Entrevista: Crucified Barbara

abril 12, 2014
Categoria Entrevistas

mia g Entrevista: Crucified Barbara

Na semana passada tivemos a oportunidade de entrevistar o Crucified Barbara, banda sueca que se apresenta pela segunda vez em Porto Alegre no próximo dia 17 de abril, no Teatro CIEE. Confira as respostas da vocalista e guitarrista Mia Coldheart aos leitores do Poa Show:

Poa Show – Em 2012 vocês estiveram em Porto Alegre e fizeram um show bastante comentado, pouco depois do lançamento de "The Midnight Chase". Como vocês percebem a importância daquela primeira turnê no Brasil e o que é diferente agora?

Mia Coldheart – Nossa primeira turnê brasileira foi incrível! Nós ouvimos falar muito a respeito através de outras bandas suecas quando estas voltavam pra casa. Sempre falavam que era incrível, que o apoio do público era enorme e nós só podíamos sonhar em receber o mesmo. Então o sonho se realizou! Nós tivemos ótimos shows, chegando ao ponto de em um deles eu não conseguir ouvir minha voz porque a platéia cantava nossas músicas tão auto que se sobrepunha. Lembro que tínhamos uma boa base de fãs desde o lançamento de nosso primeiro álbum em 2005, então foi muito legal, finalmente, vir para o Brasil e tocar. Acredito que temos alguns dos fãs mais dedicados no Brasil. Dessa vez estamos ainda mais animadas porque essa vai ser alguns dos nossos primeiros shows esse ano, depois de um longo período no estúdio, então é demais sair pra tocar e, ao mesmo tempo, visitar o lindo país de vocês. 
 

Poa Show – The Midnight Chase foi produzido por Chips Kiesby. Como foi trabalhar com ele e qual a importância dele no som deste álbum?

Mia Coldheart - Escolhemos trabalhar com Chips Kiesbye por muitas razões. A principal delas foi que ele é um grande produtor de Rock and Roll e trabalha com o som de verdade, com o sentimento de verdade, com instrumentos de verdade, sem muita coisa digital. Nossa música tem muita influência de Metal, mas nós não queremos um som de metal moderno e sim o nosso álbum soando próximo do nosso som ao vivo: sujo, vivo e honesto, sem samples ou triggers… e Chips é realmente o cara certo para o trabalho de trazer à tona o melhor do Crucified Barbara. Outra razão é que ele é uma excelente pessoa para se trabalhar. Um cara profissional e que trabalha duro e que não força suas idéias sobre a banda. Nós temos uma ótima cooperação. E ele é realmente uma pessoa boa e gentil, não demonstra stress, ele realmente tira o melhor de nós. E não esqueçamos nosso grande engenheiro de audio Kenryk Lipp, que é a mente mestra por trás do som da gravação e da mixagem. Nós realmente achamos nosso time dos sonhos. Chips e Henryk também estão gravando nosso novo álbum, que será lançado em outono de 2014 (N. do E.: primavera brasileira), e estamos convencidas que será nosso melhor álbum até agora, então esperamos que vocês gostem também. 
 

Poa Show – The Midnight Chase nos deu o excelente vídeo de "Rock Me Like the Devil". Como se deu o desenvolvimento do conceito e da produção do video?

Mia Coldheart - Fizemos muitos vídeos ao longo dos anos, mas acredito que este é, de longe, o melhor. Foi produzido pela grande produtora de vídeos 11frames e nós gravamos em um celeiro no interior de Gotenburgo. Foi uma experiência muito boa não apenas por conta da produção profissional, mas também porque estávamos na zona rural, então pude sair e dar oi para os cavalos nos intervalos. Queríamos um vídeo que fosse visualmente muito bom e que transmitisse, ao mesmo tempo, o calor da letra e também a força e a energia que temos ao vivo, então acho que todos nós fizemos um ótimo trabalho. Definitivamente, faremos outras produções com a 11frames. 
 

