Boa Sorte, Leo Grande e mais filmes que rompem tabus do sexo

Em “Boa Sorte, Leo Grande”, Emma Thompson interpreta uma professora de religião que, na faixa dos 60 anos, viúva, nunca conheceu o sexo com outra pessoa que não fosse seu marido. Ela também nunca sentiu um , ou viveu uma grande aventura.

Por isso, quando resolve contratar os serviços de um profissional do sexo, chamado Leo Grande, precisa lidar com vários sentimentos além do desejo de explorar a vida a dois entre quatro paredes: a autoconsciência do corpo, a vergonha da intimidade e o conflito do que sente em relação ao rapaz também fazem parte desta complicada equação.

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A sutileza do que está em cartaz nos cinemas é algo raro de se ver nas telas, seja em ou . Para as artes audiovisuais, cenas de sexo até costumam ser atrativas, mas raramente com casais formados por pessoas mais velhas. O assunto acaba se tornando um tabu, mas obras como o filme dirigido pela australiana Sophie Hyde mostram que há formas de abordar o tema com aprofundamento.

Mas ele não é o único. No filme “Do Jeito que Elas Querem” (2018), Diane Keaton, Jane Fonda, Candice Bergen e Mary Steenburgen interpretam quatro amigas que participam de um clube de leitura, e escolhem sair do tradicional e ler a trilogia de “Cinquenta Tons de Cinza”.

Com isso, as quatro acabam decidindo se inspirar na leitura picante e apimentar suas próprias vidas sexuais. Eventualmente, o longa passa a abordar as aventuras que elas ainda podem viver acima dos 40 anos, mesmo que uma delas seja viúva, outra seja divorciada e a outra tenha uma vida íntima pouco inspirada com o marido.

A história é um pouco diferente, mas igualmente pontual, na de “Grace and Frankie”, em que Lily Tomlin e Jane Fonda interpretam duas amigas que foram deixadas pelos maridos — que viviam um romance às escondidas há décadas. Embora nunca tenham se dado muito bem, as duas decidem morar juntas para se ajudarem no período pós separação.

Lily Tomlin e Jane Fonda protagonizam comédia 'Grace and Frankie', da Netflix Imagem: Saeed Adyani/Netflix

As duas têm personalidades diametralmente opostas, com Grace levando uma vida mais séria e Frankie adotando um estilo mais despojado e hippie de enxergar a realidade. Aos poucos, elas começam a entender que têm muito a aprender uma com a outra, e o jeito sem pudores de Frankie ao falar de sua vida sexual ativa acaba contagiando a outra.

Eventualmente, as duas desenvolvem até mesmo brinquedos sexuais para mulheres mais velhas, e os diálogos que a comédia constrói ao redor de libido derrubam mitos para todas as idades.

Já na série “Mrs. Fletcher”, da HBO, a atriz Kathryn Hahn (de “WandaVision”) interpreta uma mulher divorciada que sempre levou uma vida mediana. Após o filho entrar na faculdade, ela decide ocupar o seu tempo consigo mesma, e abandona os estereótipos de mãe e dona de casa para desbravar sua jornada sexual.

Vivendo a infame “crise da meia-idade”, Eve resolve experimentar seu despertar sexual e relembrar a sua própria juventude. Dessa forma, a série discute assuntos como vergonha do corpo e políticas de gênero dentro de uma sátira urbana sobre sexualidade não explorada e a busca saudável pelo que há de disponível para esta mulher.

A comédia romântica “Hope Springs” (2012), estrelada por Meryl Streep e Tommy Lee Jones, aborda de frente certas dificuldades. O filme conta a história de um casal dedicado, cujos filhos já estão criados e fora de casa. Os dois, no entanto, dormem em quartos separados por uma série de razões. Então, eles resolvem passar uma semana em um resort para fazer terapia de casal, e assim reacender a paixão dentro do casamento.

Meryl Streep e Tommy Lee Jones interpretam um casal em busca de reconexão no filme 'Hope Springs' Imagem: Barry Wetcher/Divulgação

Para o professor de sociologia Torbjorn Bildtgard, da Universidade de Estocolmo, o problema da grande maioria de filmes e séries que abordam a vida sexual de pessoas mais velhas é o mesmo:

“O que eu acho interessante na abordagem é que não é cômica nem perigosa”, afirmou ao jornal britânico INews. “Eles seguem uma regra subjetiva para tratar sexualidade de casais velhos nas telas, de que ela deve ser apenas sugerida, e nunca mostrada de verdade.”

Para a diretora Sophie Hyde, no entanto, abordar a sexualidade sobretudo de mulheres nos cinemas passa por traços mais complexos.

“As mulheres ainda são vistas como objetos que estão à disposição dos homens”, reflete,

“Para que os homens comentem sobre seus corpos, para olhar seus corpos, que suas histórias existem para servir os homens. Eu acho que isso ainda é um problema. A gente ainda tem que explorar toda a possibilidade de que todos somos humanos. E as histórias das mulheres ainda são limitadas por conta das histórias que nos contaram e que temos visto. Então, a gente realmente precisa de mais histórias de mulheres, homens, pessoas que não se encaixam nestes dois gêneros, diferentes idades, raças, culturas, riquezas, origens sócio-econômicas, todas estas coisas. Na verdade, a gente só precisa de mais histórias diferentes.”

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