana era a de visualizar claramente a express&atilde;o facial da atriz. De que outra forma captaria sua emo&ccedil;&atilde;o? Solucionei minha pergunta concentrando-me na verborragia &#8211; de teor paradoxalmente humanista e confessional &#8211; de Winnie e suas devidas entona&ccedil;&otilde;es. E, &eacute; claro, &agrave; famosa ilumina&ccedil;&atilde;o de Bob Wilson, que, discordando de Luiz Paulo Vasconcellos, achei-a sutil e adequada (dispensarei o adjetivo precisa, porque a precis&atilde;o &eacute; um dos pilares do diretor, como bem pude conferir ano passado, em &quot;Quartett&quot;). E n&atilde;o &aacute;cida, agressiva, desesperadora, esp&eacute;cie de t&aacute;bua de salva&ccedil;&atilde;o; n&atilde;o, aqui a luz &eacute; muito menos densa ou fria do que em &quot;Quartet&quot;. S&atilde;o tons de azul, amarelo e verde que preenchem todo o alv&iacute;ssimo fundo. Mesmo que a luz fosse &aacute;cida, portanto corrosiva, n&atilde;o h&aacute; nada que a terra, esse velho extintor, n&atilde;o apague; como bem disse Winnie ao ver seu guarda-chuva negro pegando fogo. O ocorrido provocou tal estrondo a ponto de estremecer a plateia, antes tranquila. O mesmo acontece no in&iacute;cio dos dois atos (a pe&ccedil;a possui intervalo): uma cortina transparente &ndash; branca &#8211; balan&ccedil;a ao som da brisa que vai aos poucos se fortalecendo, at&eacute; o som atingir seu &aacute;pice, tornar-se grave e ensurdecedor. &Eacute; a&iacute; que, cortina, brisa, luz e som&#8230; Caem. FOTO: o vulc&atilde;o em erup&ccedil;&atilde;o, o iceberg, o Everest, o vazio. Se Winnie &eacute; erup&ccedil;&atilde;o, suas palavras s&atilde;o lavas que escorrem. Definitivamente Wilson sabe jogar com atmosferas de oposi&ccedil;&atilde;o, nos causando aquela sensa&ccedil;&atilde;o dupla de surpresa e (des)conforto.</p>
<p>	Happy Days &eacute; sarcasmo, a protagonista n&atilde;o tem dias felizes, sen&atilde;o a esperan&ccedil;a de um dia feliz. &quot;- Hoje ser&aacute; um dia feliz!&quot;, informa otimista ao seu marido Willie (Giovanni Battista Storti). Ela exige ser ouvida, admitindo sua tend&ecirc;ncia centralizadora, portanto egoc&ecirc;ntrica, perante a situa&ccedil;&atilde;o em que ela e o homem se encontram: debaixo da terra. Entretanto, a fala do outro (de Willie) &eacute; baseada em grunhidos, arrotos e peidos. Ent&atilde;o &eacute; coerente dizer que existe comunica&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da palavra? Francesa &eacute; a l&iacute;ngua falada na pe&ccedil;a, apesar do diretor ser norte-americano e o elenco italiano. Provavelmente Beckett via no franc&ecirc;s uma l&iacute;ngua nova, fresca, cheia de possibilidades, sem imposi&ccedil;&otilde;es culturais de peso, consequentemente com maior gama de nuances se posta em compara&ccedil;&atilde;o com o ingl&ecirc;s. Ao largar sua l&iacute;ngua materna, Samuel Beckett renuncia (em parte) aos c&oacute;digos que organizam / ordenam a sociedade, porque a l&iacute;ngua nada mais &eacute; do que uma estrutura de c&oacute;digos firmados social e historicamente de forma arbitr&aacute;ria. Uma montanha podia muito bem ser chamada de berinjela, n&atilde;o?</p>
<p>	Winnie ocupa sua boca com palavras a qualquer momento para n&atilde;o ter que enfrentar o vazio, esse eterno perseguidor. Seu jorro verbal &eacute; antag&ocirc;nico ao sil&ecirc;ncio. O verbo representa o dom&iacute;nio humano sobre o mundo, &eacute; uma apropria&ccedil;&atilde;o ou mesmo domestica&ccedil;&atilde;o do vivo e morto, tornando &quot;conhecido&quot; o desconhecido. Beckett estava ciente dessa vis&atilde;o unidimensional, portanto n&atilde;o aceitou-a em sua obra, questionando at&eacute; mesmo os c&oacute;digos art&iacute;sticos de representa&ccedil;&atilde;o da vida.</p>
<p>	O elemento absurdo est&aacute; presente at&eacute; o fechar das cortinas, o cotidiano do casal jamais &eacute; alterado pela condi&ccedil;&atilde;o de estarem enterrados, cada um faz o seu papel: Willie l&ecirc; jornal e admira fotos de mulheres quase peladas, Winnie escova os dentes, faz as unhas, passa maquiagem, amea&ccedil;a sua cabe&ccedil;a com um rev&oacute;lver e fala. A respeito da cena inicial, na hora vi uma palha&ccedil;a escovando os dentes! Era a escova v&iacute;tima cintilante e o creme dental carrasco, amei! Adriana Asti joga maravilhosamente bem com a voz (e que bom!). Sa&iacute; do Theatro S&atilde;o Pedro pensando: ao longo de seus dias, Winnie destina o pr&oacute;prio destino. Controla. Tenta bloquear a melancolia, mas esta faz parte da vida. Bloquear a melancolia gera mais mal-estar, talvez melhor aceit&aacute;-la.</p>
<p>	No segundo ato, Winnie est&aacute; soterrada at&eacute; o pesco&ccedil;o. Agora o rev&oacute;lver &eacute; in&uacute;til e a morte, &uacute;til. Pe&ccedil;a em franc&ecirc;s no territ&oacute;rio brasileiro exige tradu&ccedil;&atilde;o. Eis que esta &eacute; tamb&eacute;m precisa, ainda mais para as girafas ou para as cu&iacute;cas. Ah, o meu pesco&ccedil;o &eacute; de alguns cent&iacute;metros, por isso tinha horas em que ficava apenas lendo as legendas e ouvindo Winnie. N&atilde;o me intimido ao partilhar a voc&ecirc;s que nesses momentos preferia estar lendo a obra impressa, seja na grama, no trem ou minha cama. Lan&ccedil;o dois questionamentos e uma conclus&atilde;o: em que medida as luzes e as cores traduzem o estado interior da personagem? At&eacute; que ponto auxiliam na ambienta&ccedil;&atilde;o das narrativas, dos flashbacks? A est&eacute;tica de Happy Days, ilustre e contempor&acirc;nea, acomete, enrijece o texto dram&aacute;tico.</p>
<p style="text-align: justify;">
	E agora, Willie?</p>
<p style="text-align: justify;">E agora, Willie?</p>
<p style="text-align: justify;">E agora, Willie?</p>
<p>	<strong>Por</strong>: Guilherme Nervo</p>
<img src="http://poashow.com.br/?ak_action=api_record_view&id=6293&type=feed" alt=" Happy Days: dois olhares sobre os dias felizes"  title="Happy Days: dois olhares sobre os dias felizes" />]]></content:encoded>
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		<title>Porto Alegre em Cena &#8211; Luisa se Estrella Contra su Casa</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Sep 2009 15:02:15 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[O diretor Ariel Farace construiu neste espetáculo um impecável retrato da solidão.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><a href="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/luii.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1672" title="luii" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/luii.jpg" alt="luii Porto Alegre em Cena   Luisa se Estrella Contra su Casa" width="370" height="247" /></a></span>Trata-se  de uma das peças que eu mais tive receio de assistir. Talvez por ter  formado pré-concepções ou quem sabe devido ao meu espanhol, que não  existe. O público da última apresentação, no domingo (20/09), era  consideravelmente grande; entretanto, meu receio permanecia. Já no  Museu do Trabalho, me sentei e esperei as luzes, que logo vieram. No  interior da grande casa de papelão (que ia desde Seven Boys à  Rasip)  ouvia-se uma voz feminina estridente. Não somente a casa era de papelão,  mas também a árvore e o restante do cenário. O objetivo era simbolizar  a fragilidade do lar &#8211; e da vida &#8211; de Luisa. Eis que um aspirador de  pó ambulante (dei-me conta disso apenas no fim da peça) cruza o palco  com sua movimentação moderada e calculada arrancando gargalhadas da  platéia, que certamente apreciou a ousadia “nonsense” do personagem  com cabeça de lata, o inocente Odex. Se ainda tinha alguma ponta de  receio, a mesma foi exterminada quando surgiu uma figura histriônica  usando saia comprida, peruca negra e sapatos gigantescos. Luisa: a palhaça  sonhadora, a argentina desvairada que conquistou o público na hora.<span id="more-1671"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><em>“Eu tenho uma cabeça  e a uso bastante”</em></p>
<p style="text-align: justify;">Seu  confidente é Odex, sempre repreendido por comprar revistas de  moto. Provavelmente por Luisa estar traumatizada com o acidente de trânsito  que causa a morte do namorado Pedro. Mas para o contentamento alucinado  de Luisa, Pedro reaparece do além várias vezes, em busca de uma escova  de dente. Como instrumento de evasão, Luisa entrega-se ao cotidiano  rotineiro fazendo empreitadas em refúgios onde o tempo não passa,  não há mudanças de temperatura ou stress: corre ao supermercado (a  casa de papelão possui uma estrutura de rodinhas, que permite moldar  o cenário desejado). Também o rádio aparece como um subterfúgio,  ao passo que a protagonista está sempre censurando a melodia repetitiva  do vizinho violonista, que se constitui como a trilha sonora da peça.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>“Minha casa  é inquieta, não perco a cabeça, mas a casa”</em></p>
<p style="text-align: justify;">Até  mesmo um frango ganha destaque em cena, aparece como o jantar que, surpreendentemente,  está vivo. Já cansada de sua fuga, Luisa começa questionar a si mesma  se não está igualmente morta; mas conclui que está deprimida pela  solidão e a carência. Umas das cenas mais marcantes e de potencial  dramático é a interação de Luisa com seu namorado. Empolgadíssima,  diz que o ama; em contrapartida, Pedro dá um leve sorriso e diz: <em>“-Não  sinto nada”</em>. Luisa chora. Silêncio.</p>
