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	<title>POA SHOW &#187; Teatro do SESC</title>
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		<title>Bebeto Alves no lançamento da caixa 3D</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Dec 2010 15:46:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>poashow</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Bebeto Alves]]></category>
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		<description><![CDATA[Incluso no seleto grupo dos m&#250;sicos que ainda conseguem ser refer&#234;ncia de qualidade no cen&#225;rio musical ga&#250;cho, Bebeto Alves lan&#231;ou uma caixa com 3 CDs (veja mat&#233;ria com entrevista aqui no site) nas noites quinta, sexta-feira e s&#225;bado no Teatro do SESC. N&#243;s estivemos l&#225; para conferir como foi a receptividade do p&#250;blico a esse [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Incluso no seleto grupo dos m&uacute;sicos que ainda conseguem ser refer&ecirc;ncia de qualidade no cen&aacute;rio musical ga&uacute;cho, Bebeto Alves lan&ccedil;ou uma caixa com 3 CDs (veja mat&eacute;ria com entrevista aqui no site) nas noites quinta, sexta-feira e s&aacute;bado no Teatro do SESC. N&oacute;s estivemos l&aacute; para conferir como foi a receptividade do p&uacute;blico a esse novo trabalho de Bebeto.</p>
<p style="text-align: justify;">A apresenta&ccedil;&atilde;o ocorrida no s&aacute;bado foi, naturalmente, a que teve o p&uacute;blico mais quantitativo, mas n&atilde;o o suficiente para lotar a casa. Ali&aacute;s, as apresenta&ccedil;&otilde;es poderiam ter sido divididas apenas entre sexta-feira e s&aacute;bado para que n&atilde;o ficasse t&atilde;o fragmentado. Uma quest&atilde;o de detalhe, mas que teria jogado a favor de Bebeto. Mesmo assim, o p&uacute;blico que compareceu estava ansioso para ver o que esse grande compositor tinha reservado para as noites de estr&eacute;ia.</p>
<p style="text-align: justify;">Acompanhado dos sempre parceiros Blackbagual`s (Marcelo Corseti, Luke Faro e Rodrigo Rheinheimer), o M&uacute;sico deu in&iacute;cio a apresenta&ccedil;&atilde;o com &ldquo;AEIOU&rdquo;, seguida de &ldquo;Noticia urgente&rdquo;, &ldquo;Naval&rdquo;, &ldquo;Festa dos Caranguejos&rdquo; e a milonga sui g&ecirc;neris &ldquo;Tum tum Tum&rdquo;, exatamente igual &agrave; ordem que comp&otilde;e o CD ao vivo presente na caixa. A qualidade do som estava &oacute;tima, todos os instrumentos bem n&iacute;tidos e a ilumina&ccedil;&atilde;o era um show &agrave; parte, eficiente do in&iacute;cio ao fim.</p>
<p style="text-align: justify;">O setlist nesta primeira parte do show era totalmente baseado no disco ao vivo, aproveitando a &oacute;tima banda que o acompanha e que esteve presente na grava&ccedil;&atilde;o. O show contou com um momento muito bacana em que foram apresentadas as suas m&uacute;sicas in&eacute;ditas. Repetindo o formato do disco, Bebeto se p&ocirc;s ao viol&atilde;o e, acompanhado de Luke Faro e Rodrigo Rheinheimer nas percuss&otilde;es, executou os temas ac&uacute;sticos de &ldquo;O maravilhoso mundo perdido&rdquo;, come&ccedil;ando pelo ritmo &aacute;rabe de &ldquo;Carretera&rdquo; e seguindo pela maravilhosa &ldquo;Ruas&rdquo;, onde o artista constr&oacute;i uma poesia interessant&iacute;ssima, beirando ao surreal, sobre a vida que ora paira nas ruas, e ora possuem as ruas. Destaque tamb&eacute;m para o swing de o &ldquo;Mar de Gente&rdquo;, e a singeleza impressionante de &ldquo;Te cuida&rdquo;.</p>
<p style="text-align: justify;">Terminado o trecho ac&uacute;stico, volta a banda para conclu&iacute;rem a apresenta&ccedil;&atilde;o com alguns dos cl&aacute;ssicos da carreira de Bebeto. Estavam l&aacute; os temas que foram consagrados nos anos 80 como &ldquo;Pegadas&rdquo; e &ldquo;Depois da chuva&rdquo;, pra come&ccedil;ar com as mais famosas. Ainda tivemos &ldquo;Flash&rdquo; e o encerramento com a bel&iacute;ssima &ldquo;De Um Bando&rdquo;.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi uma apresenta&ccedil;&atilde;o irretoc&aacute;vel tecnicamente e que conseguiu abranger praticamente toda a sua carreira. Bebeto conseguiu mostrar que ainda tem muita lenha pra queimar, e um grande repert&oacute;rio a sua disposi&ccedil;&atilde;o, constru&iacute;do de d&eacute;cadas, para continuar dialogando com um p&uacute;blico atualmente t&atilde;o carente de artistas de esp&iacute;rito jovem e t&atilde;o questionadores como ele.</p>
