Bebeto Alves no lançamento da caixa 3D
Incluso no seleto grupo dos músicos que ainda conseguem ser referência de qualidade no cenário musical gaúcho, Bebeto Alves lançou uma caixa com 3 CDs (veja matéria com entrevista aqui no site) nas noites quinta, sexta-feira e sábado no Teatro do SESC. Nós estivemos lá para conferir como foi a receptividade do público a esse novo trabalho de Bebeto.
A apresentação ocorrida no sábado foi, naturalmente, a que teve o público mais quantitativo, mas não o suficiente para lotar a casa. Aliás, as apresentações poderiam ter sido divididas apenas entre sexta-feira e sábado para que não ficasse tão fragmentado. Uma questão de detalhe, mas que teria jogado a favor de Bebeto. Mesmo assim, o público que compareceu estava ansioso para ver o que esse grande compositor tinha reservado para as noites de estréia.
Acompanhado dos sempre parceiros Blackbagual`s (Marcelo Corseti, Luke Faro e Rodrigo Rheinheimer), o Músico deu início a apresentação com “AEIOU”, seguida de “Noticia urgente”, “Naval”, “Festa dos Caranguejos” e a milonga sui gêneris “Tum tum Tum”, exatamente igual à ordem que compõe o CD ao vivo presente na caixa. A qualidade do som estava ótima, todos os instrumentos bem nítidos e a iluminação era um show à parte, eficiente do início ao fim.
O setlist nesta primeira parte do show era totalmente baseado no disco ao vivo, aproveitando a ótima banda que o acompanha e que esteve presente na gravação. O show contou com um momento muito bacana em que foram apresentadas as suas músicas inéditas. Repetindo o formato do disco, Bebeto se pôs ao violão e, acompanhado de Luke Faro e Rodrigo Rheinheimer nas percussões, executou os temas acústicos de “O maravilhoso mundo perdido”, começando pelo ritmo árabe de “Carretera” e seguindo pela maravilhosa “Ruas”, onde o artista constrói uma poesia interessantíssima, beirando ao surreal, sobre a vida que ora paira nas ruas, e ora possuem as ruas. Destaque também para o swing de o “Mar de Gente”, e a singeleza impressionante de “Te cuida”.
Terminado o trecho acústico, volta a banda para concluírem a apresentação com alguns dos clássicos da carreira de Bebeto. Estavam lá os temas que foram consagrados nos anos 80 como “Pegadas” e “Depois da chuva”, pra começar com as mais famosas. Ainda tivemos “Flash” e o encerramento com a belíssima “De Um Bando”.
Foi uma apresentação irretocável tecnicamente e que conseguiu abranger praticamente toda a sua carreira. Bebeto conseguiu mostrar que ainda tem muita lenha pra queimar, e um grande repertório a sua disposição, construído de décadas, para continuar dialogando com um público atualmente tão carente de artistas de espírito jovem e tão questionadores como ele.
Bebeto Alves

Local: Teatro do SESC centro (av Alberto Bins, 665)
Hora de Início: 20:00
Datas: 25/26/27 de novembro
Porto Alegre em Cena – Cru
setembro 22, 2009
Categoria POA em Cena, Reviews
Na quinta-feira (17/09), lá por volta das 19h50min, me sentei em uma das cadeiras do velho Teatro do Sesc. De fundo, uma música sutil. Pouco antes de apagarem as luzes, notei que a maior parte das cadeiras laterais estavam desocupadas; o motivo, julgo que se dê pelo pouco conhecimento do povo porto-alegrense em relação ao trabalho do grupo caxiense. Grupo este que comemora dez anos de união, a Cia. Teatral Atores Reunidos conta com a direção geral de Raulino Prezzi, direção artística de Ana Fuchs e um elenco jovem, formado por nove artistas.
Deixemos agora as formalidades descansarem enquanto descrevo um pouco da minha peculiar experiência na noite em questão: a cena de abertura, sem dúvida a mais linda de todas, é visualmente soberba. Nus, corpos débeis são banhados por filetes de luz numa dança harmônica e poética. Leia mais
Porto Alegre em Cena – Neva
setembro 13, 2009
Categoria POA em Cena, Reviews
No pequeno Teatro do Sesc, repleto naquela última apresentação da peça Neva (12/09), presenciamos o desenrolar de uma polêmica. O público que saía da sala se dividia entre elogios e críticas ferozes. Não percebemos críticas com relação à técnica, à direção ou à atuação dos três atores, mas sim à mensagem transmitida pelo texto. De fato, um tema muito inquietante, principalmente para a classe teatral.
O negro e o vermelho monopolizaram o palco, representando bem o clima que se desenrolaria ali em cima. Sarcasmo, desdém, inveja e ressentimento permeiam os intervalos do ensaio de três atores na São Petersburgo de 1905, às margens do Rio Neva. Seus jogos interpretativos exaltam um mundo próprio, fechado, em que disputas de vaidades são os laços que os ligam, numa valorização extrema da importância de sua arte, alheia aos conflitos prementes do mundo extramuros.
Olga Knipper é uma atriz consagrada internacionalmente, extremamente dedicada ao teatro e que vive uma crise: seu marido, um grande diretor teatral, está internado em um sanatório alemão, definhando em virtude da tuberculose, muito longe dos holofotes do teatro. Essa situação, na visão de Olga, macula a sua imagem de atriz perfeita. Ela se alimenta de representações sobre todas as coisas, inclusive sobre como teria sido a cena de quando recebeu a notícia da morte do seu marido. Leia mais