<p style="text-align: justify;">Pedro  e Odex fecham-se dentro da casa, os desvarios de Luisa partiam. Desolada,  caminha rente à platéia. Focada em apenas um holofote de luz, transpira  toda a dor que o corpo e a alma possuem, encontra-se a menos de um metro  do primeiro espectador. O sorriso antes largo é agora moderado. Luisa  levanta os ombros e suspira; as luzes apagam.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por:</strong> Guilherme Nervo</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fotos:</strong> Divulgação</p>
<img src="http://poashow.com.br/?ak_action=api_record_view&id=1671&type=feed" alt=" Porto Alegre em Cena   Luisa se Estrella Contra su Casa"  title="Porto Alegre em Cena   Luisa se Estrella Contra su Casa" />]]></content:encoded>
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		<title>Porto Alegre Em Cena &#8211; Quartett</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Sep 2009 17:50:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>poashow</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O espetáculo francês  “Quartett”, atração que encerrou a 16ª edição do Porto Alegre Em Cena.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/quaar.jpg"><img class="size-full wp-image-1664 alignleft" title="Quartett" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/quaar.jpg" alt="quaar Porto Alegre Em Cena   Quartett" width="240" height="360" /></a>O espetáculo francês  “Quartett”, atração que encerrou a 16ª edição do Porto  Alegre Em Cena, não teve simplesmente quase duas horas de duração,  mas aproximadamente um ano. A montagem teve início na verdade há alguns  meses atrás, quando a peça foi confirmada como sendo uma das atrações  para a programação do festival desse ano. Pelo simples fato de reunir  três reverenciados nomes da arte contemporânea (Heiner Müller, Bob  Wilson e Isabelle Huppert), os ânimos de todos os apreciadores de performances  de vanguarda estavam exaltados para a apresentação.</p>
<p style="text-align: justify;">Quartett trouxe  ao público gaúcho finalmente a oportunidade de assistir a uma obra  assinada por Bob Wilson, diretor que também trabalha como coreógrafo,  iluminador e sonoplasta. Wilson é conhecido por seus trabalhos em colaboração  com Philip Glass em &#8220;Einstein on the Beach&#8221;, assim  como com o poeta Allen Ginsberg e os músicos Tom Waits e David Byrne.  Suas peças são respeitadas nos palcos do mundo inteiro como experiências  inovadoras e de vanguarda. Além disso, o espetáculo trazia a beleza  e talento da atriz francesa Isabelle Huppert, vencedora do prêmio de  melhor atriz nos festivais de cinema de Berlim (2002), Cannes (1978  e 2001) e Veneza (1988 e 1995). Huppert é mais conhecida do público  brasileiro por seus atormentados personagens no cinema, como a protagonista  de “Madame Bovary” (1991) e “A Professora de Piano”  (2001). A montagem de Quarttet  foi feita sob encomenda do Odeon Théâtre de l&#8217;Europe, um dos mais  importantes de Paris, onde fez temporada em 2006 e 2007.</p>
<p style="text-align: justify;">Quartett é uma  adaptação do dramaturgo alemão Heiner Müller ao romance de Choderlos  de Laclos, “As Relações Perigosas”, obra que recebeu cinco  adaptações para o cinema, entre elas a célebre versão de Stephen  Frears, que conduziu as incríveis atuações de Glenn Close e John  Malkovich em “Dangerous Liaisons” (1988). O texto foi encenado  recentemente nos palcos brasileiros por Beth Goulart e Guilherme Leme.<span id="more-1662"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Em Quartett, Heiner  Müller centra foco nos jogos de sedução e poder promovidos pelos  protagonistas, cujo objetivo é provocar a queda e a ruína de inocentes  e virtuosos. A peça apresenta um duelo verbal entre dois cruéis libertinos,  Marquesa de Merteuil (Huppert) e Visconde de Valmont (Ariel Garcia Valdès).  Este embate transcorre através de uma disputa de diálogos ambíguos  mergulhados em um jogo sexual que permeia a hipocrisia da luta de classes  entre a aristocracia e a burguesia durante a Revolução Francesa. Os  dois nobres acreditam que possuem o poder de mudar a vida das pessoas  ao seu redor como se fossem Deuses. A vingança, o prazer e o prestígio  próprio os movem em cena. Os personagens são figuras complementares  e idênticas com seus discursos cínicos e escatológicos. A cena final,  na qual Merteuil está sozinha e abandonada representa a decadência  da aristocracia e do Antigo Regime.</p>
<p style="text-align: justify;">Os personagens de  Quartett desdobram-se em quatro figuras dramáticas, trocando de  identidade e de sexo em um jogo surpreendente comandado de forma genial  por Huppert e Valdès. Os dois intérpretes passam longe de uma representação  realista, sendo absorvidos por um surrealismo que os libera para uma  atuação sem fronteiras criativas. Ao lado desses incríveis performers,  o elenco ainda conta com mais três artistas que causam bastante estranhamento  com suas figuras passageiras e perturbadoras.</p>
<p style="text-align: justify;">A montagem não difere  a interpretação dos atores de outros elementos cênicos, reunindo  todo o material apresentado no palco em um mesmo patamar, característica  semelhante ao das performances artísticas. Gestos, efeitos visuais,  figurinos, luzes, cenografia e sonoridades complementam e desenham as  representações, desenvolvendo um espetáculo que nos remete aos nossos  sonhos mais estranhos e indecifráveis.</p>
<p style="text-align: justify;">As repetições das falas  até a exaustão, os gestos que ganham sons aterrorizantes, as risadas  descompassadas, os personagens que recebem a iluminação de uma determinada  cor, as vozes demonizadas e os movimentos ora animalescos e ora delicados  constroem uma verdadeira obra de arte. De acordo com a percepção do  espectador, a montagem pode até ser assimilada como sendo uma grande  brincadeira envolvendo recursos tecnológicos e a performance humana.  Enfim, obra de arte ou grande brincadeira, Quartett é um produto  degustado pelo público por sua absoluta fruição estética.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/Isabele.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1663" title="Isabele" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/Isabele.jpg" alt="Isabele Porto Alegre Em Cena   Quartett" width="450" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Bob Wilson pinta um quadro  que é construído sob os olhares da platéia através de performances,  efeitos e contra-regragens. As mudanças de cenário, por sinal, são  realizadas como sendo elementos do espetáculo, tornando-se fatores  essenciais para o resultado final. Esse predicado, aliás, é característico  das artes performáticas, cujo objetivo não é a obra finalizada, mas  todo o processo de criação que a envolve. No caso de Quartett,  o trabalho dos contra-regras faz parte da construção criativa da montagem.  Esse atributo, assim como outras qualidades da encenação de Wilson  existe desde a década de 60. Infelizmente alguns autores ainda chamam  essa arte de revolucionária. A revolução talvez esteja presente nos  olhares dos espectadores das casas teatrais. Com certeza, essa estética  ainda é inovadora dentro de um edifício teatral, todavia nas artes  essa chamada revolução se deflagrou há muito tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">O papel de Quartett possivelmente seja de levar essa revolução tardia a um público acostumado  com uma linguagem mais tradicional. Outro grande mérito da obra certamente  é seu forte apelo visual. Uma estética que ganha vida através de  um bailar de cores e sons perturbadores permeados por um texto divertido  e cruel que não se importa tanto com a emoção. Aliás, o objetivo  da obra não é sensibilizar o público, mas presenteá-lo com sua distinta  beleza. No entanto, eu sou um espectador que gosta de se emocionar.</p>
<p style="text-align: justify;">A ausência de atributos  que envolva mais a platéia deixam a obra muito distante do público.  Sinceramente, esse tipo de espetáculo não é dos meus preferidos.  Eu admiro a junção de tantos elementos que desenvolvem um pequeno  caos de forma harmoniosa. Desordem que gera uma estética irreparável.</p>
<p style="text-align: justify;">O poder visual das cores  pode até nos levar para o campo dos sonhos, mas quando acordamos desse  ambiente voltamos à realidade e nos demos conta que a emoção não  existiu de verdade. Fomos enganados por tanta beleza.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por:</strong> Yheuriet Kalil</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fotos:</strong> Divulgação</p>
<img src="http://poashow.com.br/?ak_action=api_record_view&id=1662&type=feed" alt=" Porto Alegre Em Cena   Quartett"  title="Porto Alegre Em Cena   Quartett" />]]></content:encoded>
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		<title>Porto Alegre em Cena &#8211; Antes do Café</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Sep 2009 20:23:48 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Teatro Bruno Kiefer]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma temática densa que, pelo menos em alguns pontos, se assemelha a situações enfrentadas por cada indivíduo, ressaltando que sempre poderíamos ter feito tudo diferente.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/depois2.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1627" title="Antes do Café" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/depois2.jpg" alt="depois2 Porto Alegre em Cena   Antes do Café" width="300" height="450" /></a>No  domingo à noite (20/09) dispensamos as enfadonhas comemorações  farroupilhas para celebrar o teatro, novamente. Para esta última apresentação  da montagem de Antes do Café, de Eugene O’Neil, dirigida por  Celso Frateschi, o público preencheu sinuosamente o saguão de acesso  ao Teatro Bruno Kiefer.</p>