<img src="http://poashow.com.br/?ak_action=api_record_view&id=7195&type=feed" alt=" Bebeto Alves no lançamento da caixa 3D"  title="Bebeto Alves no lançamento da caixa 3D" />]]></content:encoded>
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		<title>Bebeto Alves</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Nov 2010 04:25:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>poashow</dc:creator>
				<category><![CDATA[Agenda]]></category>
		<category><![CDATA[Porto Alegre]]></category>
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		<category><![CDATA[Teatro do SESC]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; Local: Teatro do SESC centro (av Alberto Bins, 665) Hora de In&#237;cio: 20:00 Datas: 25/26/27 de novembro Ingressos: Ponto de venda: Bilheteria do Teatro so SESC das 14 as 18h Pre&#231;os: R$ 30,00 para usu&#225;rios R$ 24,00 para empres&#225;rios R$ 15,00 para classe art&#237;stica/estudates/idosos R$ 5,00 comerci&#225;rios]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img alt="ba Bebeto Alves" class="aligncenter size-full wp-image-6889" height="329" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/ba.jpg" title="ba" width="500" /><br />
	&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Local: </strong>Teatro do SESC centro (av Alberto Bins, 665)<br />
	<strong>Hora de In&iacute;cio: </strong>20:00<br />
	<strong>Datas: </strong>25/26/27 de novembro</p>
<p style="text-align: center;"><span id="more-6913"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ingressos:<br />
	</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ponto de venda:</strong> Bilheteria do Teatro so SESC das 14 as 18h</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Pre&ccedil;os:<br />
	</strong></p>
<p style="text-align: justify;">R$ 30,00 para usu&aacute;rios</p>
<p style="text-align: justify;">R$ 24,00 para empres&aacute;rios</p>
<p style="text-align: justify;">R$ 15,00 para classe art&iacute;stica/estudates/idosos</p>
<p style="text-align: justify;">R$ 5,00 comerci&aacute;rios</p>
<img src="http://poashow.com.br/?ak_action=api_record_view&id=6913&type=feed" alt=" Bebeto Alves"  title="Bebeto Alves" />]]></content:encoded>
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		<title>Porto Alegre em Cena &#8211; Cru</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Sep 2009 20:11:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>poashow</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O que se vê em cena não é um espetáculo antropofágico e sim o recolhimento poético, a análise densa da vida, do desejo e da morte.Sempre há uma fenda... é por ali que a luz passa. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/cru.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1620" title="cru" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/cru.jpg" alt="cru Porto Alegre em Cena   Cru" width="326" height="214" /></a>Na  quinta-feira (17/09), lá por volta das 19h50min, me sentei em  uma das cadeiras do velho Teatro do Sesc. De fundo, uma música sutil.  Pouco antes de apagarem as luzes, notei que a maior parte das cadeiras  laterais estavam desocupadas; o motivo, julgo que se dê pelo pouco  conhecimento do povo porto-alegrense em relação ao trabalho do grupo  caxiense. Grupo este que comemora dez anos de união, a Cia. Teatral  Atores Reunidos conta com a direção geral de Raulino Prezzi, direção  artística de Ana Fuchs e um elenco jovem, formado por nove artistas.</p>
<p style="text-align: justify;">Deixemos  agora as formalidades descansarem enquanto descrevo um pouco da minha  peculiar experiência na noite em questão: a cena de abertura, sem  dúvida a mais linda de todas, é visualmente soberba. Nus, corpos  débeis são banhados por filetes de luz numa dança harmônica e poética.<span id="more-1618"></span> Há bom equilíbrio cênico, honrando o nosso caríssimo “platô”;  não ouso definir a trilha sonora, mas muito me lembrava à música  celta, que já ligo com ópera. Cria-se uma confusão de vozes com a  primeira fala, que inclusive permeará (tal gancho) a trama do espetáculo:  “Ama (pausa) Escreve”. A nudez torna-se explícita quando as luzes  são ligadas, é aí que os personagens correm constrangidos.</p>
