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	<title>POA SHOW &#187; teatro</title>
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		<title>Porto Alegre em Cena &#8211; Luisa se Estrella Contra su Casa</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Sep 2009 15:02:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>poashow</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O diretor Ariel Farace construiu neste espetáculo um impecável retrato da solidão.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><a href="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/luii.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1672" title="luii" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/luii.jpg" alt="luii Porto Alegre em Cena   Luisa se Estrella Contra su Casa" width="370" height="247" /></a></span>Trata-se  de uma das peças que eu mais tive receio de assistir. Talvez por ter  formado pré-concepções ou quem sabe devido ao meu espanhol, que não  existe. O público da última apresentação, no domingo (20/09), era  consideravelmente grande; entretanto, meu receio permanecia. Já no  Museu do Trabalho, me sentei e esperei as luzes, que logo vieram. No  interior da grande casa de papelão (que ia desde Seven Boys à  Rasip)  ouvia-se uma voz feminina estridente. Não somente a casa era de papelão,  mas também a árvore e o restante do cenário. O objetivo era simbolizar  a fragilidade do lar &#8211; e da vida &#8211; de Luisa. Eis que um aspirador de  pó ambulante (dei-me conta disso apenas no fim da peça) cruza o palco  com sua movimentação moderada e calculada arrancando gargalhadas da  platéia, que certamente apreciou a ousadia “nonsense” do personagem  com cabeça de lata, o inocente Odex. Se ainda tinha alguma ponta de  receio, a mesma foi exterminada quando surgiu uma figura histriônica  usando saia comprida, peruca negra e sapatos gigantescos. Luisa: a palhaça  sonhadora, a argentina desvairada que conquistou o público na hora.<span id="more-1671"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><em>“Eu tenho uma cabeça  e a uso bastante”</em></p>
<p style="text-align: justify;">Seu  confidente é Odex, sempre repreendido por comprar revistas de  moto. Provavelmente por Luisa estar traumatizada com o acidente de trânsito  que causa a morte do namorado Pedro. Mas para o contentamento alucinado  de Luisa, Pedro reaparece do além várias vezes, em busca de uma escova  de dente. Como instrumento de evasão, Luisa entrega-se ao cotidiano  rotineiro fazendo empreitadas em refúgios onde o tempo não passa,  não há mudanças de temperatura ou stress: corre ao supermercado (a  casa de papelão possui uma estrutura de rodinhas, que permite moldar  o cenário desejado). Também o rádio aparece como um subterfúgio,  ao passo que a protagonista está sempre censurando a melodia repetitiva  do vizinho violonista, que se constitui como a trilha sonora da peça.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>“Minha casa  é inquieta, não perco a cabeça, mas a casa”</em></p>
<p style="text-align: justify;">Até  mesmo um frango ganha destaque em cena, aparece como o jantar que, surpreendentemente,  está vivo. Já cansada de sua fuga, Luisa começa questionar a si mesma  se não está igualmente morta; mas conclui que está deprimida pela  solidão e a carência. Umas das cenas mais marcantes e de potencial  dramático é a interação de Luisa com seu namorado. Empolgadíssima,  diz que o ama; em contrapartida, Pedro dá um leve sorriso e diz: <em>“-Não  sinto nada”</em>. Luisa chora. Silêncio.</p>
<p style="text-align: justify;">Pedro  e Odex fecham-se dentro da casa, os desvarios de Luisa partiam. Desolada,  caminha rente à platéia. Focada em apenas um holofote de luz, transpira  toda a dor que o corpo e a alma possuem, encontra-se a menos de um metro  do primeiro espectador. O sorriso antes largo é agora moderado. Luisa  levanta os ombros e suspira; as luzes apagam.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por:</strong> Guilherme Nervo</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fotos:</strong> Divulgação</p>
<img src="http://poashow.com.br/?ak_action=api_record_view&id=1671&type=feed" alt=" Porto Alegre em Cena   Luisa se Estrella Contra su Casa"  title="Porto Alegre em Cena   Luisa se Estrella Contra su Casa" />]]></content:encoded>
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		<title>Porto Alegre Em Cena &#8211; Quartett</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Sep 2009 17:50:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>poashow</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O espetáculo francês  “Quartett”, atração que encerrou a 16ª edição do Porto Alegre Em Cena.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/quaar.jpg"><img class="size-full wp-image-1664 alignleft" title="Quartett" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/quaar.jpg" alt="Quartett" width="240" height="360" /></a>O espetáculo francês  “Quartett”, atração que encerrou a 16ª edição do Porto  Alegre Em Cena, não teve simplesmente quase duas horas de duração,  mas aproximadamente um ano. A montagem teve início na verdade há alguns  meses atrás, quando a peça foi confirmada como sendo uma das atrações  para a programação do festival desse ano. Pelo simples fato de reunir  três reverenciados nomes da arte contemporânea (Heiner Müller, Bob  Wilson e Isabelle Huppert), os ânimos de todos os apreciadores de performances  de vanguarda estavam exaltados para a apresentação.</p>
