Rita Lee traz a Porto Alegre sua nova turnê, “Etc…”.

junho 12, 2010
Categoria Reviews

ritalee 41 of 149 Rita Lee traz a Porto Alegre sua nova turnê, “Etc...”.

 
 

 

Sexta-feira, noite de estréia. Rita Lee, a titia do Rock Nacional, traz a Porto Alegre sua nova turnê, “Etc…”. Acompanhada de uma excelente banda da qual fazem parte seu marido Roberto de Carvalho e seu filho Beto Lee (responsáveis pelas guitarras), a cantora apresentou seu novo show de forma bastante despojada e irreverente.
 
“Agora só falta você” é a escolhida para a abertura dos trabalhos. Sob poucos aplausos, as cortinas se abrem revelando um belíssimo palco. A estrutura, digna de grandes turnês da Poladian (Produtora com mais de 50 anos de atividade, uma das maiores do Brasil), conta com detalhes luminosos por todo o palco, além de um enorme telão de LED ao fundo. A luz, igualmente espetacular, também chama a atenção. Já o som, sem novidades: excelente, como é padrão no Teatro do Bourbon Country.
 
Conhecida por sua irreverência e eloqüência no palco, Rita Lee se dirige ao público pela primeira vez agindo exatamente como outra cantora: Mallu Magalhães. “Oi… meu nome é Rita… tenho 62 anos… que mais? (risos) deixa eu ver… e vou torcer pra Argentina” Levou o público as gargalhadas, mas também ganhou vaias. “Desculpem gaúchos, queridos da minha vida, meus amorecos e tudo mais… o Dunga é um Armadinejad.” (aplausos) “Tem uma de… sei lá… uma coisa do futebol guerra, de ditador, que incomoda, é revoltado, arrogante, vingativo… e o Maradona vai sair pelado.” (mais risos) “Então em homenagem aos namorados eu não vou falar em futebol. Comecei a assistir hoje fiquei enlouquecida com aquelas cornetinhas… da próxima vez vou baixar o volume que aí também não escuto o Galvão Bueno” (aplausos estrondosos). Rita ganhou ainda aqui um presente de uma fã: velas perfumadas que gentilmente agradeceu.
 
Sem um álbum novo para divulgar, Rita aposta em grandes sucessos no repertório. Os hits “Pagu” e “Bwana” arrancaram reações contidas. Já “Atlântida” e “Insônia” não agradaram tanto.
 
Rita Lee então deixa o palco e retorna com uma peruca crespa, simulando uma cabeleira “Galcostiana”. A versão de “Baby”, dos Mutantes, fez com que muitos cantassem com Rita. Com um arranjo criativo, a banda fez de “Baby” um dos momentos mais emocionantes da apresentação.
 
Aos 62 anos, Rita Lee se dá o luxo de fazer o que tem vontade, mesmo que não faça muito sentido. A versão de “Bad” de Michael Jackson, contou com um sósia idêntico àquele último Michael Jackson do qual temos lembranças. Encerrou sua performance rasgando a camisa e levando alguns fãs mais exaltados ao delírio.
 
Passado este inusitado cover, o repertório empilhou sucessos: “Ôrra Meu”, “Doce Vampiro”, “Ovelha Negra”, “Banho de Espuma” e “Lança Perfume”, apesar de não arrancarem reações fervorosas, agradaram em cheio. Destaque para “Ovelha Negra”, que exibiu no telão fotos de Rita nas mais diversas idades. As imagens mais aplaudidas foram as da época em que fez parte dos Mutantes. Ainda em “Ovelha Negra” Rita Lee dá um discurso emocionado, dizendo que teve uma infância bacana, adolescência difícil e que hoje não tem motivos pra reclamar. “Nem se o Brasil perder a copa eu vou reclamar! Eu tenho uma coisa que é a melhor de todas. Tenho um namorado lindo, gostoso, que cozinha… eu faço faxina… tenho três filhos lindos… uns amores… Beto ainda teve uma filha, minha primeira neta… Como é que eu vou reclamar? Não dá. Acho que eu até beijaria a boca do Dunga! Eu digo que vou torcer pra Argentina mas chega na hora eu sei que não vou conseguir. O pior ainda está por vir: as eleições. Oh céus, eles não sabem o que fazem. Quero mais é que eles se fodam!”. Frase mais aplaudida da noite.
 
