Brizola mandou que as elites engolissem um “sapo barbudo” chamado Lula

Foto/Reprodução.

Nesta sexta-feira, 21 de junho de 2024, faz 20 anos que Leonel Brizola morreu sem realizar seu grande sonho: ser presidente da República. Estava com 82 anos.

Leonel Brizola foi governador do Rio Grande do Sul, onde nasceu, entre o final da década de 1950 e o início da de 1960. Mais tarde, quando voltou do exílio, governou por duas vezes o Rio de Janeiro.

Seu maior projeto era ser presidente da República. Queria suceder seu cunhado João Goulart na eleição de 1965. O golpe de 64 não permitiu que houvesse eleição, acabou com a carreira política de Jango e mandou Brizola para o exílio por 15 anos.

Está no seu currículo a formação da Cadeia da Legalidade. Foi o nome que recebeu o movimento que, em 1961, como governador do Rio Grande do Sul, liderou para garantir a posse do vice João Goulart por ocasião da renúncia do presidente Jânio Quadros.

No cenário político brasileiro, talvez tenha sido o maior defensor da Educação. Sabia exatamente o preço que pagaríamos em pouco tempo – e estamos pagando – se não educássemos nossas crianças.

Foi dele e de Darcy Ribeiro o projeto dos Cieps, as escolas em tempo integral construídas, em 1983, na primeira vez em que governou o Rio de Janeiro.

Em 1989, na volta das eleições presidenciais, as pesquisas indicavam que o segundo turno seria disputado entre Fernando Collor e Leonel Brizola. Não foi o que aconteceu. Lula passou para o segundo turno e perdeu a eleição para Collor, a quem Brizola chamava de “filhote da ditadura”.

Brizola apoiou Lula, transferindo 12 milhões de votos para o petista. Ao anunciar o apoio, perguntou se não era chegada a hora das elites engolirem o “sapo barbudo”.

Lula e Brizola foram aliados pouco cordiais. Na verdade, foi Brizola que teve que engolir aquele a quem chamou de “sapo barbudo”. Ainda viveu para ver Lula eleito presidente em 2002.

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