Poa Show – A banda é conhecida por ser uma banda muito forte no palco. Como você percebe essa relação entre o Crucified Barbara do palco e do estúdio?

Mia Coldheart - Nós sempre trabalhamos duro, não importa o que façamos. Nós damos 100% e não vemos diferença entre a banda no palco e no estúdio. São apenas dois estados de espírito diferentes. Durante todos estes anos estivemos juntas e desenvolvemos nossa maneira de trabalhad e tocar juntas e, ainda, durante longos periodos viver juntas. Para este álbum nós dedicamos basicamente cada dia da semana por seis meses numa sala de ensaio, escrevendo e arranjando músicas, nós quatro. Isso exige muito. Você tem que sacrificar uma vida "normal", família, amigos, dinheiro, tudo para seguir o sonho de fazer algo juntas e algo em que todas nós acreditamos. As vezes é dificil estar ao mesmo tempo em turnê e no estúdio, mas essa é a vida que escolhemos e que amamos – e que não podemos viver sem! Acho que isso faz o nosso próximo álbum tão raro hoje em dia. Acho que é difícil, hoje em dia, encontrar bandas que trabalham de maneira tão próxima e tão dedicada por um tempo tão longo e quando ouço nosso próximo álbum eu sinto que isso realmente tem dado o resultado que esperávamos. Fizemos nosso melhor álbum entre todos. A performance no palco é apenas o passo seguinte à produção do álbum, e o passo que estamos sempre desejando e que nos mantêm indo pro estúdio. Os shows são a recompensa após o trabalho duro, que dá vida a nossas músicas, ali, ao vivo com o público. 

Poa Show - Proporcionalmente, não há muitas mulheres tocando música pesada. Por outro lado, boas bandas formadas por mulheres tem surgido. Como você observa esse fenômeno?

Mia Coldheart - Quando comecei a tocar, lá por 1993, não havia muitas garotas da minha idade tocando, mas hoje em dia tem muitas garotas e mulheres escolhendo tocar instrumentos e formar bandas, o que é ótimo. Eu quero que todo mundo que quer começar a tocar um instrumento e formar uma banda esteja apto a isso, seja garoto ou garota. Não há diferença. Eu tenho tocado com ambos, homens e mulheres, durante toda minha carreira e não há diferença entre os gêneros. É tudo sobre personalidades. Fiquei positivamente surpresa com a procentagem de mulheres no público, me fez sentir quase como se cada garota que nos ouvia fosse uma musicista de certa maneira ou ao menos quisesse começar a tocar. Pelo que vi da última vez, o Brasil está bem adiantado quanto a isso, mais do que qualquer país que eu tenha visitado, incluindo a Suécia. Talvez eu esteja errada, mas tenho uma intuição quanto a isso,  que vocês não dão muita importância para isso. Espero estar certa. A paixão pela música não diferencia se é homem ou mulher, é apenas a paixão pela música. Ou… vejo outra grande diferença: muitos homens dizem que começaram a tocar para ganhar mulheres, enquanto mulheres dizem que começaram a tocar porque elas amam um instrumento ou querem estar em uma banda. Eu prefiro a segunda razão! (risos) 

Poa Show – Você ouve com frequencia alguma banda brasileira? O que você conhece da nossa cena?

Mia Coldheart - Temos tocado com algumas grandes bandas e sei que vocês tem uma cena excelente. Não sou boa com nomes, mas tocaremos nessa tour com Kiara Rocks e Hibria, que são grandes bandas. Na última turnê recebi um CD da Vocifera, Death/Thrash Metal, eles são foda! Seria legal dividir o palco com eles, um dia. Um dia quero ter uma banda de Death Metal! (risos) Fizemos também grandes shows com o Sepultura, foi uma honra e eles são ótimas pessoas também.  


Poa Show – Como é a relação da banda com a internet para promoção e como ferramenta para levar o som do Crucified Barbara a outros países?