<p style="text-align: justify;">O  cenário limpo e minimalista, conta com apenas uma mesa branca. Ao decorrer  da peça, notaremos quão subjetiva e sagaz (também cansativa) é a  lógica escolhida. Os personagens não chegam a formar relações sólidas  e a linearidade (início, meio e fim) é questionável. De um maníaco  com vestes de açougueiro e gancho na mão, vamos para um casal de homens  que discutem a relação na mesa. Interessante que as calças não faziam  parte do figurino. Com adequado nível de jogo, o casal termina a discussão  (que é permeada por longas pausas) encima da mesa, ao passo que conciliam:  tango, sexo e fuga. A mesa é agora porta de transição para o território  da morte, a menina de vestido branco e bebê no colo. É contada uma  história nos extremos do palco, de um lado a narração, do outro a  ação. O personagem que narra a história, ao enfurecer-se, demonstra  o pouco preparo vocal; suas veias saltam e a pele cede ao vermelho.  È possível dizer que a voz, no contexto geral, não consegue atingir  a força do diálogo; resultando em falta de presença no palco e insegurança.  A voz, compreendida como extensão corporal, deve ser uma aliada no  trabalho cênico e não uma inimiga.</p>
<p style="text-align: justify;">Em  fileira, os atores mostram-se suspensos por cordas, como bonecos de  madeira. Que naturalmente ganham vida sendo assim manipulados e logo  mais libertados pela morte. Retirei o fragmento abaixo do programa do  espetáculo.</p>
<p style="text-align: justify;">“O  destino de cada um está suspenso em cordas invisíveis, manipuladas  por um deus, suposto ou real, que se diverte com o espetáculo que ele  mesmo criou. Mas que precisa rir sozinho, pois  é intangível.”</p>
<p style="text-align: justify;">No  velório de Flávia (simbolizada por um dos atores), as garotas debruçam-se  sobre o caixão bradando que a mesma acordasse. Em histeria, abusam  do finado como se fosse um pano velho, “um pedaço de carne carcomida”.  Prostitutas, as mulheres vão revelando suas experiências com Flávia  e seus conceitos sobre desejo e morte; tudo em tom fervoroso. Destaque  para a coreografia cômica.  Flávia acorda e o conflito é resolvido  com uma morte; porém, apesar da busca nervosa por uma atmosfera de  tensão, ela nunca é firmada. As palmas do público antes do término  revelam que o nervosismo do elenco foi refletido em impaciência por  parte da platéia.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma  das últimas imagens, composta por todos os atores em volta da mesa,  trata-se da conhecida Última Ceia &#8211; ou deveria dizer Profana Ceia?  &#8211; que me remeteu à cena final do filme espanhol “Viridiana”. Os  “discípulos” alimentam-se de pão e vinho, mas a fome não é saciada.  E assim damos partida ao banquete carnívoro, também lascivo. Uma nova  coreografia resulta em orgia, intercalada por “fotos”: pausas em  que todos congelavam seus movimentos, ao passo que viravam os rostos  para a platéia em tom de constrangimento e repreensão. Tudo isso num  belo contraponto da luz: enquanto a metade inferior da mesa (e dos atores)  era iluminada por uma luz fluorescente branca, a metade superior contava  com um holofote de luz vermelha alaranjada. Trabalho impecável de Juarez  Barazetti.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>“A  ordem mais latente, a fome mais sublime, a intangibilidade de tudo são  transformadas num balé doce/macabro que escancara a presença da finitude”</em></p>
<p style="text-align: justify;">A  última cena, não fosse a cacofonia moralista das gravações de fundo,  teria maior carga de impacto. Justamente essa tentativa de impacto,  visível tanto na nudez quanto no próprio material de divulgação,  não funciona como deveria. Se para alguns impacta, para outros margeia  a comicidade. Nesse caso, vejo a humildade como uma das possíveis soluções.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por:</strong> Guilherme Nervo</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fotos:</strong> Divulgação</p>
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		<title>Porto Alegre em Cena &#8211; Neva</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Sep 2009 01:08:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>poashow</dc:creator>
				<category><![CDATA[POA em Cena]]></category>