<p style="text-align: justify;">Quartett trouxe  ao público gaúcho finalmente a oportunidade de assistir a uma obra  assinada por Bob Wilson, diretor que também trabalha como coreógrafo,  iluminador e sonoplasta. Wilson é conhecido por seus trabalhos em colaboração  com Philip Glass em &#8220;Einstein on the Beach&#8221;, assim  como com o poeta Allen Ginsberg e os músicos Tom Waits e David Byrne.  Suas peças são respeitadas nos palcos do mundo inteiro como experiências  inovadoras e de vanguarda. Além disso, o espetáculo trazia a beleza  e talento da atriz francesa Isabelle Huppert, vencedora do prêmio de  melhor atriz nos festivais de cinema de Berlim (2002), Cannes (1978  e 2001) e Veneza (1988 e 1995). Huppert é mais conhecida do público  brasileiro por seus atormentados personagens no cinema, como a protagonista  de “Madame Bovary” (1991) e “A Professora de Piano”  (2001). A montagem de Quarttet  foi feita sob encomenda do Odeon Théâtre de l&#8217;Europe, um dos mais  importantes de Paris, onde fez temporada em 2006 e 2007.</p>
<p style="text-align: justify;">Quartett é uma  adaptação do dramaturgo alemão Heiner Müller ao romance de Choderlos  de Laclos, “As Relações Perigosas”, obra que recebeu cinco  adaptações para o cinema, entre elas a célebre versão de Stephen  Frears, que conduziu as incríveis atuações de Glenn Close e John  Malkovich em “Dangerous Liaisons” (1988). O texto foi encenado  recentemente nos palcos brasileiros por Beth Goulart e Guilherme Leme.<span id="more-1662"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Em Quartett, Heiner  Müller centra foco nos jogos de sedução e poder promovidos pelos  protagonistas, cujo objetivo é provocar a queda e a ruína de inocentes  e virtuosos. A peça apresenta um duelo verbal entre dois cruéis libertinos,  Marquesa de Merteuil (Huppert) e Visconde de Valmont (Ariel Garcia Valdès).  Este embate transcorre através de uma disputa de diálogos ambíguos  mergulhados em um jogo sexual que permeia a hipocrisia da luta de classes  entre a aristocracia e a burguesia durante a Revolução Francesa. Os  dois nobres acreditam que possuem o poder de mudar a vida das pessoas  ao seu redor como se fossem Deuses. A vingança, o prazer e o prestígio  próprio os movem em cena. Os personagens são figuras complementares  e idênticas com seus discursos cínicos e escatológicos. A cena final,  na qual Merteuil está sozinha e abandonada representa a decadência  da aristocracia e do Antigo Regime.</p>
<p style="text-align: justify;">Os personagens de  Quartett desdobram-se em quatro figuras dramáticas, trocando de  identidade e de sexo em um jogo surpreendente comandado de forma genial  por Huppert e Valdès. Os dois intérpretes passam longe de uma representação  realista, sendo absorvidos por um surrealismo que os libera para uma  atuação sem fronteiras criativas. Ao lado desses incríveis performers,  o elenco ainda conta com mais três artistas que causam bastante estranhamento  com suas figuras passageiras e perturbadoras.</p>
<p style="text-align: justify;">A montagem não difere  a interpretação dos atores de outros elementos cênicos, reunindo  todo o material apresentado no palco em um mesmo patamar, característica  semelhante ao das performances artísticas. Gestos, efeitos visuais,  figurinos, luzes, cenografia e sonoridades complementam e desenham as  representações, desenvolvendo um espetáculo que nos remete aos nossos  sonhos mais estranhos e indecifráveis.</p>
<p style="text-align: justify;">As repetições das falas  até a exaustão, os gestos que ganham sons aterrorizantes, as risadas  descompassadas, os personagens que recebem a iluminação de uma determinada  cor, as vozes demonizadas e os movimentos ora animalescos e ora delicados  constroem uma verdadeira obra de arte. De acordo com a percepção do  espectador, a montagem pode até ser assimilada como sendo uma grande  brincadeira envolvendo recursos tecnológicos e a performance humana.  Enfim, obra de arte ou grande brincadeira, Quartett é um produto  degustado pelo público por sua absoluta fruição estética.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/Isabele.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1663" title="Isabele" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/Isabele.jpg" alt="Isabele Porto Alegre Em Cena   Quartett" width="450" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Bob Wilson pinta um quadro  que é construído sob os olhares da platéia através de performances,  efeitos e contra-regragens. As mudanças de cenário, por sinal, são  realizadas como sendo elementos do espetáculo, tornando-se fatores  essenciais para o resultado final. Esse predicado, aliás, é característico  das artes performáticas, cujo objetivo não é a obra finalizada, mas  todo o processo de criação que a envolve. No caso de Quartett,  o trabalho dos contra-regras faz parte da construção criativa da montagem.  Esse atributo, assim como outras qualidades da encenação de Wilson  existe desde a década de 60. Infelizmente alguns autores ainda chamam  essa arte de revolucionária. A revolução talvez esteja presente nos  olhares dos espectadores das casas teatrais. Com certeza, essa estética  ainda é inovadora dentro de um edifício teatral, todavia nas artes  essa chamada revolução se deflagrou há muito tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">O papel de Quartett possivelmente seja de levar essa revolução tardia a um público acostumado  com uma linguagem mais tradicional. Outro grande mérito da obra certamente  é seu forte apelo visual. Uma estética que ganha vida através de  um bailar de cores e sons perturbadores permeados por um texto divertido  e cruel que não se importa tanto com a emoção. Aliás, o objetivo  da obra não é sensibilizar o público, mas presenteá-lo com sua distinta  beleza. No entanto, eu sou um espectador que gosta de se emocionar.</p>