<p style="text-align: justify;">Parada  na fila, a observação do local se tornou inevitável, chamando a atenção  à iluminação direta, além das mesas, cadeiras e molduras dispostas  em cada uma das extremidades daquele saguão. O que a princípio causou  estranhamento parecia se justificar pela presença de duas galerias  de arte no mesmo andar. Talvez fosse uma exposição de arte contemporânea&#8230;  Mas não era.</p>
<p style="text-align: justify;">Próximo  à hora do espetáculo, se misturam ao público algumas figuras  exóticas, sorridentes, misteriosas. Logo percebemos se tratar de atores,  mas a compreensão do que realmente acontecia só fomos ter dentro da  sala. O fato é que a peça começou a se desvelar ainda do lado de  fora, na fila, em contato direto com o público.<span id="more-1625"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Os  dois primeiros atos representados no átrio marcaram o distanciamento  e o conseqüente conflito entre dois modos de vida: o boêmio, poético  e despreocupado e o ressentido, desiludido e apegado à realidade material.  Homem e mulher. Marido e esposa. Entre eles nenhum diálogo, apenas  uma contenda unilateral tão pungente quanto o silêncio.</p>
<p style="text-align: justify;">A  distância entre o casal se reflete em discussões sobre a desocupação  do marido e suas traições. Neste caso, a traição abrange vários  níveis de suas vidas, não se restringindo apenas às relações extraconjugais.  Estas são conseqüência da desilusão, da quebra de promessas, da  convivência que descortina faces, da perda de esperanças, da quebra  de sonhos. Essa sim é a principal traição. E ela ocorre em ambos  os lados, num choque violento entre pontos-de-vista quanto ao modo de  vida, ali exposto na forma do antagonismo entre a labuta mourejada e  a convivência entre copos e poesias.<!--more--></p>
<p style="text-align: justify;">Nesta  comédia dramática com toques de tragédia havia apenas dois personagens  no palco, mas quatro atores em cena. O papel feminino foi representado  por três atrizes que ora prosseguiam ou entrecruzavam as falas, ora  executavam a mesma fala com interpretações distintas. No entanto,  a percepção que o público tinha era de que se tratava de uma única  mulher, ensandecida pela sua relação marital e que, no ápice de sua  fúria, parece se multiplicar por três. Uma situação bem, conhecida  por qualquer casal.</p>
<p style="text-align: justify;">A  figura feminina predomina a maior parte do tempo, reclamando e cobrando  compulsivamente, enquanto o marido permanece calado, visível apenas  através dos comentários jocosos que permeiam o monólogo. Sua presença  só é ressaltada no primeiro e no último ato, quando manifesta seus  pensamentos (e, de certa forma, suas justificativas).</p>
<p style="text-align: justify;">O  papel feminino, marcado pela histeria e pela amargura de uma vida sofrida,  contraposto pelo desapego e pela liberdade masculina, não explicita,  necessariamente, características inerentes a cada gênero. Antes disso,  revelam os conflitos de prioridades diante da conjuntura econômica  da época (década de 20, Estados Unidos, crise econômica) e levam  os expectadores a conhecer os argumentos e aflições dos dois lados,  não caindo em determinismos do tipo “bom” e “mal”. São pessoas  enfraquecidas pela rotina e pela falta de perspectivas que exteriorizam  suas frustrações de modos distintos, cometendo atos puramente humanos  e levando o público a se reconhecer em alguns momentos.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma  temática densa que, pelo menos em alguns pontos, se assemelha a situações  enfrentadas por cada indivíduo, ressaltando que sempre poderíamos  ter feito tudo diferente.</p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><strong>Por: </strong></span>Aline Kassick Cadaviz</p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><strong>Fotos: </strong></span>Angela Alegria POA Em Cena/Divulgação PMPA</p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">
<a href='http://poashow.com.br/2009/09/22/porto-alegre-em-cena-antes-do-cafe/depois1/' title='Antes do Café'><img width="150" height="150" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/depois1-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="depois1 150x150 Porto Alegre em Cena   Antes do Café" title="Antes do Café" /></a>
<a href='http://poashow.com.br/2009/09/22/porto-alegre-em-cena-antes-do-cafe/depois3/' title='Antes do Café'><img width="150" height="150" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/depois3-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="depois3 150x150 Porto Alegre em Cena   Antes do Café" title="Antes do Café" /></a>
<a href='http://poashow.com.br/2009/09/22/porto-alegre-em-cena-antes-do-cafe/depois2/' title='Antes do Café'><img width="150" height="150" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/depois2-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="depois2 150x150 Porto Alegre em Cena   Antes do Café" title="Antes do Café" /></a>
<a href='http://poashow.com.br/2009/09/22/porto-alegre-em-cena-antes-do-cafe/depois/' title='Antes do Café'><img width="150" height="150" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/depois-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="depois 150x150 Porto Alegre em Cena   Antes do Café" title="Antes do Café" /></a>
<br />
</span></p>
<img src="http://poashow.com.br/?ak_action=api_record_view&id=1625&type=feed" alt=" Porto Alegre em Cena   Antes do Café"  title="Porto Alegre em Cena   Antes do Café" />]]></content:encoded>
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		<title>Porto Alegre em Cena &#8211; Cru</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Sep 2009 20:11:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>poashow</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Teatro do SESC]]></category>

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		<description><![CDATA[O que se vê em cena não é um espetáculo antropofágico e sim o recolhimento poético, a análise densa da vida, do desejo e da morte.Sempre há uma fenda... é por ali que a luz passa. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/cru.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1620" title="cru" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/cru.jpg" alt="cru Porto Alegre em Cena   Cru" width="326" height="214" /></a>Na  quinta-feira (17/09), lá por volta das 19h50min, me sentei em  uma das cadeiras do velho Teatro do Sesc. De fundo, uma música sutil.  Pouco antes de apagarem as luzes, notei que a maior parte das cadeiras  laterais estavam desocupadas; o motivo, julgo que se dê pelo pouco  conhecimento do povo porto-alegrense em relação ao trabalho do grupo  caxiense. Grupo este que comemora dez anos de união, a Cia. Teatral  Atores Reunidos conta com a direção geral de Raulino Prezzi, direção  artística de Ana Fuchs e um elenco jovem, formado por nove artistas.</p>
<p style="text-align: justify;">Deixemos  agora as formalidades descansarem enquanto descrevo um pouco da minha  peculiar experiência na noite em questão: a cena de abertura, sem  dúvida a mais linda de todas, é visualmente soberba. Nus, corpos  débeis são banhados por filetes de luz numa dança harmônica e poética.<span id="more-1618"></span> Há bom equilíbrio cênico, honrando o nosso caríssimo “platô”;  não ouso definir a trilha sonora, mas muito me lembrava à música  celta, que já ligo com ópera. Cria-se uma confusão de vozes com a  primeira fala, que inclusive permeará (tal gancho) a trama do espetáculo:  “Ama (pausa) Escreve”. A nudez torna-se explícita quando as luzes  são ligadas, é aí que os personagens correm constrangidos.</p>
<p style="text-align: justify;">O  cenário limpo e minimalista, conta com apenas uma mesa branca. Ao decorrer  da peça, notaremos quão subjetiva e sagaz (também cansativa) é a  lógica escolhida. Os personagens não chegam a formar relações sólidas  e a linearidade (início, meio e fim) é questionável. De um maníaco  com vestes de açougueiro e gancho na mão, vamos para um casal de homens  que discutem a relação na mesa. Interessante que as calças não faziam  parte do figurino. Com adequado nível de jogo, o casal termina a discussão  (que é permeada por longas pausas) encima da mesa, ao passo que conciliam:  tango, sexo e fuga. A mesa é agora porta de transição para o território  da morte, a menina de vestido branco e bebê no colo. É contada uma  história nos extremos do palco, de um lado a narração, do outro a  ação. O personagem que narra a história, ao enfurecer-se, demonstra  o pouco preparo vocal; suas veias saltam e a pele cede ao vermelho.  È possível dizer que a voz, no contexto geral, não consegue atingir  a força do diálogo; resultando em falta de presença no palco e insegurança.  A voz, compreendida como extensão corporal, deve ser uma aliada no  trabalho cênico e não uma inimiga.</p>
<p style="text-align: justify;">Em  fileira, os atores mostram-se suspensos por cordas, como bonecos de  madeira. Que naturalmente ganham vida sendo assim manipulados e logo  mais libertados pela morte. Retirei o fragmento abaixo do programa do  espetáculo.</p>