Mia Coldheart - É realmente muito útil e uma ótima forma de nos conectarmos com nossos fãs e de espalhar nossa música. O lado ruim é que a internet tornou muito fácil fazer downloads de graça, enquanto ainda gastamos com as gravações e lançando os álbuns. Então isso deixa um buraco enorme que acaba tendo que ser preenchido com boas idéias de como manter o navio flutuando. As vezes passo mais tempo nas redes sociais do que tocando guitarra, então sumo por uns dias. Mas, de forma geral, acredito que a internet é ótima para manter contato com fãs de todo o mundo e é incrível ver como eles mantêm contato tão bem através da internet. É demais!


Poa Show – A Suécia tem uma cena muito forte, especialmente em matéria de Rock. Quem faz sucesso hoje e que bandas você recomenda?

Mia Coldheart - É difícil, para mim, responder essa pergunta porque eu não tenho uma boa visão da cena hoje. Muitas das bandas que surgem e se tornam grandes na Suécia não são do meu gosto, são muito comerciais e modernas. Mas algumas bandas que merecem uma olhada são Browsing Collection, Dead Lord, Black Trip, Beast, Junkstars, Besserbitch, Frantic Amber e Supercharger (estes, da Dinamarca, nossos vizinhos). 

Poa Show – Deixe uma mensagem para os fãs gaúchos:

Mia Coldheart - Obrigado por terem sido tão incríveis da última vez, espero vê-los no show e obrigado por apoio! Vocês tem uma incrivelmente bela cidade, que eu espero que nós consigamos ver muito mais dela! Melhor comida vegetariana, e as pessoas tão agradáveis ??em todos os lugares, vocês arrebentam! Vamos dar tudo para vocês no palco! Cheers!!!

Guns n’ Roses: Inconstante e intenso.

abril 6, 2014
Categoria Destaques

GnR 1 8p Guns n’ Roses: Inconstante e intenso.