<p style="text-align: justify;">A ausência de atributos  que envolva mais a platéia deixam a obra muito distante do público.  Sinceramente, esse tipo de espetáculo não é dos meus preferidos.  Eu admiro a junção de tantos elementos que desenvolvem um pequeno  caos de forma harmoniosa. Desordem que gera uma estética irreparável.</p>
<p style="text-align: justify;">O poder visual das cores  pode até nos levar para o campo dos sonhos, mas quando acordamos desse  ambiente voltamos à realidade e nos demos conta que a emoção não  existiu de verdade. Fomos enganados por tanta beleza.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por:</strong> Yheuriet Kalil</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fotos:</strong> Divulgação</p>
<img src="http://poashow.com.br/?ak_action=api_record_view&id=1662&type=feed" alt=" Porto Alegre Em Cena   Quartett"  title="Porto Alegre Em Cena   Quartett" />]]></content:encoded>
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		<title>Porto Alegre em Cena &#8211; Antes do Café</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Sep 2009 20:23:48 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Uma temática densa que, pelo menos em alguns pontos, se assemelha a situações enfrentadas por cada indivíduo, ressaltando que sempre poderíamos ter feito tudo diferente.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/depois2.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1627" title="Antes do Café" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/depois2.jpg" alt="Antres do Café" width="300" height="450" /></a>No  domingo à noite (20/09) dispensamos as enfadonhas comemorações  farroupilhas para celebrar o teatro, novamente. Para esta última apresentação  da montagem de Antes do Café, de Eugene O’Neil, dirigida por  Celso Frateschi, o público preencheu sinuosamente o saguão de acesso  ao Teatro Bruno Kiefer.</p>
<p style="text-align: justify;">Parada  na fila, a observação do local se tornou inevitável, chamando a atenção  à iluminação direta, além das mesas, cadeiras e molduras dispostas  em cada uma das extremidades daquele saguão. O que a princípio causou  estranhamento parecia se justificar pela presença de duas galerias  de arte no mesmo andar. Talvez fosse uma exposição de arte contemporânea&#8230;  Mas não era.</p>
<p style="text-align: justify;">Próximo  à hora do espetáculo, se misturam ao público algumas figuras  exóticas, sorridentes, misteriosas. Logo percebemos se tratar de atores,  mas a compreensão do que realmente acontecia só fomos ter dentro da  sala. O fato é que a peça começou a se desvelar ainda do lado de  fora, na fila, em contato direto com o público.<span id="more-1625"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Os  dois primeiros atos representados no átrio marcaram o distanciamento  e o conseqüente conflito entre dois modos de vida: o boêmio, poético  e despreocupado e o ressentido, desiludido e apegado à realidade material.  Homem e mulher. Marido e esposa. Entre eles nenhum diálogo, apenas  uma contenda unilateral tão pungente quanto o silêncio.</p>
<p style="text-align: justify;">A  distância entre o casal se reflete em discussões sobre a desocupação  do marido e suas traições. Neste caso, a traição abrange vários  níveis de suas vidas, não se restringindo apenas às relações extraconjugais.  Estas são conseqüência da desilusão, da quebra de promessas, da  convivência que descortina faces, da perda de esperanças, da quebra  de sonhos. Essa sim é a principal traição. E ela ocorre em ambos  os lados, num choque violento entre pontos-de-vista quanto ao modo de  vida, ali exposto na forma do antagonismo entre a labuta mourejada e  a convivência entre copos e poesias.<!--more--></p>
<p style="text-align: justify;">Nesta  comédia dramática com toques de tragédia havia apenas dois personagens  no palco, mas quatro atores em cena. O papel feminino foi representado  por três atrizes que ora prosseguiam ou entrecruzavam as falas, ora  executavam a mesma fala com interpretações distintas. No entanto,  a percepção que o público tinha era de que se tratava de uma única  mulher, ensandecida pela sua relação marital e que, no ápice de sua  fúria, parece se multiplicar por três. Uma situação bem, conhecida  por qualquer casal.</p>
<p style="text-align: justify;">A  figura feminina predomina a maior parte do tempo, reclamando e cobrando  compulsivamente, enquanto o marido permanece calado, visível apenas  através dos comentários jocosos que permeiam o monólogo. Sua presença  só é ressaltada no primeiro e no último ato, quando manifesta seus  pensamentos (e, de certa forma, suas justificativas).</p>