<p style="text-align: justify;">“O  destino de cada um está suspenso em cordas invisíveis, manipuladas  por um deus, suposto ou real, que se diverte com o espetáculo que ele  mesmo criou. Mas que precisa rir sozinho, pois  é intangível.”</p>
<p style="text-align: justify;">No  velório de Flávia (simbolizada por um dos atores), as garotas debruçam-se  sobre o caixão bradando que a mesma acordasse. Em histeria, abusam  do finado como se fosse um pano velho, “um pedaço de carne carcomida”.  Prostitutas, as mulheres vão revelando suas experiências com Flávia  e seus conceitos sobre desejo e morte; tudo em tom fervoroso. Destaque  para a coreografia cômica.  Flávia acorda e o conflito é resolvido  com uma morte; porém, apesar da busca nervosa por uma atmosfera de  tensão, ela nunca é firmada. As palmas do público antes do término  revelam que o nervosismo do elenco foi refletido em impaciência por  parte da platéia.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma  das últimas imagens, composta por todos os atores em volta da mesa,  trata-se da conhecida Última Ceia &#8211; ou deveria dizer Profana Ceia?  &#8211; que me remeteu à cena final do filme espanhol “Viridiana”. Os  “discípulos” alimentam-se de pão e vinho, mas a fome não é saciada.  E assim damos partida ao banquete carnívoro, também lascivo. Uma nova  coreografia resulta em orgia, intercalada por “fotos”: pausas em  que todos congelavam seus movimentos, ao passo que viravam os rostos  para a platéia em tom de constrangimento e repreensão. Tudo isso num  belo contraponto da luz: enquanto a metade inferior da mesa (e dos atores)  era iluminada por uma luz fluorescente branca, a metade superior contava  com um holofote de luz vermelha alaranjada. Trabalho impecável de Juarez  Barazetti.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>“A  ordem mais latente, a fome mais sublime, a intangibilidade de tudo são  transformadas num balé doce/macabro que escancara a presença da finitude”</em></p>
<p style="text-align: justify;">A  última cena, não fosse a cacofonia moralista das gravações de fundo,  teria maior carga de impacto. Justamente essa tentativa de impacto,  visível tanto na nudez quanto no próprio material de divulgação,  não funciona como deveria. Se para alguns impacta, para outros margeia  a comicidade. Nesse caso, vejo a humildade como uma das possíveis soluções.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por:</strong> Guilherme Nervo</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fotos:</strong> Divulgação</p>
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		<title>Porto Alegre em Cena &#8211; Medida por Medida</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Sep 2009 20:03:22 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[teatro]]></category>
		<category><![CDATA[Teatro Renascença]]></category>

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		<description><![CDATA[Comportamento, sexualidade, erotismo e hipocrisia do poder são linhas condutoras da peça passada em Viena, cuja primeira montagem data de 1604, na Inglaterra.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">N<a href="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/medida_por_medida.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1610" title="medida por medida" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/medida_por_medida.jpg" alt="medida por medida Porto Alegre em Cena   Medida por Medida" width="236" height="177" /></a>a  divulgação do espetáculo, a imagem lendária de Shakespeare deformada,  com uma interessante (ao mesmo tempo arriscada) intervenção: lábios  rubros e carnudos (Rolling Stones) e o olho esquerdo destacado com rímel  (Laranja Mecânica).</p>
<p style="text-align: justify;">Com  direção de Gilberto Gawronski, a peça carioca leva a tradução de  Barbara Heliodora para o texto de William Shakespeare, escrito em 1604:  <em>“Medida Por Medida</em>”. Poder, corrupção e erros de conduta são  os principais temas percorridos.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>“A  tragédia é representada pela certeza da morte e nosso reconhecimento  de culpabilidade. A comédia é associada  à fé, ao perdão e a misericórdia.”<span id="more-1608"></span></em></p>
<p style="text-align: justify;">Na  terça-feira (15/09), ao acomodar-me em um dos assentos do pequeno teatro  Renascença, aguardava ansioso. Eis que o pano cede: roupas exuberantes,  luzes multicoloridas, trilha sonora pop/disco, sexo oral, libertinagem.  De cara a ousadia inovadora e cômica da peça agradou.</p>
<p style="text-align: justify;">O  Duque, governador de Viena, passa o governo para Ângelo quando sai  em viagem. Ângelo decide punir com a morte quem praticar sexo fora  do casamento, e é assim que a primeira vítima é um nobre, Cláudio  cuja noiva (Julieta) está grávida. Quando a irmã de Cláudio, Isabela  (representada por Sérgio Maciel), clama para que a pena seja substituída,  Ângelo promete voltar atrás se a moça perder a virgindade com ele.  Isabela desespera-se, mas o Duque, que voltou à cidade disfarçado,  consegue reverter a situação. O Duque de Viena aparece como nosso  ardiloso protagonista, qual jogará com as personagens e espectadores  aparecendo disfarçado de frade. Inicia a agonia da espera para o dia  em que o duque volte e acabe com a confusão criada, mas ele tarda;  como se quisesse apreciar o desenrolar da trama até o limite.</p>
<p style="text-align: justify;">Não  fossem a formalidade oral (discursos dirigidos ao público), os homens  fazendo papéis de mulheres e o “próprio” Shakespeare (representado  pelo diretor) que às vezes assoma nas cenas; ficaria impossível ligar  a concepção e atmosfera instauradas pela peça para com uma obra literária  do dramaturgo inglês. Não sou moralista e menos ainda conservador,  mas a tentativa de dar um aspecto inovador, ousado e cômico (como citado  acima); resultou em uma estética gay estereotipada que apenas diverte,  nada mais. Não condeno, de forma alguma, a diversão. Há que se afirmar  que ela é fundamental, mas não essencial. Se há algo que desgosto,  é o riso fácil.</p>
<p style="text-align: justify;">A  falta de cenário (apesar de conter vários pilares, três entradas  metálicas, dois panos e dois coringas) parece ser compensada com o  figurino, que é bastante carregado visualmente. È como se houvesse  uma fundição entre cenário e figurino. Creio que, parcialmente, seja  a composição visual um dos pilares do espetáculo: as correntes masoquistas,  a sensualidade das roupas de látex, as intensas luzes coloridas, a  trilha sonora pop (que passa por Madonna, Cyndi Lauper, Queen e até  mesmo Edith Piaf) e etc. Pilar este, que confirma minha convicção  final: teatro divertido (às vezes sagaz), porém essencialmente morto.</p>
<p style="text-align: justify;">Minha  opinião permanece, mas não nego que gostei bastante de um comentário  do RG Vogue, qual retiro um fragmento: (&#8230;) “Cria-se uma fantasia  figurativa e lúdica, desmerecendo a seriedade com que esse tema poderia  ser tratado. Já que o texto permite esse tom de fábula, por que não  uma fábula pop e gay? É pertinente a escolha de Gawronski de, numa  peça que trata de poder e sexo, tão bem alinhavados pelo mestre Shakespeare,  colocar acessórios “leather” e ajudantes de palco que dançam como  “go go boys”.  Confesso que  gosto deste abuso, de tirar os cânones do pedestal e virá-los do avesso,  desde que com algum propósito em vista. Não sou adepto de se chocar  só por chocar, mas quando as coisas tornam-se uma unanimidade, é preciso  coragem para levantar sua voz no meio da multidão e dizer uma não-obviedade.”  (&#8230;)</p>
<p style="text-align: justify;">O  final não poderia ser outro senão um jogo de luzes e confete, dança  e alegria, ao som de “Like A Virgin”. Enfim a árvore natalina é  findada.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por: </strong>Guilherme Nervo</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Foto: </strong>Divulgação</p>
<img src="http://poashow.com.br/?ak_action=api_record_view&id=1608&type=feed" alt=" Porto Alegre em Cena   Medida por Medida"  title="Porto Alegre em Cena   Medida por Medida" />]]></content:encoded>
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		<title>Porto Alegre em Cena &#8211; A Mulher que Escreveu a Bíblia</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Sep 2009 17:32:40 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[O premiado texto de Moacyr Scliar, merecedor do Jabuti, em 1999, foi adaptado para o teatro por Thereza Falcão e ganhou direção de Guilherme Piva.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/2.JPG"><img class="alignleft size-full wp-image-1530" title="A mulher que escreveu a bíblia" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/2.JPG" alt=" Porto Alegre em Cena   A Mulher que Escreveu a Bíblia" width="360" height="270" /></a>Tão feio que chega a ser belo</p>
<p style="text-align: justify;">Dispensando condições meteorológicas, vamos ao que interessa: texto de Moacyr Scliar, direção de Guilherme Piva e interpretação de Inez Viana; o monólogo carioca com dois anos de caminhada revela a feia mais linda que pôs os pés no caríssimo Teatro do Sesc. A enxurrada de homens e mulheres que adentravam o teatro na segunda-feira (14/09), começava a surpreender: não apenas pela quantidade, mas pela aparente descentralização de público que ali havia; avistei um bom número de adolescentes.</p>