   Noite de quinta-feira em Porto Alegre e a cidade se prepara para receber aquele que é, sem duvida alguma, o maior show internacional de 2014: Guns n’ Roses, um dos maiores nomes da história do Rock, retorna à capital gaúcha depois de quatro anos. Em 2010, a banda se apresentou no mesmo local, porém no estacionamento, localizado na parte externa dos pavilhões. Porém, desta vez, o público que se interessou pela nova oportunidade de ver Axl Rose e sua banda foi bem mais modesto: apenas 12 mil pessoas. A abertura ficou por conta da Gunport, ótima banda porto-alegrense que já havia dado as caras na abertura do show de Ozzy Osbourne, em 2011. Com um show baseado em composições próprias, todas em inglês, a banda agradou o público, que respeitosamente dispensou a atenção que a banda merece. Fortemente aplaudidos, mostraram-se prontos para desafios ainda maiores, pois não se intimidaram e deram seu recado. Não fosse a certeza de que haveria atraso da atração principal, poder-se-ia fazer a observação de que o show fora um pouco longo, mas, dentro daquele contexto, a escolha de um repertório de cerca de 40 minutos foi adequada. Para o encerramento, uma interessante versão para “From Out of Nowhere”, do Faith No More. Já eram 21h10 quando a Gunport deixou o palco para, só então, o público começar a clamar pelo Guns. 
    Apesar do atraso histórico de quatro horas em 2010, o Guns n’ Roses, famoso por não ser muito pontual na hora de subir ao palco, vem modificando este hábito. Em Belo Horizonte e Curitiba não houve atrasos e em Florianópolis, na noite anterior, foram apenas 60 minutos. Em Porto Alegre, o relógio marcava 22h18 quando as luzes se apagaram para a introdução instrumental. De trás da bateria surge o icônico guitarrista D.J. Ashba, para a execução do poderoso riff de “Chinese Democracy”. O êxtase do público, instantâneo, foi multiplicado com a entrada de Axl no palco. Os pavilhões da FIERGS explodiram em gritos e aplausos para a figura mais aguardada da noite. Na sequência, o primeiro hit: as primeiras notas do riff de introdução de “Welcome to the Jungle” arrancou uma reação ainda mais estrondosa do público gaúcho. A partir dali, a banda empilhou hits, entregando ao público o que ele mais esperava: as canções que fizeram do Guns n´ Roses uma das maiores bandas não apenas de sua época, mas da história da música moderna. 
    Se em 2010 Axl Rose, que já vinha de um histórico recente de performances no mínimo questionáveis, acabou por surpreender positivamente o público porto-alegrense, desta vez o que se pode ouvir não foi tão agradável: extremamente inconstante, Axl seguiu a linha de alguns de seus contemporâneos (como Chris Cornell e Sebastian Bach, para citar alguns exemplos) e alternou momentos de puro brilhantismo com outros inevitavelmente constrangedores: Os gritos que são parte da identidade da banda vieram com tudo em “Live and Let Die” e “Estranged”, além da já citada “Welcome to the Jungle”, ao mesmo tempo em que Axl não teve voz mesmo para os trechos menos desafiadores de “Mr. Brownstone” e “You Could be Mine”. A montanha russa vocal ficou evidente, mas o público não pareceu se importar: a grandiosidade das canções e a emoção com a presença de Axl ali, tão perto, foi mais forte que qualquer deficiência técnica. 
    A personalidade difícil de Axl também deu as caras: em “Better”, Axl simplesmente aborta a execução: “Stop, stop, stop!”, esbravejou o vocalista, nada satisfeito: “Tudo o que eu ouço no meu ear* é ‘ooooohhhhh’. Eu gostaria de ouvir a música. Vamos tentar de novo e você faz melhor, ok?”, reclamou, dirigindo-se ao responsável pelos retornos. Voltando-se ao público, ele se desculpa (“Desculpem por isso, ok?”) e retoma a canção do início. Um momento que seria estranho caso estivéssemos falando de outro vocalista.
    A apresentação, a exemplo do que vem acontecendo em todos os shows da turnê sul-americana, foi permeada por trechos instrumentais (sejam eles solos ou jams) e covers. Entre eles, é importante destacar as versões instrumentais para “Baby I’m Gonna Leave You”, do Led Zeppelin e “Tema da Vitória”, aquele mesmo, das vitórias brasileiras na Fórmula 1, executado com maestria por Bumblefoot, além de “Nice Boys”, do Rose Tattoo e “Holydays in the Sun”, do Sex Pistols, esta cantada pelo baixista Tommy Stinson. Se considerarmos a introdução instrumental e as emblemáticas “Knockin’ on the Heaven’s Door” e “Live and Let Die” (covers, sim, porém daqueles que um artista se apropria em definitivo) foram nada menos que oito intermissões instrumentais e seis covers, o que caracteriza um pouco de exagero, algo desnecessário para uma banda do porte do Guns n’ Roses.
    Mesmo sendo ignorados pelos fãs mais radicais, não tem jeito: os momentos de maior reação por parte do público foram os grandes hits radiofônicos: não é preciso ter a imaginação muito fértil para desenhar mentalmente o que foi a reação às primeiras notas de “Sweet Child O’mine” ou ao assovio que introduz “Patience”. Por fim, para encerrar o show de quase três horas, a banda optou pelo gol certo: “Paradise City” lavou a alma de mais de 12 mil pessoas na já madrugada de sexta-feira.  
    Cheio de altos e baixos, não apenas no que se refere a seu vocalista (a banda por vezes se desencontrou e os solos outrora executados por Slash deixaram um pouco a desejar, apesar do alto nível de seus guitarristas) o show do Guns n’ Roses é, hoje, muito mais uma celebração ao que o Guns foi do que um show de uma banda presente e atuante. No entanto, essa espécie de “tributo a si mesmo” ainda empolga, emociona e leva milhares de fãs ao redor do mundo a terem noites inesquecíveis. Não importa se Axl ainda apresenta no palco um duelo entre o talento e os efeitos do tempo e dos excessos, e nem tampouco o fato de, ao longo do show, ambos vencerem várias vezes. Afinal, quando se tem o nome gravado entre os maiores da história do Rock, não há falha que possa apagar. 