<p style="text-align: justify;">O  papel feminino, marcado pela histeria e pela amargura de uma vida sofrida,  contraposto pelo desapego e pela liberdade masculina, não explicita,  necessariamente, características inerentes a cada gênero. Antes disso,  revelam os conflitos de prioridades diante da conjuntura econômica  da época (década de 20, Estados Unidos, crise econômica) e levam  os expectadores a conhecer os argumentos e aflições dos dois lados,  não caindo em determinismos do tipo “bom” e “mal”. São pessoas  enfraquecidas pela rotina e pela falta de perspectivas que exteriorizam  suas frustrações de modos distintos, cometendo atos puramente humanos  e levando o público a se reconhecer em alguns momentos.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma  temática densa que, pelo menos em alguns pontos, se assemelha a situações  enfrentadas por cada indivíduo, ressaltando que sempre poderíamos  ter feito tudo diferente.</p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><strong>Por: </strong></span>Aline Kassick Cadaviz</p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><strong>Fotos: </strong></span>Angela Alegria POA Em Cena/Divulgação PMPA</p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">
<a href='http://poashow.com.br/2009/09/22/porto-alegre-em-cena-antes-do-cafe/depois1/' title='Antes do Café'><img width="150" height="150" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/depois1-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="depois1 150x150 Porto Alegre em Cena   Antes do Café" title="Antes do Café" /></a>
<a href='http://poashow.com.br/2009/09/22/porto-alegre-em-cena-antes-do-cafe/depois3/' title='Antes do Café'><img width="150" height="150" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/depois3-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="depois3 150x150 Porto Alegre em Cena   Antes do Café" title="Antes do Café" /></a>
<a href='http://poashow.com.br/2009/09/22/porto-alegre-em-cena-antes-do-cafe/depois2/' title='Antes do Café'><img width="150" height="150" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/depois2-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="depois2 150x150 Porto Alegre em Cena   Antes do Café" title="Antes do Café" /></a>
<a href='http://poashow.com.br/2009/09/22/porto-alegre-em-cena-antes-do-cafe/depois/' title='Antes do Café'><img width="150" height="150" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/depois-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="depois 150x150 Porto Alegre em Cena   Antes do Café" title="Antes do Café" /></a>
<br />
</span></p>
<img src="http://poashow.com.br/?ak_action=api_record_view&id=1625&type=feed" alt=" Porto Alegre em Cena   Antes do Café"  title="Porto Alegre em Cena   Antes do Café" />]]></content:encoded>
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		<title>Porto Alegre em Cena &#8211; Cru</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Sep 2009 20:11:21 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Teatro do SESC]]></category>

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		<description><![CDATA[O que se vê em cena não é um espetáculo antropofágico e sim o recolhimento poético, a análise densa da vida, do desejo e da morte.Sempre há uma fenda... é por ali que a luz passa. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/cru.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1620" title="cru" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/cru.jpg" alt="cru Porto Alegre em Cena   Cru" width="326" height="214" /></a>Na  quinta-feira (17/09), lá por volta das 19h50min, me sentei em  uma das cadeiras do velho Teatro do Sesc. De fundo, uma música sutil.  Pouco antes de apagarem as luzes, notei que a maior parte das cadeiras  laterais estavam desocupadas; o motivo, julgo que se dê pelo pouco  conhecimento do povo porto-alegrense em relação ao trabalho do grupo  caxiense. Grupo este que comemora dez anos de união, a Cia. Teatral  Atores Reunidos conta com a direção geral de Raulino Prezzi, direção  artística de Ana Fuchs e um elenco jovem, formado por nove artistas.</p>
<p style="text-align: justify;">Deixemos  agora as formalidades descansarem enquanto descrevo um pouco da minha  peculiar experiência na noite em questão: a cena de abertura, sem  dúvida a mais linda de todas, é visualmente soberba. Nus, corpos  débeis são banhados por filetes de luz numa dança harmônica e poética.<span id="more-1618"></span> Há bom equilíbrio cênico, honrando o nosso caríssimo “platô”;  não ouso definir a trilha sonora, mas muito me lembrava à música  celta, que já ligo com ópera. Cria-se uma confusão de vozes com a  primeira fala, que inclusive permeará (tal gancho) a trama do espetáculo:  “Ama (pausa) Escreve”. A nudez torna-se explícita quando as luzes  são ligadas, é aí que os personagens correm constrangidos.</p>