<p style="text-align: justify;">“Tem algum Napoleão aqui hoje? Alguma Cleópatra? E Joana d’Arc? Eu gosto de Joana d’Arc. Tem Pelé por acaso?”</p>
<p style="text-align: justify;">O cenário, uma larga pedra. O figurino, uma bonita composição de trapos que variavam do bege ao salmão, feita por Rui Cortez. Sentada na pedra, Inês conta-nos que descobre ter sido uma das 700 esposas do rei Salomão, há três mil anos atrás. Ora, que há de mal nisso? O que há de vir, caro leitor. O detalhe que há de vir: a feiúra.<span id="more-1526"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Inez rodopia pelo palco cantando uma versão engraçadíssima de “Somewhere Over the Rainbow”, assim mergulhando no passado: a partir daí encarna todas as personagens que tiveram alguma ligação com a sua triste, isto é, feia história. Seu pai era o patriarca de uma fazenda, a riqueza resumia-se a algumas cabras e uma pequena propriedade. Ao se dar conta do rosto assombroso que tinha, tentou suicidar-se. Não o fez, pois tinha medo de comprometer a caveira.</p>
<p style="text-align: justify;">“Tornei-me eremita”</p>
<p style="text-align: justify;">Eremita que não tardou a ter um tórrido romance com a larga pedra. Nomeava os orgasmos como verdadeiros terremotos corpóreos. Mas, como qualquer um, apaixonou-se. Não pela pedra, que fique claro. Por um belo pastorzinho! Indignada ficou ao saber que o mesmo há muito namorava sua irmã, a bela. O pai, quando lhe contaram, apedrejou o pastorzinho, que foi embora. Logo mais, chega um escriba na fazenda. Detalhe: um escriba muito feio. Destaque para o ótimo trabalho corporal da atriz, desenvolvido por Isabel Themundo. Empolgadíssima com a idéia “de um novo caralho”, nossa mulher entra na tenda do escriba; que para sua surpresa, queria apenas lhe ensinar a escrever.</p>
<p style="text-align: justify;">A feia letrada rasgava os papéis com a tinta da liberdade. Habilidade essa, que transpirava beleza. “Entrei em estado de permanente e etérea embriaguez”. E eis que chega uma carta anunciando que o fazendeiro devia ceder sua filha mais velha para tornar-se uma das esposas do rei. Pomposa, a feia em ascendência parte. Temerosa, cobre o rosto com espesso véu, que lhe dava um olhar recatado e sedutor. Ao entrar no harém, depara-se com uma infinidade de mulheres a fofocar.</p>
<p style="text-align: justify;">Enlouquece pela imagem máscula e vertiginosa de Salomão, ao passo que após alguns dias ele a chama para a noite de núpcias. O inesperado: Salomão brochou. Sedenta e com a auto-estima arrasada, nossa mulher resolve escrever pedindo ajuda ao pai. “Ou fode, ou morre”. O rei acaba confiscando a carta, que nunca chega ao fazendeiro. Não resiste ao esplendor da carta bem escrita e decide “contratar” sua esposa para escrever a história da humanidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim promovida à esposa intelectual, começa a corrigir imperfeições como a barbárie, segundo ela, de o homem vir primeiro e a mulher “fudendo” com tudo. Também aproveitou para apimentar a relação de Adão e Eva e de jeito nenhum expulsá-los do paraíso, senão encorajá-los. Apesar de Salomão ter apreciado o texto da revolucionária, ela foi submetida à censura dos “sábios” anciãos; que radicalmente modificaram a obra transformando-a numa versão assim nomeada por ela de anti-luxúria.</p>
<p style="text-align: justify;">O desfecho da peça se faz com um belo jogo de luzes e trilha sonora: a chegada da rainha de Sabá &#8211; para a desventura da feia &#8211; uma negra lindíssima; em conjunto da revolta do pastorzinho, que ateia fogo a um dos quartos do rei, assim queimando os pergaminhos escritos pela feia, objetivando a libertação da mesma. Os oitenta minutos de peça (que passam voando) são concluídos com a primeira noite da feia e Salomão.“Todas as posições foram exploradas”. Foi um verdadeiro banquete de amor. De manhã, no dia posterior, chega a hora da partida. Destaque para a belíssima luz (que aos poucos vai morrendo) de Maneco Quinderé.</p>
<p style="text-align: justify;">Inez parte da terra árida com uma certeza: sua beleza.</p>
<p><strong>Por:</strong> Guilherme Nervo</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fotos: </strong>Guilherme Nervo</p>

<a href='http://poashow.com.br/2009/09/19/porto-alegre-em-cena-a-mulher-que-escreveu-a-biblia/mulher/' title='A mulher que escreveu a bíblia'><img width="150" height="150" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/mulher-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="mulher 150x150 Porto Alegre em Cena   A Mulher que Escreveu a Bíblia" title="A mulher que escreveu a bíblia" /></a>
<a href='http://poashow.com.br/2009/09/19/porto-alegre-em-cena-a-mulher-que-escreveu-a-biblia/2-3/' title='A mulher que escreveu a bíblia'><img width="150" height="112" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/2.JPG" class="attachment-thumbnail" alt=" Porto Alegre em Cena   A Mulher que Escreveu a Bíblia" title="A mulher que escreveu a bíblia" /></a>

<img src="http://poashow.com.br/?ak_action=api_record_view&id=1526&type=feed" alt=" Porto Alegre em Cena   A Mulher que Escreveu a Bíblia"  title="Porto Alegre em Cena   A Mulher que Escreveu a Bíblia" />]]></content:encoded>
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		<title>Porto Alegre em Cena &#8211; The Voca People</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Sep 2009 17:13:36 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Com um jogo que em muito lembra a técnica clownesca, eles desenvolvem situações de interação direta com os espectadores de forma leve e divertida.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/voca_divulgacao1.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1522" title="The Voca People" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/voca_divulgacao1.jpg" alt="voca divulgacao1 Porto Alegre em Cena   The Voca People" width="360" height="240" /></a><em>Vozes Amigas</em></p>
<p style="text-align: justify;">Sinceramente eu nunca tinha ouvido falar no “The Voca People”, grupo israelense que estourou recentemente no mundo todo a partir de vídeos divulgados em sites como o You Tube. Admito que fiquei tentado em ir atrás de alguns desses vídeos na internet, mas me segurei. Queria ser um espectador totalmente cru. Queria ser surpreendido&#8230; e fui.</p>
<p style="text-align: justify;">No palco, oito artistas que se auto-intitulam alienígenas amigos vindos do Planeta Voca, um mundo onde a comunicação se dá apenas por expressões vocais. Antes do início do espetáculo, uma locução comunica que todos os sons que serão ouvidos durante a apresentação serão emitidos através da boca dos extraterrestres.<span id="more-1521"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Alienígenas Talentosos</em></p>
<p style="text-align: justify;">O grupo entra no palco com um caminhar desengonçado e um visual interessante. À primeira vista, lembram espermatozóides engravatados. Os alienígenas se mostram perdidos e estranham o local. Quando a luz geral do teatro é acessa, eles se assustam ao enxergar toda platéia (um Salão de Atos lotado, abarrotado). Aos poucos, eles vão se acostumando com todos aqueles humanos de olhares curiosos. São necessários somente esses primeiros minutos de contato com o público para os artistas em cena cativarem toda platéia. Com um jogo que em muito lembra a técnica clownesca, eles desenvolvem situações de interação direta com os espectadores de forma leve e divertida.</p>
<p style="text-align: justify;">Cada contato dos extraterrestres com alguém do público faz com que eles absorvam o histórico ou o estilo musical daquela pessoa. A partir dessa relação, eles demonstram a sua grande habilidade: a de imitar sons. Dessa forma, sem instrumento algum ou qualquer outro recurso, desenvolvemmedleys impressionantes. O primeiro é uma verdadeira cronologia da história da música, indo de “Aleluia” até “Who Let the Dogs Out ”. Na seqüência, eles cantam um mix de várias trilhas famosas do cinema, passando por grandes canções românticas, entre outras. As músicas permeiam as situações que se desenvolvem com a interação da platéia.</p>
<p style="text-align: justify;">Pelo fato de eles serem alienígenas, tudo é estranho para eles, tudo é um mundo novo, como o aplauso, por exemplo. O grupo se constrange e não sabe como deve reagir, assim como eles parecem desconhecer certos sentimentos que vão sendo conduzidos pelas canções como o amor e a morte.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Música é vida</em></p>
<p style="text-align: justify;">O fio condutor do enredo é o objetivo de conseguir produzir energia para a nave espacial do grupo. Após ter caído na Terra, o transporte alienígena não funciona. Através dos sons que eles próprios emitem, descobrem que a música é capaz de produzir energia para a nave e até de salvar vidas. Em dado momento do espetáculo, um dos aliens de Voca passa mal e parece morrer. Entretanto, a música cantada pelos amigos faz com que o extraterrestre ressuscite.</p>
<p style="text-align: justify;">Através de impressionantes partituras vocais, beat-box humanos e um belo jogo de luzes e cores, o “The Voca People” concede uma lição para todas as pessoas: a importância da música como fonte de energia para a vida. O grupo chega a instigar a platéia a imitar alguns sons emitidos por eles. Com uma apresentação divertida e ingênua, eles não comovem simplesmente através de suas qualidades vocais, mas fazem com que todos reflitam sobre importância de cantar.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao final, mesmo obtendo energia suficiente para a nave funcionar e assim poder voltar ao seu planeta, o grupo acaba não decolando para “casa”. Um final sutil que demonstra que os extraterrestres de Voca têm ainda muito o quê ensinar para os humanos da Terra.</p>