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		<description><![CDATA[A história se passa em San Peterbusgo de 1905 e é livremente inspirada no histórico massacre nas ruas da cidade que ficou conhecido como Domingo Sangrento.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/neva.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1433" title="neva" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/neva.jpg" alt="neva Porto Alegre em Cena   Neva" width="360" height="234" /></a>No  pequeno Teatro do Sesc, repleto naquela última apresentação da peça  <strong>Neva</strong> (12/09), presenciamos o desenrolar de uma polêmica. O público  que saía da sala se dividia entre elogios e críticas ferozes. Não  percebemos críticas com relação à técnica, à direção ou à atuação  dos três atores, mas sim à mensagem transmitida pelo texto. De fato,  um tema muito inquietante, principalmente para a classe teatral.</p>
<p style="text-align: justify;">O  negro e o vermelho monopolizaram o palco, representando bem o clima  que se desenrolaria ali em cima. Sarcasmo, desdém, inveja e ressentimento  permeiam os intervalos do ensaio de três atores na São Petersburgo  de 1905, às margens do Rio Neva. Seus jogos interpretativos exaltam  um mundo próprio, fechado, em que disputas de vaidades são os laços  que os ligam, numa valorização extrema da importância de sua arte,  alheia aos conflitos prementes do mundo extramuros.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Olga  Knipper</em> é uma atriz consagrada internacionalmente, extremamente  dedicada ao teatro e que vive uma crise: seu marido, um grande diretor  teatral, está internado em um sanatório alemão, definhando em virtude  da tuberculose, muito longe dos holofotes do teatro. Essa situação,  na visão de Olga, macula a sua imagem de atriz perfeita. Ela se alimenta  de representações sobre todas as coisas, inclusive sobre como teria sido  a cena de quando recebeu a notícia da morte do seu marido.<span id="more-1432"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Acompanhada  de outros dois atores, Alexander e Masha (que vive ouvindo os insultos  de sua companheira mais experiente), travam longas discussões sobre  técnicas teatrais, ao mesmo tempo em que a Rússia passava por um período  de crise social, em que as pessoas lutavam pelo seu direito de poder  sobreviver, diante da enorme repressão czarista.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo  na peça é representação, por mais redundante que esse  comentário pareça. O espectador nunca sabe o que vai se revelar no  diálogo seguinte, se a platéia responderá com risos ou olhares sério.  Somos levados a crer, de forma magistral, diga-se de passagem, que estamos  diante de um simples ensaio de uma peça, onde os atores representam  sem nenhum compromisso, inclusive entre eles.</p>
<p style="text-align: justify;">O  texto evolui em forma de uma comédia inteligentíssima, até que,  chegando ao final do espetáculo, depois de muitos risos, o clima se  torna tenso em virtude da veemente discussão sobre a iminência de  uma revolução popular. Este tema, que até então foi tratado superficialmente  entre os diálogos nos intervalos do ensaio, toma vulto e explode diante  da omissão e alienação de Olga e Alexander. Neste ponto, somos surpreendidos  com o monólogo de Masha. Aquela que, até o momento, era subestimada  pelos companheiros de palco surpreende tanto a eles quanto ao público  pela lucidez de seus pensamentos e por sua compreensão do contexto  único que viviam.</p>
<p style="text-align: justify;">As  críticas mordazes que Masha lança sobre seus companheiros não afetam  apenas a eles, mas a toda uma classe artística que, de tão absorta  em seu universo teatral, de aplausos e egos inflados, desconhece ou  prefere não se envolver em questões que exigem ações práticas,  tomadas de posições e riscos àquilo que mais veneram: a sua imagem.  Em resumo, a peça, nos seus últimos minutos, dá uma guinada de 180º,  enfocando no poder transformador que alguns membros da classe artística  acreditam possuir pelo simples fato de subirem ao palco, esquecendo  que a vida de verdade nas ruas, das pessoas de carne e osso obedece  a uma lógica muito mais cruel do que os jogos de cena.  E é justamente  esse questionamento que a peça traz que provocou, e ainda vai provocar,  muita polêmica e divisão de opiniões por parte do público. Aqueles  que acreditam que a arte, sozinha, vai ser responsável por uma grande  transformação social, se sentem ofendidos. Já a outra parcela de  espectadores, da qual fazemos parte, fica muito surpresa por esta crítica  vir de cima do palco, e é isso que torna a peça fantástica e, acima  de tudo, lúcida.</p>
<p><strong>Por: </strong>Aline Cadaviz e Angelo Borba</p>
<p><strong>Foto:</strong> Divulgação</p>
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