<p style="text-align: justify;">O  cenário limpo e minimalista, conta com apenas uma mesa branca. Ao decorrer  da peça, notaremos quão subjetiva e sagaz (também cansativa) é a  lógica escolhida. Os personagens não chegam a formar relações sólidas  e a linearidade (início, meio e fim) é questionável. De um maníaco  com vestes de açougueiro e gancho na mão, vamos para um casal de homens  que discutem a relação na mesa. Interessante que as calças não faziam  parte do figurino. Com adequado nível de jogo, o casal termina a discussão  (que é permeada por longas pausas) encima da mesa, ao passo que conciliam:  tango, sexo e fuga. A mesa é agora porta de transição para o território  da morte, a menina de vestido branco e bebê no colo. É contada uma  história nos extremos do palco, de um lado a narração, do outro a  ação. O personagem que narra a história, ao enfurecer-se, demonstra  o pouco preparo vocal; suas veias saltam e a pele cede ao vermelho.  È possível dizer que a voz, no contexto geral, não consegue atingir  a força do diálogo; resultando em falta de presença no palco e insegurança.  A voz, compreendida como extensão corporal, deve ser uma aliada no  trabalho cênico e não uma inimiga.</p>
<p style="text-align: justify;">Em  fileira, os atores mostram-se suspensos por cordas, como bonecos de  madeira. Que naturalmente ganham vida sendo assim manipulados e logo  mais libertados pela morte. Retirei o fragmento abaixo do programa do  espetáculo.</p>
<p style="text-align: justify;">“O  destino de cada um está suspenso em cordas invisíveis, manipuladas  por um deus, suposto ou real, que se diverte com o espetáculo que ele  mesmo criou. Mas que precisa rir sozinho, pois  é intangível.”</p>
<p style="text-align: justify;">No  velório de Flávia (simbolizada por um dos atores), as garotas debruçam-se  sobre o caixão bradando que a mesma acordasse. Em histeria, abusam  do finado como se fosse um pano velho, “um pedaço de carne carcomida”.  Prostitutas, as mulheres vão revelando suas experiências com Flávia  e seus conceitos sobre desejo e morte; tudo em tom fervoroso. Destaque  para a coreografia cômica.  Flávia acorda e o conflito é resolvido  com uma morte; porém, apesar da busca nervosa por uma atmosfera de  tensão, ela nunca é firmada. As palmas do público antes do término  revelam que o nervosismo do elenco foi refletido em impaciência por  parte da platéia.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma  das últimas imagens, composta por todos os atores em volta da mesa,  trata-se da conhecida Última Ceia &#8211; ou deveria dizer Profana Ceia?  &#8211; que me remeteu à cena final do filme espanhol “Viridiana”. Os  “discípulos” alimentam-se de pão e vinho, mas a fome não é saciada.  E assim damos partida ao banquete carnívoro, também lascivo. Uma nova  coreografia resulta em orgia, intercalada por “fotos”: pausas em  que todos congelavam seus movimentos, ao passo que viravam os rostos  para a platéia em tom de constrangimento e repreensão. Tudo isso num  belo contraponto da luz: enquanto a metade inferior da mesa (e dos atores)  era iluminada por uma luz fluorescente branca, a metade superior contava  com um holofote de luz vermelha alaranjada. Trabalho impecável de Juarez  Barazetti.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>“A  ordem mais latente, a fome mais sublime, a intangibilidade de tudo são  transformadas num balé doce/macabro que escancara a presença da finitude”</em></p>
<p style="text-align: justify;">A  última cena, não fosse a cacofonia moralista das gravações de fundo,  teria maior carga de impacto. Justamente essa tentativa de impacto,  visível tanto na nudez quanto no próprio material de divulgação,  não funciona como deveria. Se para alguns impacta, para outros margeia  a comicidade. Nesse caso, vejo a humildade como uma das possíveis soluções.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por:</strong> Guilherme Nervo</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fotos:</strong> Divulgação</p>
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		<title>Porto Alegre em Cena &#8211; Medida por Medida</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Sep 2009 20:03:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>poashow</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Reviews]]></category>
		<category><![CDATA[Porto Alegre em Cena]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>
		<category><![CDATA[Teatro Renascença]]></category>

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		<description><![CDATA[Comportamento, sexualidade, erotismo e hipocrisia do poder são linhas condutoras da peça passada em Viena, cuja primeira montagem data de 1604, na Inglaterra.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">N<a href="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/medida_por_medida.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1610" title="medida por medida" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/medida_por_medida.jpg" alt="medida por medida" width="236" height="177" /></a>a  divulgação do espetáculo, a imagem lendária de Shakespeare deformada,  com uma interessante (ao mesmo tempo arriscada) intervenção: lábios  rubros e carnudos (Rolling Stones) e o olho esquerdo destacado com rímel  (Laranja Mecânica).</p>
<p style="text-align: justify;">Com  direção de Gilberto Gawronski, a peça carioca leva a tradução de  Barbara Heliodora para o texto de William Shakespeare, escrito em 1604:  <em>“Medida Por Medida</em>”. Poder, corrupção e erros de conduta são  os principais temas percorridos.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>“A  tragédia é representada pela certeza da morte e nosso reconhecimento  de culpabilidade. A comédia é associada  à fé, ao perdão e a misericórdia.”<span id="more-1608"></span></em></p>