<p><strong>Por:</strong> Yheuriet Kalil</p>
<p><strong>Foto: </strong>Divulgação<a href="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/voca_divulgacao1.jpg">
<a href='http://poashow.com.br/2009/09/19/porto-alegre-em-cena-the-voca-people/voca2/' title='The Voca People'><img width="150" height="150" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/voca2-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="voca2 150x150 Porto Alegre em Cena   The Voca People" title="The Voca People" /></a>
<a href='http://poashow.com.br/2009/09/19/porto-alegre-em-cena-the-voca-people/voca1/' title='The Voca People'><img width="150" height="150" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/voca1-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="voca1 150x150 Porto Alegre em Cena   The Voca People" title="The Voca People" /></a>
<a href='http://poashow.com.br/2009/09/19/porto-alegre-em-cena-the-voca-people/voca_divulgacao1/' title='The Voca People'><img width="150" height="150" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/voca_divulgacao1-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="voca divulgacao1 150x150 Porto Alegre em Cena   The Voca People" title="The Voca People" /></a>
</p>
<p></a></p>
<img src="http://poashow.com.br/?ak_action=api_record_view&id=1521&type=feed" alt=" Porto Alegre em Cena   The Voca People"  title="Porto Alegre em Cena   The Voca People" />]]></content:encoded>
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		<title>O espetáculo “Qualquer coisa de intermédio” de Adriana Calcanhotto</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Sep 2009 23:28:12 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Porto Alegre em Cena]]></category>
		<category><![CDATA[Theatro São Pedro]]></category>

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		<description><![CDATA[Os presentes puderam sentir um pouco da atmosfera e riqueza que possui a música portuguesa, na voz de uma grande cantora brasileira.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="margin: 1ex;">
<div>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/ac1.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1512" title="Adriana Calcanhoto" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/ac1.jpg" alt="ac1 O espetáculo “Qualquer coisa de intermédio” de Adriana Calcanhotto" width="315" height="210" /></a>Terça-feira foi  mais uma noite especial neste 16° Porto Alegre Em Cena em virtude  da apresentação de um projeto interessantíssimo, até o momento  apresentado uma única vez, há mais de dois anos: o espetáculo  “Qualquer coisa de intermédio” da cantora e compositora <strong>Adriana  Calcanhotto</strong>. Nele a temática portuguesa daria a tônica do show, seja  ela em forma de poesia ou canção. Originalmente foi baseada em textos  do poeta português Mario de Sá Carneiro, mas que, para este festival,  ganhou uma nova roupagem, ficando mais abrangente no  seu sentido lírico e musical.</p>
<p style="text-align: justify;">Tivemos no início da apresentação a leitura de um poema da época  dos trovadores portugueses, mas em forma cantada e num estilo meio canto  coral, que acabou por dar uma noção errada do que seria a apresentação.  Confesso ter achado que seria algo extremamente cansativo, visto que  aquele primeiro número teve quase dez minutos. Porém, mesmo continuando  por terras portuguesas, a apresentação entrou na temática dos textos  de Mário de Sá, que possuem uma aura muito pesada, sendo diretamente  este aspecto refletido nas canções que deram corpo aos poemas, destacando-se  a belíssima Quando eu morrer.<span id="more-1511"></span></p>
<p style="text-align: justify;">O público aplaudia todas as canções e reagia de forma contida, como  quem já tivesse presenciado alguma apresentação da cantora e esperasse  por uma de suas canções famosas, mas nesse momento não fazia a mínima  ideia do que estava por vir, e de fato não poderia imaginar. Mesmo  tendo sido divulgado que a cantora portuguesa Mísia iria fazer uma  participação no show de Adriana, os presentes em grande parte, e aí  eu me incluo nessa parcela, não faziam a mínima noção do poderio  que tinha aquela voz. Ao som de O corvo,  Mísia sobe ao palco do Theatro São Pedro e faz todos ficarem boquiabertos  com sua exuberante voz. Essa música que originalmente é um fado se  transformou, para essa apresentação, em um samba, e o resultado parece  ter agradado a portuguesa, que ainda permaneceu no palco para cantar  mais uma do seu repertório, Paixões diagonais  e O outro, música de Adriana que contém no seu verso o título  que dá nome ao espetáculo, e que foi sua primeira aproximação com  a obra do poeta Mário de Sá Carneiro, há mais de dez anos.</p>
<p style="text-align: justify;">O palco então  foi deixado pelos músicos para que Mísia executasse à capela  a triste Lágrima, composição famosa  da portuguesa Amália  Rodrigues, levando os presentes a aplaudirem de maneira fortíssima  o talento dessa cantora, até agora, pouco conhecida no Brasil. Por  enquanto.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando Adriana  Calcanhotto volta ao palco com os músicos, o clima do show começa  a mudar gradativamente. Atravessando o Atlântico e vindo parar em terras  brasileiras, tivemos uma música nova, mas que até agora só foi apresentada  ao vivo na sua última turnê, Poética do heremita  contou ainda com Adriana se arriscando em um cello, e o clássico  Os argonautas, de Caetano Veloso, Que no verso “&#8230; navegar é  preciso, viver não é preciso&#8230;” fez a transição para a temática  “brazuca” da apresentação. Logo após tivemos Tanto mar,  de Chico Buarque e o samba arrasta multidão Imperador do samba,  imortalizado na voz de Carmem Miranda.</p>
<p style="text-align: justify;">Era chegado o  fim do show, mas ainda havia tempo para um bis, na verdade três. Começando  pela única música que, diferente de todas as outras, não tinha nada  a ver com a proposta do show, Três,  do último álbum da cantora, seguida de O corvo, novamente com  participação de Mísia, que desta vez até arriscou uns passinhos  de samba junto com Adriana. E quando todos já aplaudiam de pé achando  que o espetáculo findara, foram surpreendidos por mais uma canção,  muito misteriosa, pelo menos pra mim, pois fui à procura de descobrir  que música era aquela e não teve jeito, não achei nada. Seria uma  composição nova?</p>
<p style="text-align: justify;">Ah, e por falar  em novidades: Adriana adiantou, em primeira mão, que tinha terminado  a gravação de um segundo disco Partimpim dois dias antes desse espetáculo.  Ela comentou que sua assessora de imprensa não gostaria nada daquele  comentário, mas não teve jeito.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao final  da apresentação todos pareciam ter saído de alma lavada daquela singular  apresentação da cantora, mas é ela mesma quem melhor define esta  noite: “Estamos  muito felizes de ter recebido este convite do Em Cena para apresentar  este espetáculo, pois passamos um bom tempo idealizando-o para apresentarmos  uma única noite e depois tudo se acabar.” E nós, gaúchos, tivemos a oportunidade de presenciar um show belíssimo, que mesmo não contando  com nenhum hit da cantora, soou em vários momentos bem mais espontâneo  e envolvente que suas apresentaçõs habituais e ainda por cima conseguiu  fazer com que os presentes  pudessem sentir um pouco da atmosfera e riqueza que possui a música  portuguesa, na voz de uma grande cantora brasileira.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por:</strong> Ângelo Borba</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fotos: </strong>Luciano Lanes/PMPA</p>

<a href='http://poashow.com.br/2009/09/18/o-espetaculo-%e2%80%9cqualquer-coisa-de-intermedio%e2%80%9d-de-adriana-calcanhotto/ac5/' title='Adriana Calcanhoto'><img width="150" height="150" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/ac5-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="ac5 150x150 O espetáculo “Qualquer coisa de intermédio” de Adriana Calcanhotto" title="Adriana Calcanhoto" /></a>
<a href='http://poashow.com.br/2009/09/18/o-espetaculo-%e2%80%9cqualquer-coisa-de-intermedio%e2%80%9d-de-adriana-calcanhotto/ac4/' title='Adriana Calcanhoto'><img width="150" height="150" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/ac4-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="ac4 150x150 O espetáculo “Qualquer coisa de intermédio” de Adriana Calcanhotto" title="Adriana Calcanhoto" /></a>
<a href='http://poashow.com.br/2009/09/18/o-espetaculo-%e2%80%9cqualquer-coisa-de-intermedio%e2%80%9d-de-adriana-calcanhotto/ac3/' title='Adriana Calcanhoto'><img width="150" height="150" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/ac3-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="ac3 150x150 O espetáculo “Qualquer coisa de intermédio” de Adriana Calcanhotto" title="Adriana Calcanhoto" /></a>
