Provão Paulista aumenta número de alunos PPI e de baixa renda na USP

DataFEA

O DataFEA foi lançado em 2021 com o objetivo de conhecer o perfil de estudantes que ingressam na faculdade, uma das graduações mais concorridas e tradicionais do vestibular da USP. A Universidade adotou o sistema de cotas sociais e raciais para os cursos de graduação a partir de 2018, medida que tem levado a uma mudança no perfil discente de forma gradual.

“A ideia do DataFEA é entender um pouco melhor o aluno, porque a gente acredita que, com a mudança do perfil dos ingressantes em função das iniciativas de inclusão da Universidade, ficou mais difícil compreender qual o impacto que essas ações das cotas sociais tiveram”, explica o coordenador da pesquisa. “Entendendo melhor o perfil do aluno, dá para desenvolver ações aqui dentro da faculdade para acolher esses alunos”, destaca.

Nesta quarta edição do DataFEA, foram abordadas questões como: quanto tempo o aluno demora para chegar à faculdade; se ele tem dificuldades com a matemática ou outras disciplinas; o nível educacional dos pais, a classe social da família, o mecanismo de entrada na faculdade; além de dados pessoais, como a idade média dos calouros, cor e raça, orientação sexual etc.

Uma das questões levantadas é se o calouro conseguiu ingressar no curso desejado inicialmente. De acordo com os organizadores da pesquisa, a resposta pode expor a intenção do aluno continuar ou não no curso. Neste ano, 57% dos respondentes da pesquisa afirmaram que entraram na FEA como 1ª opção. Outros 29% disseram que não conseguiram entrar na 1ª opção de curso, mas tentariam cursar a outra opção escolhida. Já 11% dos matriculados declararam que não pretendiam continuar, e que estavam analisando outras possibilidades.

A pesquisa revelou, também, que Economia continua sendo o curso com o maior nível de sucesso entre as opções de ingresso: 85% dos alunos matriculados em Economia queriam realmente entrar em Economia. Já 50% dos alunos da Administração optaram por esse curso em 1º lugar; 48% dos alunos de Atuária desejavam essa opção desde o início; e 37% dos matriculados em Contabilidade queriam esse curso como 1ª opção.

Dados detalhando a escola em que os ingressantes cursaram o ensino médio

Classe social, raça e gênero

A idade média dos ingressantes da FEA é de 21,3 anos. Neste ano, houve ainda o ingresso de 44 pessoas menores de idade. A maioria dos ingressantes (59,9%) afirmou ser da cor branca; 32% declararam ser do grupo PPI, sendo 25,1% de pardos e 6,9% de pretos; além de 6,2% amarelos.

Do total de ingressantes em 2024 na FEA, 27,25% pertencem à Classe A; 17,03% pertencem à Classe B1; 24,05% pertencem à Classe B2; 17,84% pertencem à Classe C1; 11,42% pertencem à Classe C2; e 2,40% pertencem à Classe D-E. Um dos destaques da pesquisa é que dos 77 ingressantes via Provão Paulista, 68% eram das classes C+D+E. Já dos 66 ingressantes via Enem-USP, 34% eram das classes C+D+E. E dos 377 ingressantes via Fuvest, 24% pertencem às classes C+D+E.

A pesquisa em relação à classe social dos novos alunos foi feita baseada nos parâmetros adotados pelo Critério Brasil de Classificação Econômica. De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep), essa classificação é feita com base na posse de bens e não na renda familiar. Para cada bem possuído, há uma pontuação e cada classe é definida pela soma dessa pontuação.

Em relação ao tipo de escola em que cursaram o Ensino Médio, 43,8% dos respondentes afirmaram terem estudado em escola particular, sendo 42,1% em escola pública e 10,9% em escola técnica e instituto federal. Os demais estudaram no exterior, com bolsa ou em fundações como Sesi e Senai.

O DataFEA também perguntou sobre o nível educacional dos pais: 56% das mães possuem nível superior, enquanto 51% dos pais terminaram a graduação. Do total de respondentes, 11% disseram que nem o pai nem a mãe cursaram o ensino superior.

Sobre o nível de conhecimento que tinham quando ingressaram na FEA, 6,2% revelaram que tinham baixo ou muito baixo conhecimento em matemática; 6,2% em gramática; 4,5% em redação e 15,3% em inglês.

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Segundo o coordenador da pesquisa, a Pró-Reitoria de Graduação disponibilizou bolsas para a remuneração de monitores na FEA darem aulas de reforço aos alunos que manifestam dificuldades em certas disciplinas. A faculdade iniciou em maio uma disciplina optativa chamada Fundamentos de Matemática Elementar, da Pró-Reitoria de Graduação da USP, para auxiliar estudantes na disciplina.

Do total de matriculados na FEA, 85,6% já moravam no Estado de São Paulo. Mas cerca de 71 alunos (13,3%) enfrentaram o desafio da mudança de Estado: 11 (MG), 9 (RJ e BA), 6 (CE), 5 (GO), 4 (DF, PE, PR e RS), 3 (ES e MT), 2 (MS e SC), 1 (AC, AL, PB, RN e SE).

Sobre o meio de transporte utilizado para chegar à FEA, 82% afirmaram usar transporte público, 25% utilizam carro ou moto, 6% se deslocam de bicicleta, 14% a pé e 11% de carona. Em relação ao tempo que gastam para chegar à faculdade, 42% afirmaram que levam mais do que 1 hora.

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