<p style="text-align: justify;">Na  terça-feira (15/09), ao acomodar-me em um dos assentos do pequeno teatro  Renascença, aguardava ansioso. Eis que o pano cede: roupas exuberantes,  luzes multicoloridas, trilha sonora pop/disco, sexo oral, libertinagem.  De cara a ousadia inovadora e cômica da peça agradou.</p>
<p style="text-align: justify;">O  Duque, governador de Viena, passa o governo para Ângelo quando sai  em viagem. Ângelo decide punir com a morte quem praticar sexo fora  do casamento, e é assim que a primeira vítima é um nobre, Cláudio  cuja noiva (Julieta) está grávida. Quando a irmã de Cláudio, Isabela  (representada por Sérgio Maciel), clama para que a pena seja substituída,  Ângelo promete voltar atrás se a moça perder a virgindade com ele.  Isabela desespera-se, mas o Duque, que voltou à cidade disfarçado,  consegue reverter a situação. O Duque de Viena aparece como nosso  ardiloso protagonista, qual jogará com as personagens e espectadores  aparecendo disfarçado de frade. Inicia a agonia da espera para o dia  em que o duque volte e acabe com a confusão criada, mas ele tarda;  como se quisesse apreciar o desenrolar da trama até o limite.</p>
<p style="text-align: justify;">Não  fossem a formalidade oral (discursos dirigidos ao público), os homens  fazendo papéis de mulheres e o “próprio” Shakespeare (representado  pelo diretor) que às vezes assoma nas cenas; ficaria impossível ligar  a concepção e atmosfera instauradas pela peça para com uma obra literária  do dramaturgo inglês. Não sou moralista e menos ainda conservador,  mas a tentativa de dar um aspecto inovador, ousado e cômico (como citado  acima); resultou em uma estética gay estereotipada que apenas diverte,  nada mais. Não condeno, de forma alguma, a diversão. Há que se afirmar  que ela é fundamental, mas não essencial. Se há algo que desgosto,  é o riso fácil.</p>
<p style="text-align: justify;">A  falta de cenário (apesar de conter vários pilares, três entradas  metálicas, dois panos e dois coringas) parece ser compensada com o  figurino, que é bastante carregado visualmente. È como se houvesse  uma fundição entre cenário e figurino. Creio que, parcialmente, seja  a composição visual um dos pilares do espetáculo: as correntes masoquistas,  a sensualidade das roupas de látex, as intensas luzes coloridas, a  trilha sonora pop (que passa por Madonna, Cyndi Lauper, Queen e até  mesmo Edith Piaf) e etc. Pilar este, que confirma minha convicção  final: teatro divertido (às vezes sagaz), porém essencialmente morto.</p>
<p style="text-align: justify;">Minha  opinião permanece, mas não nego que gostei bastante de um comentário  do RG Vogue, qual retiro um fragmento: (&#8230;) “Cria-se uma fantasia  figurativa e lúdica, desmerecendo a seriedade com que esse tema poderia  ser tratado. Já que o texto permite esse tom de fábula, por que não  uma fábula pop e gay? É pertinente a escolha de Gawronski de, numa  peça que trata de poder e sexo, tão bem alinhavados pelo mestre Shakespeare,  colocar acessórios “leather” e ajudantes de palco que dançam como  “go go boys”.  Confesso que  gosto deste abuso, de tirar os cânones do pedestal e virá-los do avesso,  desde que com algum propósito em vista. Não sou adepto de se chocar  só por chocar, mas quando as coisas tornam-se uma unanimidade, é preciso  coragem para levantar sua voz no meio da multidão e dizer uma não-obviedade.”  (&#8230;)</p>
<p style="text-align: justify;">O  final não poderia ser outro senão um jogo de luzes e confete, dança  e alegria, ao som de “Like A Virgin”. Enfim a árvore natalina é  findada.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por: </strong>Guilherme Nervo</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Foto: </strong>Divulgação</p>
<img src="http://poashow.com.br/?ak_action=api_record_view&id=1608&type=feed" alt=" Porto Alegre em Cena   Medida por Medida"  title="Porto Alegre em Cena   Medida por Medida" />]]></content:encoded>
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		<title>Porto Alegre em Cena &#8211; A Mulher que Escreveu a Bíblia</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Sep 2009 17:32:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>poashow</dc:creator>
				<category><![CDATA[POA em Cena]]></category>
		<category><![CDATA[Reviews]]></category>
		<category><![CDATA[Porto Alegre em Cena]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[O premiado texto de Moacyr Scliar, merecedor do Jabuti, em 1999, foi adaptado para o teatro por Thereza Falcão e ganhou direção de Guilherme Piva.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/2.JPG"><img class="alignleft size-full wp-image-1530" title="A mulher que escreveu a bíblia" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/2.JPG" alt="A mulher que escreveu a bíblia" width="360" height="270" /></a>Tão feio que chega a ser belo</p>
<p style="text-align: justify;">Dispensando condições meteorológicas, vamos ao que interessa: texto de Moacyr Scliar, direção de Guilherme Piva e interpretação de Inez Viana; o monólogo carioca com dois anos de caminhada revela a feia mais linda que pôs os pés no caríssimo Teatro do Sesc. A enxurrada de homens e mulheres que adentravam o teatro na segunda-feira (14/09), começava a surpreender: não apenas pela quantidade, mas pela aparente descentralização de público que ali havia; avistei um bom número de adolescentes.</p>