<a href='http://poashow.com.br/2009/09/18/o-espetaculo-%e2%80%9cqualquer-coisa-de-intermedio%e2%80%9d-de-adriana-calcanhotto/ac2/' title='Adriana Calcanhoto'><img width="150" height="150" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/ac2-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="ac2 150x150 O espetáculo “Qualquer coisa de intermédio” de Adriana Calcanhotto" title="Adriana Calcanhoto" /></a>
<a href='http://poashow.com.br/2009/09/18/o-espetaculo-%e2%80%9cqualquer-coisa-de-intermedio%e2%80%9d-de-adriana-calcanhotto/ac1/' title='Adriana Calcanhoto'><img width="150" height="150" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/ac1-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="ac1 150x150 O espetáculo “Qualquer coisa de intermédio” de Adriana Calcanhotto" title="Adriana Calcanhoto" /></a>

<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></div>
</div>
<img src="http://poashow.com.br/?ak_action=api_record_view&id=1511&type=feed" alt=" O espetáculo “Qualquer coisa de intermédio” de Adriana Calcanhotto"  title="O espetáculo “Qualquer coisa de intermédio” de Adriana Calcanhotto" />]]></content:encoded>
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		<title>Porto Alegre em Cena &#8211; Poa – Montevideo, sin fronteiras</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Sep 2009 16:46:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>poashow</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A celebração de brasileiros e uruguaios em palco gaúcho
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span><a href="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/quatro-juntos.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1483" title="quatro-juntos" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/quatro-juntos.jpg" alt="quatro juntos Porto Alegre em Cena   Poa – Montevideo, sin fronteiras" width="360" height="240" /></a></span>Uma das  atrações musicais mais aguardadas do Porto Alegre em cena era o espetáculo <strong> “Poa – Montevideo, sin fronteiras”,</strong> pois reuniria quatro grandes  talentos musicais dos dois países, e que carregam consigo similaridades  musicais e culturais interessantes, fazendo com que fosse este um projeto  digno de se levar fé.  Os quatro acima citados eram os brasileiros  Vitor Ramil e Marcelo Delacroix, e os uruguaios Daniel Drexler e Ana  Prada.</p>
<p style="text-align: justify;">A temática  do show não poderia ser outra, se não as obras mais marcantes dos  quatro compositores, dando ênfase às composições em que mais se  notavam os traços em comum e as suas singularidades.</p>
<p style="text-align: justify;">O teatro  do Bou<span></span>rbon Country não estava totalmente lotado, mas tinha um ótimo  público para domingo às 21:00. Com um atraso de 20 minutos, dá-se  início à celebração entre Porto Alegre e Montevidéu.</p>
<p style="text-align: justify;">O show começa  bem animado, com uma composição de Jorge Drexler, como o próprio  sobrenome sugere, irmão de Daniel. A música é Frontera,  com os quatro cantando junto e se mostrando muito animados com a reunião.  Seguem com Ramilonga, de Vitor Ramil, que foi, como a primeira,  acompanhada de todos os cantores. Acho que este tema era o primeiro  que vinha a cabeça dos presentes quando tentavam imaginar qual seria  o repertório da noite, pois a tradução que esta composição faz  de Porto Alegre é única. Muitas músicas já falaram da cidade, normalmente  descrevendo-a de maneira mais alegre, mas nenhuma conseguiu descrever  o lado melancólico dessa cidade como Ramilonga.<span id="more-1469"></span></p>
<p style="text-align: justify;">A partir da terceira música do set, começaram as alternâncias  em cima do palco, onde os músicos foram se revezando em duetos ou em  trios, de acordo com o que cada música pedia. Alguns destaques foram  a parceria entre Ana Prada e Marcelo Delacroix em uma faixa da compositora  chamada Soy pecadora, que ficou muito bonita, e nem as excessivas  microfonias tiraram o brilho desta canção.  A parceria entre  Vitor e Ana também rendeu outro momento belíssimo, os dois cantaram  uma música que originalmente foi gravada por Kátia B, mas que com  um sotaque uruguaio ganhou um novo sabor, um tempero diferente. A música  em questão é Que horas não são,  do disco Satolep sambatown.</p>
<p style="text-align: justify;">O palco  era composto ainda por instrumentistas de alto nível, uruguaios e brasileiros,  que conseguiram dar novos ares e imprimir um clima muito bacana a todas  as canções executadas. Destacando-se a velha e sempre presente  Estrela Estrela, que todo mundo já ouviu dezenas de vezes, mas  em quase todas somente com a voz e o violão do Vitor.</p>
<p style="text-align: justify;">O final  da apresentação foi muito animado, fazendo todos os presentes, que  até então estavam meio tímidos demais, levantarem da cadeira e se  embalarem ao som do melhor estilo uruguaio.  Mas dentro do quesito  dança, quem mais se sobressaiu foi Vitor Ramil, sendo este um momento  marcante e muito esclarecedor: descobrimos o motivo de Vitor sempre  tocar sentado.</p>
<p style="text-align: justify;">Muitos dos  que foram assistir essa apresentação tinham na cabeça que seria uma  chance única de ver estes quatro talentos reunidos, e provavelmente  estavam certos, portanto, quem não foi, perdeu, e dificilmente vai  ter outra chance de vê-los juntos novamente. Mas as coisa não são  tão ruins assim. Essa apresentação foi, em certo sentido, um símbolo  da aproximação tardia entre os dois países e, logo logo, veremos  Daniel e Ana, transitando com mais frequência por estas bandas.</p>
<p style="text-align: justify;">Em suma,  uma bela noite, com belas canções e a certeza de que temos muito mais  em comum com nossos vizinhos do que normalmente percebemos.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Por: </strong>Ângelo Borba</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fotos: </strong><span>Cristine Rochol/PMPA</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span>
<a href='http://poashow.com.br/2009/09/15/porto-alegre-em-cena-poa-%e2%80%93-montevideo-sin-fronteiras/vitor/' title='vitor'><img width="150" height="150" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/vitor-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="vitor 150x150 Porto Alegre em Cena   Poa – Montevideo, sin fronteiras" title="vitor" /></a>
<a href='http://poashow.com.br/2009/09/15/porto-alegre-em-cena-poa-%e2%80%93-montevideo-sin-fronteiras/quatro-juntos/' title='quatro-juntos'><img width="150" height="150" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/quatro-juntos-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="quatro juntos 150x150 Porto Alegre em Cena   Poa – Montevideo, sin fronteiras" title="quatro-juntos" /></a>
<a href='http://poashow.com.br/2009/09/15/porto-alegre-em-cena-poa-%e2%80%93-montevideo-sin-fronteiras/marcelo/' title='marcelo'><img width="150" height="150" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/marcelo-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="marcelo 150x150 Porto Alegre em Cena   Poa – Montevideo, sin fronteiras" title="marcelo" /></a>
<a href='http://poashow.com.br/2009/09/15/porto-alegre-em-cena-poa-%e2%80%93-montevideo-sin-fronteiras/daniel/' title='Daniel'><img width="150" height="150" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/Daniel-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Daniel 150x150 Porto Alegre em Cena   Poa – Montevideo, sin fronteiras" title="Daniel" /></a>
<a href='http://poashow.com.br/2009/09/15/porto-alegre-em-cena-poa-%e2%80%93-montevideo-sin-fronteiras/ana/' title='Ana'><img width="150" height="150" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/Ana-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Ana 150x150 Porto Alegre em Cena   Poa – Montevideo, sin fronteiras" title="Ana" /></a>
<br />
</span></p>
<img src="http://poashow.com.br/?ak_action=api_record_view&id=1469&type=feed" alt=" Porto Alegre em Cena   Poa – Montevideo, sin fronteiras"  title="Porto Alegre em Cena   Poa – Montevideo, sin fronteiras" />]]></content:encoded>
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		<title>Porto Alegre em Cena &#8211; Le Grand Inquisiteur</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Sep 2009 16:25:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>poashow</dc:creator>
				<category><![CDATA[POA em Cena]]></category>
		<category><![CDATA[Reviews]]></category>
		<category><![CDATA[Porto Alegre em Cena]]></category>
		<category><![CDATA[Theatro São Pedro]]></category>

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		<description><![CDATA[Os irmãos Karamazov, romance essencial na literatura ocidental escrito pelo russo Féodor Dostoievski ganha um destaque bastante especial nesta 16ª edição do festival.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/le_grand_inquisiteur.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1466" title="Le Grand Inquisiteur" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/le_grand_inquisiteur.jpg" alt="le grand inquisiteur Porto Alegre em Cena   Le Grand Inquisiteur" width="224" height="329" /></a>Os  dias chuvosos marcaram essa primeira semana do Porto Alegre Em Cena.  Mais uma vez, apesar das intempéries, o Theatro São Pedro estava lotado.  Mais uma vez, Patrice Chéreau. Mais uma vez? Não. Todas às vezes  são únicas, extraordinárias (mesmo que no sentido denotativo). E  nesta temporada tivemos Patrice Chéreau em dose dupla: dirigindo o  espetáculo La Douleur, apresentado semana passada neste mesmo  teatro, e dirigindo e atuando em <em>Le Grand Inquisiteur</em>, peça  extraída da obra “<em>Os irmãos Karamazov</em>”, de Dostoievski.</p>