Para o bis Rita retorna e pergunta “E agora, gente?” Alguns gritaram “Erva Venenosa”, outros “Mania de Você” mas “Flagra”, um dos maiores sucessos de Rita, foi a escolhida. Em seguida uma surpreendente versão de “It’s Only Rock and Roll”, dos Rolling Stones, com Roberto de Carvalho nos vocais. “Erva Venenosa” fechou a apresentação com pouco menos de uma hora e meia de duração.
 
Apesar do público bastante apático, Rita Lee conduziu bem seu novo show. Nada de novo. Do alto de seus mais de 40 anos de carreira isso, bem como algumas outras coisas, parecem nem ter importância.
 

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine

 

Pitty em apresentação visceral no Opinião

junho 5, 2010
Categoria Reviews

pitty20 Pitty em apresentação visceral no Opinião

 

Noite fria de quinta-feira e quem esquentou o Bar Opinião mais uma vez foi Pitty, banda baiana que leva o nome de sua vocalista e que desde seu álbum de estréia, “Admirável Chip Novo”, de 2004, escreveu seu nome entre os maiores do Rock nacional. Lançando o álbum “Chiaroscuro”, a banda fez uma apresentação visceral com duas horas, mesclando hits e faixas de seu último trabalho. Um público totalmente heterogêneo e de todas as faixas etárias lotou as dependências da casa.
 
Pouco antes das 23h30 a banda sobe ao palco com “8 ou 80”, faixa que abre o disco “Chiaroscuro”. Na seqüência, o primeiro hit, “Memórias”, que fez com que o público cantasse de forma realmente ensurdecedora e outras duas do novo trabalho: “Medo” e “Fracasso”. Apesar da disparidade nas reações diante das músicas dos dois primeiros álbuns e as do atual, pode-se perceber que muitos já conheciam as letras de “Chiaroscuro”. Também chamou a atenção, do começo ao fim da apresentação, a qualidade do som. Impecável.
 
Explosiva foi a reação para “Admirável Chip Novo”. Pitty cantou, mas não precisaria. O som da galera, por hora, se sobrepunha ao som da cantora. Devoção de fãs que realmente admiram o trabalho da banda.
 
Martin, o guitarrista, fazia aniversário naquela noite. Foi muito aplaudido, teve seu nome gritado diversas vezes. Ganhou balões, parabéns e até uma versão de “Happy Birthday”, da própria Pitty, mas maior presente foi reservado a nós. A verdadeira aula de guitarra que Martin proporcionou, foi algo digno dos melhores elogios. Mesclando técnica e feeling, o bom gosto de Martin portando sua SG foi destaque.
 
Um repertório bem pensado misturou sucessos (“Semana Que Vem”, “Máscara”, “Anacrônico”, “Pulsos”…) e novidades (“Água Contida”, “Medo”, “Desconstruindo Amélia”, “Trapézio”…) de forma bastante inteligente. Não houve o cansaço diante das novas composições, o que de fato facilita a assimilação para aquela fatia de público que conhece apenas os grandes sucessos.
Outros dois momentos singulares foram “Na Sua Estante”, que emocionou, chegando a levar algumas pessoas às lágrimas, e a inédita “Sob o Sol”, que será lançada como lado B do compacto de “Fracasso”.
 
Bastante animada, Pitty é pura energia no palco: canta, grita, vai ao chão e interage muito com seu público, mostrando que sabe como conduzir uma apresentação.
 
A banda encerra de forma magnífica, com a canção mais esperada da noite pela maioria dos que compareceram ao Bar Opinião: o mega hit radiofônico “Me Adora”. Disparadamente a canção mais cantada da noite (superando até mesmo “Admirável Chip Novo”) , “Me Adora” contou inclusive com uma parada estratégica, onde apenas o público cantou o refrão. Foi um encerramento brilhante para uma apresentação de altíssimo nível.
 
Para o bis, a banda optou pelo hardcore cascudo “Seu Mestre Mandou”, com parte do público já tendo deixado a casa.
 
A ausência de um de seus grandes sucessos, “Teto de Vidro”, já era esperada por quem acompanha os shows da banda (não constou no set das duas últimas apresentações em Porto Alegre). No entanto, o que surpreendeu foi a exclusão de “Equalize”. As canções de “Admirável Chip Novo” ainda são destaque, inegavelmente. Mas a base de admiradores é responsável pela inclusão da banda naquela pequena lista de artistas com fãs realmente fiéis. Com duas horas de apresentação, ninguém se importou em não ouvir “Teto de Vidro” e “Equalize”. A qualidade do que se viu justifica totalmente o nome Pitty entre os melhores do Rock Nacional.
 
Pitty arrebentou no Bar Opinião.
 

Por: Marcel Bittencourt

Fotos: Fabiana Menine