<p style="text-align: justify;">“Tem algum Napoleão aqui hoje? Alguma Cleópatra? E Joana d’Arc? Eu gosto de Joana d’Arc. Tem Pelé por acaso?”</p>
<p style="text-align: justify;">O cenário, uma larga pedra. O figurino, uma bonita composição de trapos que variavam do bege ao salmão, feita por Rui Cortez. Sentada na pedra, Inês conta-nos que descobre ter sido uma das 700 esposas do rei Salomão, há três mil anos atrás. Ora, que há de mal nisso? O que há de vir, caro leitor. O detalhe que há de vir: a feiúra.<span id="more-1526"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Inez rodopia pelo palco cantando uma versão engraçadíssima de “Somewhere Over the Rainbow”, assim mergulhando no passado: a partir daí encarna todas as personagens que tiveram alguma ligação com a sua triste, isto é, feia história. Seu pai era o patriarca de uma fazenda, a riqueza resumia-se a algumas cabras e uma pequena propriedade. Ao se dar conta do rosto assombroso que tinha, tentou suicidar-se. Não o fez, pois tinha medo de comprometer a caveira.</p>
<p style="text-align: justify;">“Tornei-me eremita”</p>
<p style="text-align: justify;">Eremita que não tardou a ter um tórrido romance com a larga pedra. Nomeava os orgasmos como verdadeiros terremotos corpóreos. Mas, como qualquer um, apaixonou-se. Não pela pedra, que fique claro. Por um belo pastorzinho! Indignada ficou ao saber que o mesmo há muito namorava sua irmã, a bela. O pai, quando lhe contaram, apedrejou o pastorzinho, que foi embora. Logo mais, chega um escriba na fazenda. Detalhe: um escriba muito feio. Destaque para o ótimo trabalho corporal da atriz, desenvolvido por Isabel Themundo. Empolgadíssima com a idéia “de um novo caralho”, nossa mulher entra na tenda do escriba; que para sua surpresa, queria apenas lhe ensinar a escrever.</p>
<p style="text-align: justify;">A feia letrada rasgava os papéis com a tinta da liberdade. Habilidade essa, que transpirava beleza. “Entrei em estado de permanente e etérea embriaguez”. E eis que chega uma carta anunciando que o fazendeiro devia ceder sua filha mais velha para tornar-se uma das esposas do rei. Pomposa, a feia em ascendência parte. Temerosa, cobre o rosto com espesso véu, que lhe dava um olhar recatado e sedutor. Ao entrar no harém, depara-se com uma infinidade de mulheres a fofocar.</p>
<p style="text-align: justify;">Enlouquece pela imagem máscula e vertiginosa de Salomão, ao passo que após alguns dias ele a chama para a noite de núpcias. O inesperado: Salomão brochou. Sedenta e com a auto-estima arrasada, nossa mulher resolve escrever pedindo ajuda ao pai. “Ou fode, ou morre”. O rei acaba confiscando a carta, que nunca chega ao fazendeiro. Não resiste ao esplendor da carta bem escrita e decide “contratar” sua esposa para escrever a história da humanidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim promovida à esposa intelectual, começa a corrigir imperfeições como a barbárie, segundo ela, de o homem vir primeiro e a mulher “fudendo” com tudo. Também aproveitou para apimentar a relação de Adão e Eva e de jeito nenhum expulsá-los do paraíso, senão encorajá-los. Apesar de Salomão ter apreciado o texto da revolucionária, ela foi submetida à censura dos “sábios” anciãos; que radicalmente modificaram a obra transformando-a numa versão assim nomeada por ela de anti-luxúria.</p>
<p style="text-align: justify;">O desfecho da peça se faz com um belo jogo de luzes e trilha sonora: a chegada da rainha de Sabá &#8211; para a desventura da feia &#8211; uma negra lindíssima; em conjunto da revolta do pastorzinho, que ateia fogo a um dos quartos do rei, assim queimando os pergaminhos escritos pela feia, objetivando a libertação da mesma. Os oitenta minutos de peça (que passam voando) são concluídos com a primeira noite da feia e Salomão.“Todas as posições foram exploradas”. Foi um verdadeiro banquete de amor. De manhã, no dia posterior, chega a hora da partida. Destaque para a belíssima luz (que aos poucos vai morrendo) de Maneco Quinderé.</p>
<p style="text-align: justify;">Inez parte da terra árida com uma certeza: sua beleza.</p>
<p><strong>Por:</strong> Guilherme Nervo</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fotos: </strong>Guilherme Nervo</p>

<a href='http://poashow.com.br/2009/09/19/porto-alegre-em-cena-a-mulher-que-escreveu-a-biblia/mulher/' title='A mulher que escreveu a bíblia'><img width="150" height="150" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/mulher-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="mulher 150x150 Porto Alegre em Cena   A Mulher que Escreveu a Bíblia" title="A mulher que escreveu a bíblia" /></a>
<a href='http://poashow.com.br/2009/09/19/porto-alegre-em-cena-a-mulher-que-escreveu-a-biblia/2-3/' title='A mulher que escreveu a bíblia'><img width="150" height="112" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/2.JPG" class="attachment-thumbnail" alt=" Porto Alegre em Cena   A Mulher que Escreveu a Bíblia" title="A mulher que escreveu a bíblia" /></a>

<img src="http://poashow.com.br/?ak_action=api_record_view&id=1526&type=feed" alt=" Porto Alegre em Cena   A Mulher que Escreveu a Bíblia"  title="Porto Alegre em Cena   A Mulher que Escreveu a Bíblia" />]]></content:encoded>
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		<title>Porto Alegre em Cena &#8211; La Douleur</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Sep 2009 18:04:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>poashow</dc:creator>