<p style="text-align: justify;">A  história pode não ser novidade para alguns, tanto aqueles que leram  a obra como quem assistiu à montagem na edição anterior do Em  Cena. O fato é que, como muitos daquela imensa platéia, não  tive a oportunidade de assisti-la ano passado, já que seus ingressos  se esgotaram nos primeiros minutos de venda. Assim, mesmo que esse texto  pareça piada repetida, permitam-me expressar minhas humildes impressões  de um espetáculo tão aguardado.</p>
<p style="text-align: justify;">Cenário  simplista parece ser característico das montagens dirigidas por Chéreau.  Assim como em La Douleur, no palco estão apenas uma ampla mesa  e cadeiras, o resto fica por conta dos atores. Patrice entra sem cena  sem figurino ou qualquer adorno em especial, apenas com o roteiro do  espetáculo nas mãos, rasurado com diversos apontamentos. Sim, ele  lê as falas. Não o tempo todo, mas com certa freqüência. Alguns  comentários que escutei na saída do teatro falavam em despreparo (?!).  Ora, convenhamos, despreparo não parece ser o melhor argumento para  explicar a presença do roteiro em cena. Lembremos que a peça é uma  leitura, o que justifica o texto em mãos. O que se deveria avaliar  é a carga dramática que o ator/diretor emprega na leitura, e não  se ele decorou todas as palavrinhas. <span id="more-1465"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Leituras  sobre a leitura à parte, vamos à peça: o texto começa falando sobre  maldade e sofrimento. Crianças barbaramente maltratadas, despedaçadas  por cães, cavalos açoitados incessantemente. O sofrimento é inerente  à vida, mas quando atinge inocentes, é incompreensível.</p>
<p style="text-align: justify;">Partindo  dessa ideia, desenrola-se a Lenda do Grande Inquisidor. Na Sevilha do  século XVI, centenas de hereges queimavam em fogueiras pelas praças  da cidade, vítimas da Inquisição. Eis que, por entre sofrimentos  solitários e a vida que prossegue normalmente, surge a figura de Cristo,  logo reconhecida entre os populares. A multidão que se forma para vê-lo  de perto e presenciar seus milagres chama a atenção do inquisidor  local, um cardeal nonagenário que imediatamente ordena a prisão de  Cristo.</p>
<p style="text-align: justify;">No  cárcere, o inquisidor logo profere: Jesus será executado na manhã  seguinte. Diante do silêncio angustiante do prisioneiro, seu juiz faz  revelações que, mesmo os mais rasos entendedores, sentir-se-iam atingidos  em algumas de suas mais concretas convicções.</p>
<p style="text-align: justify;">A  figura do cardeal, enquanto representante da Igreja, expõe princípios  da moral cristã de maneira clara e direta, evidenciando sua função  controladora e ordenadora. Didaticamente, o texto explica como dogmas  religiosos são forjados com o intuito de manter seus cordeiros obedientes  e juntos ao rebanho.</p>
<p style="text-align: justify;">Sendo  o ser humano rebelde por natureza, seria necessário cercear sua liberdade,  sendo esta perigosa para a manutenção da ordem. Daí é  feita a distinção entre o pão terreno (fé, mistério, obediência,  servilismo, medo) e o pão celeste (liberdade, livre-arbítrio, amor).  E deste pão terreno se alimentavam os homens na Espanha inquisitorial.</p>
<p style="text-align: justify;">Diante  da fragilidade e insignificância humana, o governo deveria ser exercido  pelos fortes, por aqueles que se diferenciam da regra, àqueles que  abandonaram Cristo para servir a ele (diabo). Seu governo se fundamentava  em explorar as fraquezas mais manifestas dos homens: sua necessidade  de crer veementemente em algo que explique, mesmo que metafisicamente,  aquilo que ignora; sua ânsia de encontrar algo em que todos acreditam,  de se sentir pertencente; sua acomodação; seu receio em tomar em suas  mãos o destino de sua vida; seu medo de sofrer.</p>
<p style="text-align: justify;">A  resposta da Igreja a todas essas inquietações se resume ao milagre,  ao mistério e ao domínio. Assim, guiando suas vidas e tomando decisões  em nome de deus e dos homens, esta instituição garantiria a felicidade  da humanidade. Uma felicidade cega, submissa como uma criança, livre  das angústias mais prementes, perfeita.</p>
<p style="text-align: justify;">Através  da Lenda do Grande Inquisidor, Dostoievski explora a temática existencialista,  criticando enfaticamente não apenas as religiões, mas a própria religiosidade,  responsável por aprisionar a alma criativa e crítica dos indivíduos.  Preceitos religiosos e morais são postos em xeque numa situação inusitada:  durante o interrogatório do réu, quem confessa é o juiz. E suas confissões  são nítidas, sem meias palavras, como um desabafo orgulhoso e triunfante.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar  de escrito há 130 anos, o texto impressiona por sua contemporaneidade,  visto que nem toda racionalidade e conhecimento frearam o poder devastador  do fanatismo religioso (dos homens-bomba à proibição do uso da camisinha)  e a descrença na autonomia humana. Talvez parte do público tenha saído  do teatro apenas satisfeito por ter assistido a uma peça internacional,  criticando o “despreparo” de Chéreau, sem ser atingido por sua  mensagem. Acontece. Mas entre o pão terrestre e o pão celeste, fico  com o segundo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por:</strong> Aline Kassick Cadaviz</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Foto:</strong> Divulgação</p>
<img src="http://poashow.com.br/?ak_action=api_record_view&id=1465&type=feed" alt=" Porto Alegre em Cena   Le Grand Inquisiteur"  title="Porto Alegre em Cena   Le Grand Inquisiteur" />]]></content:encoded>
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		<title>Porto Alegre em Cena &#8211; Simplemente el fin del mundo</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Sep 2009 03:25:46 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Porto Alegre em Cena]]></category>

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		<description><![CDATA[Depois de muitos anos de ausência, Luis está de volta para anunciar à família sua morte próxima, acertar contas e retomar assuntos pendentes antes de desaparecer.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/el_fin_del_mundo.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1457" title="Simplemente el fin del mundo" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/el_fin_del_mundo.jpg" alt="el fin del mundo Porto Alegre em Cena   Simplemente el fin del mundo" width="333" height="224" /></a>Mais uma noite de chuva no Porto Alegre Em Cena. Chego ao teatro em cima da hora. Na fila, a produtora do espaço fala que algumas cadeiras se encontram no palco e pede para nos sentarmos ali. A maioria do público ignora a mensagem e se acomoda na platéia. Eu e outras seis pessoas sentamos nos assentos que se encontram no palco. Nesse local, quatro atores também estão sentados em cadeiras. Entretanto, elas possuem o encosto mais alto e um pequeno travesseiro para acomodar a cabeça. Em cima das cadeiras, lâmpadas em que o ator pode acender e apagar a luz através de uma corda. Isto é, os atores encontram-se “deitados” em suas camas, cada um em seu quarto. Eu sento ao lado do ator que representa Antonio. Estou ao lado de sua cama e me torno testemunha das frustrações daquele grupo de pessoas. Certamente esse é o ponto mais interessante do espetáculo: a ótica de assistir aos embates familiares do ponto de vista de um vizinho, de uma testemunha que está ao lado do ator. Imagino que quem estivesse sentado na platéia iria perder esse grande artifício do espetáculo.<span id="more-1456"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Baseado na obra de Jean-Luc Lagarce, “Simplemente el fin del mundo” tem a direção de Manuel Enrique Orjuela Cores, que conduz o espetáculo sem demasiadas concessões ao público. O que se vê é um drama familiar naturalista. Com movimentos cotidianos e sem partituras, a obra tem um texto forte de falas rápidas e contundentes. Entretanto, a contundência se perde em vários momentos devido ao gestual em demasia por parte do elenco. Gestos, algumas movimentações e elementos do cenário sublinham a dramaturgia. Como a pequena cadeira preta na qual o protagonista Luis dá seus monólogos. Ela é pequena para evidenciar a sensação do personagem ao se expor naquele assento menor que as outras cadeiras. Ao longo do espetáculo, o protagonista vai tirando peças de seu figurino até se desnudar por completo. Através desse artifício, o diretor exagera tentando fragilizar uma figura que já demonstra fragilidade, já que Luis volta para o seio familiar por ter contraído uma grave doença. Dessa forma, a nudez sublinha uma fraqueza já demonstrada.</p>
<p style="text-align: justify;">Um ponto interessante do espetáculo são as três dezenas de lâmpadas que decoram e iluminam o palco, no caso, a casa onde mora essa família. No entanto, elas poderiam ter sido mais utilizadas. Em síntese, a obra possui atuações sinceras e diálogos fortes, apresentando o estranhamento que pode existir entre parentes tão próximos. Um tema batido, mas com um texto que não consegue se tornar clichê. A dramaturgia frenética e compulsiva torna o espetáculo contundente. Todavia, é uma pena que o diretor não tenha encenado um espetáculo mais claro e objetivo.</p>
<p><strong>Texto:</strong> Yheuriet Kalil</p>
<p><strong>Foto: </strong>Divulgação</p>
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