Noite Senhor F: Zudizilla, Erick Endres e Os The Darma Lóvers

março 31, 2014
Categoria Reviews


    Noite de domingo e o Opinião recebe a primeira Noite Senhor F de 2014. O projeto, que inicia seu quarto ano em Porto Alegre, reuniu no último domingo, dia 23 de maio, três artistas de estilos bastante distintos: o rapper Zudizilla, a revelação do rock porto-alegrense Erick Endres e os veteranos do Os The Darma Lóvers. Apesar da ausência de público, a qualidade marcou presença. 
    Pouco depois das 21h20 o rapper pelotense Zudizilla fez uma apresentação bastante singular: acompanhado de DJ Micha e Pok Sombra, foram poucas canções de seu trabalho solo. Não demorou para que o palco fosse tomado pelos companheiros de estrada do Organização Celestial (O.C.L.A.). Tamanha foi a interação, não era mais possível discernir se tratava-se de um show do rapper ou do grupo. No entanto, ficou claro o entrosamento entre as duas propostas e, ao final, o que se pode apreciar foi um excelente início dos trabalhos.
    Dono de um estrondoso hype na cidade, o guitarrista Erick Endres (filho de Fredi e sobrinho de Nando, da Comunidade Nin-Jitsu), era a grande expectativa da noite. Tendo gravado um álbum em casa aos 16 anos de idade e recebendo elogiosas resenhas na imprensa especializada, era nítida a expectativa pelo show de Erick. Sempre que alguém desponta como uma promessa acaba gerando a dúvida: este trabalho se sustentará no palco?
    Pois bem. A dúvida foi dilacerada logo na primeira canção do set, “The Stork”. Acompanhado do pai, Fredi, no baixo e Pedro Petracco na bateria, o power trio mostrou que Erick é, além de ótimo guitarrista, um compositor talentoso e dono de uma personalidade vocal interessante. Erick não é mais uma promessa, é um artista completo. Se não deixar que o hype lhe suba à cabeça, tem tudo para se tornar uma referência não apenas no estado, mas no Brasil. Com um repertório de cerca de 30 minutos, deixou a sensação de show curto, mas excelente. 
    Pouco depois das 23h subiu ao palco a atração de fundo, Os The Darma Lóvers. Com mais de 15 anos de carreira, o grupo capitaneado por Nenung e Irinia fez um show impecável, porém para poucos privilegiados. Eram menos de 40 os espectadores que acompanharam a banda. A banda, no entanto, não se intimidou e foi brilhante no palco. Entre os destaques, a belíssima “Toda Verdade” e “Senhor da Dança”, que fechou com chave de ouro a apresentação. 
    Mais uma vez, a Noite Senhor F cumpriu com louvor sua função de apresentar ao público porto-alegrense o que há de bom sendo feito na música local. Igualmente, de forma esperançosa, seguimos aguardando o dia em que o público descobrirá esse oásis. 

 

Avenged Sevenfold: uma ótima performance que não pôde ser ouvida.

março 30, 2014
Categoria Destaques

a7x 1 7 Avenged Sevenfold: uma ótima performance que não pôde ser ouvida.