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		<category><![CDATA[teatro]]></category>
		<category><![CDATA[Theatro São Pedro]]></category>

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		<description><![CDATA[Texto de Marquerite Duras, relata os dias de angústia e dor vividos por ela nos últimos meses da Segunda Guerra Mundial, enquanto espera por alguma notícia sobre seu marido preso em um campo de concentração nazista.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'Times New Roman';"><span style="font-size: small;"> </span></span><a rel="attachment wp-att-1424" href="http://poashow.com.br/2009/09/12/porto-alegre-em-cena-la-douleur/le/"><img class="alignleft size-full wp-image-1424" title="la" src="http://poashow.com.br/wp-content/uploads/le.jpg" alt="la" width="307" height="204" /></a>Na chuvosa noite de sexta-feira (11/09), a imensa fila que sinuosamente preenchia o átrio do Theatro São Pedro era um forte indício de quão esperada era aquela última apresentação de La Douleur.</p>
<p style="margin-left: 0pt; margin-right: 0pt; text-align: justify;">Quando finalmente entramos, deparamo-nos com a atriz Dominique Blanc já no palco, de costas para o público e imóvel, integrada harmonicamente a um cenário minimalista, composto de uma fileira de cadeiras, de um lado do palco, e uma mesa com cadeiras e uns poucos objetos, do outro. O “vazio” daquele palco, também sem as tradicionais cortinas pretas que cobrem seu fundo (em função da projeção das legendas), precisava ser preenchido de alguma forma, e foi.</p>
<p style="margin-left: 0pt; margin-right: 0pt; text-align: justify;">O belo texto de Marquerite Duras, escrito na forma de diário, relata os dias de angústia e dor (douleur) vividos por ela nos últimos meses da Segunda Guerra Mundial, enquanto espera por alguma notícia sobre seu marido, Robert L., preso em um campo de concentração nazista.<span id="more-1422"></span></p>
<p style="margin-left: 0pt; margin-right: 0pt; text-align: justify;">O comovente relato perpassa todos os seus pensamentos, suas fantasias, num exercício constante de imaginar o que possa ter acontecido a seu marido: ele poderia bater à porta a qualquer momento; poderia estar morto em uma vala (como milhares, e ainda assim sozinho); qual teria sido seu último pensamento&#8230; O que fica evidente é a aflição da espera, ela é a razão maior de seu sofrimento. Prefere a dor da certeza, pois esta apaziguaria a tortura do desconhecimento.</p>
<p style="margin-left: 0pt; margin-right: 0pt; text-align: justify;">Na França libertada do jugo nazista, a vida vai voltando ao normal, as pessoas voltam a andar calmamente pelas ruas e o presidente, Charles De Gaulle, sente-se a vontade de proferir a frase que Duras classifica como criminosa: “Os dias de choro passaram, os dias de glória voltaram”. Não para milhares de pessoas.</p>
<p style="margin-left: 0pt; margin-right: 0pt; text-align: justify;">Peregrinava à estação Orsay, onde regressavam os deportados, em busca de seus nomes. Divulgava-os através de um jornal aos familiares que, como ela, penavam a procura de notícias. Mas o nome que tanto esperava insistia em não aparecer.</p>
<p style="margin-left: 0pt; margin-right: 0pt; text-align: justify;">Quando predominavam em seu imaginário as cenas e circunstâncias da morte de Robert L., eis que finalmente o telefone, que tantas vezes, sentada no divã, esperou tocar, toca. Recebe a notícia tão aguardada e já desacreditava, seu marido estava vivo, mas muito enfraquecido e doente.</p>
<p style="margin-left: 0pt; margin-right: 0pt; text-align: justify;">Segue então o relato da espera pelo retorno do marido e a aflição pelas notícias nada animadoras sobre seu estado de saúde. O reencontro é marcado pelo choque de deparar-se com um homem transformado, tanto física como psicologicamente, só reconhecendo-o pelo sorriso em seus olhos.</p>
<p style="margin-left: 0pt; margin-right: 0pt; text-align: justify;">Durante 17 dias, Robert L. lutou contra a morte. Ao final, a febre cede, a disenteria começa a dar sinais de recuo, seu organismo se recupera lentamente. E assim, termina o texto, não com um “felizes para sempre”, mas com o fim de dias de angustiante espera e a recuperação de uma vida já desenganada, que mesmo em deplorável estado, era o que Duras tinha de mais belo e mais amado.</p>
<p style="margin-left: 0pt; margin-right: 0pt; text-align: justify;">Um maravilhoso espetáculo, brilhantemente protagonizado por Dominique Blanc e dirigido por Thierry Thieu Niang e Patrice Chéreau (que, aliás, estava no camarote ao lado do meu, pena o meu francês ser muito amador) que nos mostra como a tão propalada civilização européia, berço da racionalidade e da “raça superior” foi capaz de protagonizar cenas de pura perversidade e insensibilidade, demonstrada também pelos aliados.</p>
<p style="margin-left: 0pt; margin-right: 0pt; text-align: justify;"><strong>Por:</strong> Aline Cadaviz</p>
<p style="margin-left: 0pt; margin-right: 0pt; text-align: justify;"><strong>Foto: </strong>Divulgação</p>
<img src="http://poashow.com.br/?ak_action=api_record_view&id=1422&type=feed" alt=" Porto Alegre em Cena   La Douleur"  title="Porto Alegre em Cena   La Douleur" />]]></content:encoded>
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