    Sábado à noite em Porto Alegre e o Pepsi On Stage recebe um dois maiores nomes do Metal nos últimos anos: Avenged Sevenfold, banda que divide opiniões, se apresentou pela segunda vez em Porto Alegre em um show competente, porém destruído por aspectos meramente técnicos. 
    O início dos trabalhos foi pontual: às 22h M. Shadows (vocais) e seus comparsas Synyster Gates (guitarra), Zacky Vengeance (guitarra), Johnny Christ (baixo) e Arin Ilejay (bateria) dão início ao reencontro com os fãs gaúchos: Shepherd of Fire, faixa que abre o mais recente álbum da banda, “Hail to the King”, de 2013, é a escolhida para levantar o público e fazer o chão tremer. Literalmente. A empolgação do público e o barulho estrondoso foram suficientes para encobrir boa parte do som.
    E, então, começaram os problemas. 
    De forma paradoxal, tínhamos no palco uma banda em excelente forma, entregando-se de forma intensa e competente à missão de levar o público ao delírio. E, logo a frente, um som que não podemos definir, de forma elogiosa, como péssimo. A sobreposição de graves era intensa e incômoda. O bumbo e o baixo, extremamente altos, se sobrepunham às guitarras, o que não é nada recomendável para um show do Avenged Sevenfold, que tem em Gates e Vengeance boa parte de sua identidade musical. 
    Porém, mesmo assim, a de estar ali, frente a frente com o quinteto americano foi mais forte para o público predominantemente adolescente. Tanto as canções novas, como Hail to the King e quanto os clássicos “Beast and the Harlot” e “Afterlife” foram extremamente bem recebidos. Em “Nightmare”, não houve como não se arrepiar com a casa lotada assumindo os vocais em “your fuckin’ nightmare”. 
    Para o bis, a banda retorna ovacionada, com Shadows erguendo a bandeira brasileira. Todo o barulho dos fãs foi ainda potencializado pela escolha interessante de “Unholy Confessions” e “A Little Piece of Heaven”, que compuseram um excelente dobradinha para encerrar a curta apresentação de menos de 90 minutos. A exemplo do que aconteceu em 2011, um show curto, competente, que agradou aos fãs apesar da qualidade do som (ou falta dela). O último show da banda em território nacional parece ter sido, pelo no que se refere a sinergia entre público e artista, algo para ficar na memória. 
    Alguns dias antes houve bastante polêmica em torno da passagem da banda pelo Brasil, devido a um texto publicado em um grande portal que alegava que a banda se mostrara, em São Paulo, pronta para substituir o Iron Maiden. Apesar de controversa, a sentença não é descabida, por conta da paixão dos fãs do Avenged, que lembra, em muito, a os fãs da banda inglesa. A verdade é que, queira ou não, A banda de M. Shadows e Synyster Gates vem escrevendo seu nome entre os grandes do Metal deste século. Seja por méritos próprios ou por falta de concorrência, o que fica é a certeza de que a turnê do álbum Hail to the King apresenta um espetáculo que satisfaz plenamente os fãs da banda. 
    Desde que não seja destruído pela sonorização.

 

Anneke Van Giersbergen e Daniel Cavanagh de volta a Porto Alegre

março 30, 2014
Categoria Novidades

Anneke g Anneke Van Giersbergen e Daniel Cavanagh de volta a Porto Alegre

No próximo dia 10 de maio Anneke Van Giersbergen e Daniel Cavanagh, conhecidos por seus trabalhos junto ao The Gathering e Anathema, se apresentam em Porto Alegre. O show acontece no Teatro CIEE, às 21h. 

Abaixo, informações completas:

Local
Teatro CIEE (Rua Dom Pedro II, 861)

Quando
10 de maio, sábado, às 21h

Cronograma
19h – abertura da casa
21h – Anneke Van Giersbergen & Daniel Cavanagh

Ingressos
Primeiro lote –  R$ 70,00 (plateia alta) / R$ 90,00 (plateia baixa)
Segundo Lote – R$ 80,00 (plateia alta) / R$ 100,00 (plateia baixa)

Pontos de venda
Online
www.ticketbrasil.com.br (em até 12x no cartão)

Lojas
Short Fuse Total (sem taxa de conveniência) – Shopping Total – 2º andar, fone: (51) 30187-552.
Heráclito Tattoo (com taxa de conveniência) – Rua Alberto Torres, 224. Fone: (51) 3224-4205.

Informações
Abstratti Produtora
(51) 3026-3602
abstratti@abstratti.com.br
www.abstratti.com.br
www.facebook.com/abstratti
www.youtube.com/abstratti
www.twitter.com/abstratti

Realização:
Overload / Abstratti

Próxima página »